A INCRÍVEL E AVASSALADORA ATROPELADA DE NAMUR
Eu sempre prefiro falar e destacar as vitórias espetaculares. Por isso, apesar da disputa do Latino–americano, em Maroñas, no domingo, e de outras importantes provas clássicas, corridas no sábado, em Cidade Jardim, nada me impressionou mais, do que a incrível, inusitada e extraordinária atropelada do potro Namur, do Stud Doce Ilusão, na Prova Especial Helíaco. Criado pelo lamentavelmente extinto, Haras Estrela Energia, o filho de Elmustanser e Michelle, foi apresentado em forma exuberante por Leonardo José Reis, sem qualquer sombra de dúvida, no melhor momento de sua carreira profissional. E teve direção inspirada, lúcida e irrepreensível de Henderson Fernandes, este bridão precoce e versátil, que começou a sua trajetória de forma sublime, com triunfo no Grande Prêmio Brasil.
O tordilho de propriedade do Stud Doce Ilusão, simpática e tradicional farda do turfe brasileiro, já havia deixado claro em sua curta campanha a preferência absoluta pela raia de areia. Por isso, a ideia de inscrevê–lo contra os mais velhos, numa distância maior, ou seja, bem íntima do seu pedigree, foi de rara inteligência. E ele correspondeu plenamente a tal iniciativa. Afinal, como dizia Heitor de Lima e Silva, “a história não fala dos covardes”. Namur estava lindo no galope de apresentação. E não poderia receber direção melhor. Henderson Fernandes foi perfeito. A qualidade do campo da prova não pode e nem deve ser subestimada. Portanto, a seguir em progressos, Namur será carta marcada nos ótimos clássicos do calendário nacional de areia, tais como Delegações Turfísticas, GP Paraná e GP Bento Gonçalves, entre outros.
LATINO–AMERICANO – Algumas derrotas, como a de Leão de Prata, do Stud São Francisco da Serra, no Latino–americano do último domingo são de chorar. A sua atuação foi das mais honradas, pelas circunstâncias de competir pela primeira vez fora do país, e contra um craque argentino, Roman Rosso, que mora bem mais perto do Uruguai. Não dá nem para comparar o esforço das duas viagens. Segundo informações de alguns turfistas presentes ao evento, o cavalo estava lindíssimo. Uma apresentação de alto nível de Júlio César Sampaio. A atropelada foi tardia. A reta de chegada no hipódromo uruguaio parece não ter fim. E por isso, Leão de Prata se aproximou tanto do ganhador nos metros finais. Roman Rosso entrou na reta em terceiro lugar, a puro galope. Leão de Prata veio do fundo do lote. Porém teria sido derrotado pelo conduzido de Carlos Lavor nos próximos galões. Infelizmente, o disco chegou. O quarto lugar de Olympic Harvard, do Haras Regina, foi excelente. Desempenho expressivo dos representantes brasileiros. Com aquele amargo gostinho de quero mais.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Depois de estrear com vitória o potro Black Cello, e a potranca, Breaking News, ambos de propriedade do Stud BL, o treinador Venâncio Nahid somou outro triunfo para a coudelaria esta semana com a potranca Philadelphia. Quinta colocada na estreia, a filha de Drosselmeyer voltou no último furo no domingo e venceu. Direção nota mil da joqueta Victória Mota, segundo palavras do próprio treinador, após o páreo. “Ela foi perfeita”, afirmou no Padoque.
JOQUEADA DA SEMANA – Marcelo Almeida esteve parado as voltas com fratura no pé direito. Recuperado, o experiente piloto, ganhador de dois Grandes Prêmios Brasil, com Lord Marcos e Velódromo, merece destaque esta semana por ter levado ao triunfo dois competidores bem encabulados. Super Bold, do Stud Santa Tereza, e preparo de Edson Ricardo, e Quiron, do Stud Quintella e Genovesi, e chancela de Roberto Solanês. Direções tranquilas, precisas e bem temperadas como um bom feijão com arroz.
STUD MENDONÇA – Jorge Mendonça, titular da coudelaria, e patrocinador desta coluna informa que Kris Five deve atuar numa prova de distância, 2.000 ou 2.400 metros, em Cidade Jardim, antes de ser apresentado por Estanislau Petrochinski no Grande Prêmio São Paulo. Aqui na Gávea, a sua maior expectativa é pelo retorno as pistas do potro Memory of Love, treinado por Luís Esteves, possivelmente no Grande Prêmio Mário de Azevedo Ribeiro, prova de Grupo III, no final do mês.
