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Junho | 2018

Páreo Corrido, por Paulo Gama
05/06/2018 - 06h11min

GP BRASIL, UMA GLORIOSA HISTÓRIA DE AMOR AO TURFE

A gloriosa história do Grande Prêmio Brasil, a mais tradicional e importante prova do turfe brasileiro, começou a ser escrita em 1933, com o lendário Mossoró. De lá para cá, alguns inesquecíveis puros-sangues, montados por jóqueis extraordinários e preparados por treinadores geniais, construíram roteiro de emoção a flor da pele. Aconteceram triunfos épicos, em batalhas de suor e sangue, como a de Big Lark e Dark Brown contra Baronius, na década de 80. Nos 400 metros finais, José Queiroz, piloto de Dark Brown, agarrou a manta de Baronius, montado por Gabriel Meneses. E o vitorioso foi Big Lark, com Antônio Bolino, que desferiu chicotada no olho de Baronius a poucos metros do disco. Depois de meia-hora de julgamento, o páreo foi confirmado. Duelos inesquecíveis, como os de Falcon Jet contra Flying Finn, montados pelos dois maiores ídolos do turfe naquela oportunidade, Jorge Ricardo e Juvenal Machado da Silva. Em 1990, deu Flying Finn. Na revanche, em 1992, deu Falcon Jet. 

Nas diversas edições da maior prova do turfe brasileiro já aconteceu de tudo. Houve certas ocasiões em que a decisão do páreo ocorreu em cima do espelho, como o fotochart entre Villach King e Much Better, em 1993. Em outras, o vareio de um grande campeão, como Janus II, em 1976, ou Daião, em 1977. Alguns jóqueis entraram para a história por causa do seu desempenho na prova. É o caso do alagoano, Juvenal Machado da Silva, recordista de triunfos, cinco no total, com Aporé, Gourmet, Grimaldi, Bowling e Flying Finn. Luís Rigoni, Dendico Garcia, Carlos Lavor, Edson Ferreira, Gonçalino Feijó de Almeida e tantos outros, deixaram a sua marca.

Nas décadas de 50 e 60, a marca Grande Prêmio Brasil, patenteada pelo Jockey Club Brasileiro, era muito forte. Cartão de visita da então chamada Cidade Maravilhosa, as multidões invadiam o prado carioca para o grande evento. Os jornais não falavam de outro assunto. Nas manchetes de primeira página dos jornais de domingo, a foto do favorito estampada. Os políticos mais importantes eram figuras carimbadas na Tribuna de Honra. O Presidente da República se alinhava ao lado do presidente do próprio Jockey Club para assistir o páreo em sua homenagem, prova anterior ao GP Brasil. A nata da alta sociedade se acotovelava com o povo para encontrar espaço na Tribuna Social. As colunas sociais, no dia seguinte, enumeravam as presenças ilustres. Na segunda-feira, as mulheres mais elegantes do país posavam ao lado dos figurões de black-tie, na famosa “Nuit de Longchamp”, às segundas-feiras. Bons tempos. Tempos que não voltam mais.

Esta semana tem Grande Prêmio Brasil. O Rio de Janeiro não é a mesma cidade de outrora. Pelo contrário. Deixou de ser exemplo de civilidade, de bom humor, descontração e vanguarda para o resto do mundo. A alegria incontida do carioca daquela época, um cidadão bronzeado, com piada fácil na ponta da língua, de otimismo para encarar a vida, e sorriso largo estampado no rosto, deu lugar caras sombrias e carrancudas. Tudo isso é fruto das longas filas nos hospitais, da criminalidade exacerbada, das escolas e faculdades a beira do abismo, e da aguda crise financeira dos cidadãos. Porém, dentro do prado carioca, funciona autêntico oásis para este caos total. Estacionamento tranquilo, brinquedos para as crianças, segurança total e algumas horas de entretenimento para toda a família. Pura adrenalina! Paixão sem limites! Afinal, domingo é dia de Grande Prêmio Brasil!

PURO-SANGUE MELHOR APRESENTADO

Víctor Paim, treinador de mão cheia, apresentou King Herod, do Oitavo Stud/Haras Princesa do Sul, em forma exuberante. Bem conduzido por Marcelo Cardoso, ele repetiu o triunfo da estreia, mais uma vez, de ponta a ponta. Pelas demonstrações iniciais deve ir longe nas pistas, este filho de Pioneering. VP Show! Vale registrar também a quinta vitória consecutiva de Energetic, do Stud Tavile. Renan Marques, em fase excepcional de sua carreira. Pouco trabalho para Valdinei Gil.

JOQUEADA DA SEMANA

Duas direções nos chamaram a atenção. Marcelo Gonçalves, no dorso de Mateiro, do Haras Nacional, e preparo de Roberto Morgado Neto. Apesar de ser estreante mostrou desembaraço e precocidade. Marcelo foi cirúrgico no percurso e vigoroso para exigir o seu conduzido no momento certo. Victória Mota esteve impecável no dorso de Love Letters, do Stud B L. Aliás, nesta temporada, a joqueta tem brilhado com os animais da coudelaria. Prestigiada por eles, Victoria monta com absoluta confiança e lucidez. E por isso, ela consegue demonstrar todo o seu potencial. Na semana do GP Brasil ela poderá provar tudo isso outra vez com Black Cello e El Zorro, em duas provas de Grupo I. Boa sorte!

PERSONAGEM

Bruno Queiroz ainda é aprendiz. Mas, se um turista entrar no prado carioca para assistir uma corrida, como a da última segunda-feira, na Gávea, em que ele venceu cinco, dos nove páreos disputados, certamente ele vai dizer que isto só pode ser brincadeira. Faz tudo bem no dorso dos cavalos. Larga bem, tem bom percurso, bate com as duas mãos com a mesma eficiência e se prepara para montar. Estuda os páreos, conhece os adversários e se planeja taticamente para os páreos em que vai atuar. Futuro brilhante a sua frente.



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