GP BRASIL SEM FAVORITO TERÁ CAMPO NUMEROSO E EQUILIBRADO
​Depois da seca de uma semana sem a realização de corridas no Hipódromo da Gávea, o turfista carioca vive a ansiedade da disputa do Grande Prêmio Brasil, no próximo dia 10 de junho. A chamada da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro inclui a disputa de 17 provas do calendário clássico. Anteriormente eram 16, mas a Prova Especial Mensageiro Alado foi desdobrada em duas versões, para machos e fêmeas. O programa da semana passada, adiado devido à greve dos caminhoneiros, e a consequente impossibilidade da chegada ao hipódromo dos puros–sangues alojados nos centros de treinamento, será disputado a partir do próximo sábado. Com a mesma ordem dos páreos anteriormente programados.
​A prova mais importante e tradicional do turfe brasileiro terá como característica este ano a ausência de um favorito absoluto. Quando existe um grande favorito, a sua simples presença inibe a inscrição de aventureiros. Porém, quando o retrospecto dos puros–sangues indica como tônica a imprevisibilidade no resultado, as inscrições aumentam de forma significativa. Escrevo antes da divulgação do Added. Porém, tudo indica que este será o caso em 2.018. A liberação gradual do trânsito nas rodovias federais é de suma importância para assegurar a vinda de puros–sangues de outros estados. Sobretudo, animais oriundos de São Paulo e do Paraná. Há grandes representantes do turfe paulista e paranaense em algumas das principais provas.
​Delegações de turfistas de vários estados do país se programaram para estarem presentes no prado carioca. É o caso dos nordestinos. Estão confirmadas caravanas entusiasmadas de Pernambuco e do Ceará. Os gaúchos sempre se fazem presentes também. E como já disse, os paulistas e paranaenses vêm com tudo para tentar exercer protagonismo em páreos importantes. A liberação do paletó e gravata na Tribuna Social, com exceção da Tribuna de Honra, também é um fator motivador para popularizar a festa e atrair o público. Enfim, se o tempo ajudar, se a gasolina voltar aos postos, se as estradas estiverem desimpedidas e se Deus ajudar, o Grande Prêmio Brasil de 2.018 manterá a tradição histórica de ser uma grande festa do turfe.
SAUDADE
​Recebi com enorme tristeza a notícia do falecimento do meu grande amigo, Olavo Jerônimo. Treinador de mão cheia, homem de caráter e profissional de gabarito. Olavo sempre teve o hábito de trazer os seus pensionistas para correr aqui no Hipódromo da Gávea. Observador, criterioso e bem informado, ele sabia escolher os páreos a dedo, e sempre obtinha bons resultados. Telefonava para mim 15 dias antes e me avisava: “Preciso de um jóquei bom. Se puder ser o Ricardinho será ótimo. Mas, se não der, pode ser o Marcelo Cardoso, o Alex Mota, ou outro dos bons daí”. E foi assim quando Bandido Secreto, da família Franco Samaja, ganhou amilha internacional paulista. Desta vez a requisição foi feita por ele no sentido contrário. Ele queria que um jóquei daqui fosse até lá.
“Meu cavalo é uma barbada aqui em Cidade Jardim. Porém quero colocar um piloto carioca”, ponderou. Consegui convencer Marcelo Cardoso a deixar de montar aqui na Gávea e ir até lá. Não bateu no bico. Bandido Secreto largou e acabou. Olavo se foi, mas deixou o seu filho, Ivan Jerônimo, no seu lugar. Lembro–me de algumas vezes que ele acompanhou o pai até o Rio de Janeiro. Pequenino, simpático e irrequieto prestava atenção a tudo. E hoje, anos depois, ele repete a fórmula do pai. De forma rotineira, Ivan faz boas inscrições aqui na Gávea. Como as primeiras e vitoriosas corridas de Jaspion Silent, depois de ficar longo tempo afastado das competições. O tempo é inexorável. Mas sempre nos resta o consolo de ficar o legado. Minhas sinceras condolências à família. E o meu incentivo carinhoso ao Ivan neste momento de dor inconsolável. Infelizmente, devido a lei natural das coisas, todos nós temos de passar por isso.