A REPERCUSSÃO DA QUEDA DE LEANDRO HENRIQUE
Considero normal o significativo bochicho causado pela queda do líder da estatística do turfe carioca, Leandro Henrique, da égua Dúvida, propriedade do Ronaldo Cramer Moraes Veiga, e treinada pelo presidente da Associação de Profissionais, Jaime Aragão. No ambiente democrático, todos têm direito de opinar sobre o assunto que envolve figura proeminente de um determinado esporte. E qualquer acontecimento ganha maior projeção quando envolve o ídolo daquela modalidade esportiva. No futebol, a expulsão do João ninguém não causa maiores repercussões. Mas, se o jogador expulso for o Cristiano Ronaldo, o alvoroço é imediato e vira primeira página de todos os jornais do mundo. A vida é assim. A humanidade ignora o desconhecido. Não tem interesse nos seus hábitos, nem nos seus dados pessoais e muito menos na sua vida particular. Mas, se for celebridade, existe a curiosidade geral de conhecer qualquer mínimo detalhe íntimo da sua vida social, afetiva e profissional.
No caso do acidente em si existe um fator que potencializou e interferiu nas suspeitas de atitude ilícita do garoto por parte de algumas pessoas. Para quem acompanha de longe as corridas, sem privar da vida particular e do convívio, no dia a dia, com aquele atleta, certas coincidências aguçam a imaginação fértil das pessoas. Nada demais, todos nós somos seres humanos. E por natureza temos o hábito de dar asas a nossa imaginação. Afinal, o politicamente correto é um “saco”. Leandro Henrique namora Victória Mota, a joqueta que montou a égua ganhadora do páreo. Logo vem à mente das pessoas: “Será que ele pulou para favorecer a garota?”. O mesmo acontece em São Paulo, quando Vagner Leal monta no mesmo páreo que sua mulher Josiane Gulart. Acontecia com o Waldomiro Blandi quando corria contra a sua própria filha, Juliana Blandi. Acontece todo dia na Gávea quando um dos irmãos, Muriel e Luan Machado, depois do páreo, o derrotado dá parabéns ao vencedor.
Não condeno quem levantou suspeita sobre Leandro Henrique. Eu e todas as pessoas do mundo fazemos isso em nosso dia a dia. Sem conhecer as pessoas na intimidade, a gente supõe que atores e atrizes famosos traem as suas mulheres e os seus maridos. A gente coloca em dúvida a opção sexual de famosos que moram do outro lado do mundo apenas pela aparência. A gente simpatiza ou não com pessoas alheias ao nosso mundo. Alheias a nossa vida. Desconhecidos são julgados e muitas vezes condenados sem qualquer chance de mostrar que nós estamos redondamente enganados. E por isso, por conhecer tão bem este menino honesto, pacato, educado, gentil e trabalhador, me sinto na obrigação de sair em sua defesa. De mostrar que este pernambucano, Leandro Henrique, nascido em Recife, tímido, calado e extremamente competitivo jamais poderia pular de um cavalo de corrida, em qualquer circunstância.
E por favor não repitam o mesmo erro comum a todos nós. Não julguem que eu estou defendendo o Leandrinho por que ele é namorado da Victória Mota, de quem sou agente montaria. A Victória não está sendo julgada. No episódio, ela apenas fez a obrigação de qualquer piloto, ou seja, venceu a corrida. Leandro Henrique merece defesa por que, aos 18 anos, ele cuida do sustento de sua família. Ajuda a manter e custear os estudos de sua irmã Erica. Zela com carinho do seu pai, o “seu” Adriano, que é deficiente visual. Mantém contato permanente com eles em Pernambuco e procura saber de todas as suas necessidades. No dia a dia. Leandro é um leão na raia para trabalhar. Vai duas vezes por semana aos centros de treinamento e nos outros dias é figura assídua dos matinais da Gávea. Admirado pelos colegas por sua lisura na raia e a postura no convívio social, jamais está envolvido em disse me disse. Adorado pelos treinadores cariocas, ele é o tira–teima dos cavalos encabulados. Extremamente competitivo, característica idêntica à da namorada, ambos preferem a derrota para qualquer piloto do que aguentar as encarnações um com o outro. São jovens adolescentes, sadios, inexperientes e têm em comum não suportam perder. Posso assegurar aos amigos turfistas que seria muito mais fácil vocês verem a égua Dúvida voar igual a Pégaso do que Leandrinho pular dela para favorecer quem quer que fosse.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Ever So Clever, do Haras LLC, estava afastada das pistas desde janeiro. Bem preparada por José Ferreira Reis, o Reizinho, na melhor fase de sua carreira profissional, reapareceu com triunfo em belo estilo. Apresentada no programa oficial em nome do Marcos Bahia, segundo–gerente do treinador, a filha de Wild Event deixou ótima impressão com direção tranquila de Victória Mota.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Hooters, da Coudelaria Beagá, e treinamento de Álvaro Castilho, Francisco Chaves teve direção das mais inspiradas. Acompanhou o ritmo forte da prova na terceira posição, fez a curva redonda, por dentro e arrancou o seu pilotado por fora e fez a partida antes da aproximação dos atropeladores. Perfeito.
