A divulgação por parte do Jockey Club Brasileiro da nova tabela de índices do penetrômetro, aparelho que mede o estado da raia de grama, caracteriza de maneira significativa, uma decisão de raro elitismo do clube. Durante longos anos, a pista de grama do Hipódromo da Gávea teve medida única. Até um índice determinado, 5.0, por exemplo, todos os páreos comuns do dia seriam disputados na grama. Acima desta medida, apenas a prova central, ou seja, o Grande Prêmio ou clássico, seria corrido na relva. As demais carreiras eram transferidas para a pista de areia. Nada mais justo e democrático. Afinal, o preço do trato mensal para manutenção de um puro–sangue nunca variou de acordo com a sua aptidão técnica para correr nesta ou naquela raia. Aliás, existem matungos com muito mais apetite na cocheira do que grandes craques das pistas. Há também matungos e craques que preferem grama ou areia. Ou seja, a mudança de raia prejudica gregos e troianos.
Os páreos de grupo, listed e provas especiais com medida de 7.5, tudo bem. É preciso ter tolerância máxima para manter a raia das provas nobres. Agora, dividir em três índices diferentes, 5.0, 4.7 e 4.5, os demais páreos é iniciativa absurda e injustificável. Até se pode concordar com isso se, paralelamente, for divulgada outra tabela, simultânea, com diferença no preço do valor do trato mensal que os proprietários tem que pagar. Seria uma forma justa e proporcional a esta divisão de categorias dos cavalos. De volta a medição, imaginem a seguinte situação. Nos dias em que ocorram medidas muito próximas, 4.6, por exemplo, ou 4.9, os proprietários vão ficar fulos da vida por uma questão mínima. Ou seja, se o penetrômetro for utilizado as 11h ou as 11h30m, por causa de um pontinho, o cavalo de alguém vai correr na pista do programa, a de grama, e o puro–sangue do vizinho, cujo trato custa o mesmo preço, terá de atuar na areia. Vai dar problema!
Esta questão, com certeza vai gerar enorme polêmica a partir do dia 1º de julho. O mais coerente seria voltar aos bons tempos em que o presidente do Jockey Club Brasileiro era Francisco Eduardo de Paula Machado. Apesar da quase totalidade dos seus cavalos ter nítida e escandalosa preferência pela grama, a raia era igual para todos. Por questão de direitos iguais para os proprietários. Em caso de medida de grama, então grama para todo mundo. Se fosse dia de chuva forte e raia pesada, todos na areia. Os cavalos que não conseguissem nem se defender na lama faziam forfait. Paciência. Em certos dias, vantagem para uns. Em outras ocasiões melhor para outros.
por Paulo Gama