O acidente no quinto páreo, de ontem à tarde, no Hipódromo da Gávea, com o potro Olympic Ibope, do Haras Regina, que trazia o triunfo praticamente assegurado e, de repente, se atirou em direção a cerca móvel de 12 metros, nos metros finais, reacende a discussão sobre o tema cerca móvel. Se por um lado, não se pode negar a necessidade de preservar a raia de grama do prado carioca, castigada pelo número expressivo de páreos nesta pista semanalmente, de outro vale analisar até que ponto os jóqueis e os puros–sangues, ficam em risco nestas circunstâncias.
O ritmo veloz das corridas, em que os cavalos alcançam 65km por hora, e o peso destes corredores gira em torno de 500 quilos, deixa evidente o quanto o turfe é um esporte perigoso. Tanto é assim, que uma ambulância do próprio hipódromo acompanha de perto os páreos, na raia de dentro, para em caso de queda prestar socorro imediato aos pilotos acidentados. Ou seja, este tipo de incidente pode ocorrer também numa prova sem cerca móvel, evidentemente.
Um debate sobre este tema, entre dirigentes, proprietários e jóqueis, as partes mais interessadas nesta polêmica, talvez fosse interessante. Seria possível avaliar, de forma criteriosa, até que ponto a redução da distância desta cerca alternativa, não diminuiria de maneira proporcional o risco para jóqueis e cavalos. Num acidente como o de ontem, os apostadores também são atingidos. Aqueles que jogaram no potro da farda rubro–negra do modelar, Haras Regina, viveram a frustração de ter de rasgar as suas pules. Teria acontecido o mesmo acidente numa raia normal, sem a presença da cerca móvel de 12 metros? Talvez sim. Talvez não.
por Paulo Gama