A respeito do Dr. José Carlos Fragoso Pires, que me concedeu a oportunidade de compor a diretoria do Jockey Club Brasileiro de 1992 a 1996, peço licença para narrar dois episódios.
Primeiro episódio
Por ocasião da primeira reunião de diretoria, maio de 1992, relatou o Dr. Fragoso que encontrara o clube falido, com as contas vencidas, sem um níquel em caixa e prestes a sofrer cortes de luz e água.
Disse, naquela oportunidade, ter contraído vultoso empréstimo bancário com juros favoráveis, de modo a lhe permitir gerir o clube.
Curioso e inexperiente, solicitei ao então presidente que esclarecesse a natureza da garantia oferecida ao banco para financiar o falido clube.
Dr. Fragoso desconversou, mas ante a minha insistência revelou, de modo tímido, a garantia:
– Minha assinatura, como avalista.
Segundo episódio
Por motivos que não vêm ao caso, o grande Jorge Ricardo sofreu, com muita justiça, sua única suspensão por indisciplina, nos idos de 1992 ou 1993.
Anos e anos depois, em conversa informal, Ricardo me confidenciou ter procurado o Dr. Fragoso tão logo a suspensão lhe foi comunicada.
Na época dos fatos ora narrados, Fragoso Pires era presidente do clube, "patrão" do Ricardo e maior proprietário de cavalos do Brasil.
A conversa entre ambos, contada pelo excepcional piloto, teria assim ocorrido:
RICARDO – Dr. Fragoso, o senhor também foi prejudicado. Temos várias inscrições importantes, inclusive no clássico da semana. O senhor não vai fazer nada?
FRAGOSO – Vou sim. Vou procurar outro jóquei para substituí–lo durante a suspensão.
Assisti Fragoso Pires levar uma vaia covarde e absurda de cinco minutos quando da eleição do Sr. D?Escragnolle Taunay, em 2000.
Irão engolir esta vaia no dia em que, no futuro, for corrido o derby brasileiro, o GP José Carlos Fragoso Pires.
por Antonio Landim Meirelles Quintella