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Dezembro | 2015

Jockey Club do Paraná reconquista Carta Patente
25/12/2015 - 16h44min



Uma ótima notícia para o turfe.

Nesta última quarta–feira, dia 23, o Ministério da Agricultura expediu a Carta Patente nº 48, que permite ao Jockey Club do Paraná, o segundo mais antigo do país, fundado em 1873, voltar a organizar e promover corridas, com exploração de apostas.

Expedida em caráter provisório pelo prazo de 180 dias, conforme determina a legislação, a Carta Patente dá ao JCP o direito de, aos poucos, retomar sua vida. Aos poucos, pois foi devastado.

Relembre o caso:

Após graves crises institucionais provocadas por gestões incompetentes, o JCP foi naufragando, até afundar por completo. O Ministério da Agricultura, responsável pela fiscalização dos clubes hípicos, iniciou, em 2013, o processo de cassação da Carta Patente. Em julho de 2014, veio o pior: a cassação da Carta Patente.

Com a cassação, o clube não poderia mais realizar corridas, podendo funcionar tão somente como centro de treinamento, até que todas as irregularidades identificadas fossem corrigidas. Desemprego, famílias inteiras que se dedicavam ao turfe, do dia para a noite, ficaram sem sustento, proprietários foram embora, houve debandada de cavalos, diversos haras paranaenses reduziram seus plantéis, e alguns até encerraram suas atividades. Caos total.

Mas não parou por aí. Mesmo sem Carta Patente, o clube ainda funcionava e os problemas administrativos só aumentavam. Houve de tudo, irregularidades financeiras, manobras eleitorais, contratos assinados sob suspeitas, mandos e desmandos. A luta pela manutenção no poder, ainda mantinha a chama acessa da Diretoria. Se legalmente eleita, não se sabe, tal a quantidade de títulos distribuídos e vendidos por valores irrisórios – comenta–se que foram 1.000 títulos a R$ 90,00 cada, quantidade capaz de decidir qualquer eleição. Esses novos títulos foram capazes de manter a Diretoria no poder. Eleições confusas, cenas de pugilato, subtração de urnas, verdadeiras barbáries em um clube fundado em 1873. A que ponto chegamos...

É a pura demonstração que vale tudo para a manutenção do poder do clube. Em todos os Jockeys do Brasil, há grande circulação de dinheiro – só o do Rio de Janeiro movimenta perto de R$ 200 milhões por ano em apostas, sem contar, aproximadamente, os R$ 50 milhões em mensalidades de sócios, alugueis e eventos. Para se descobrir para onde vai o dinheiro, somente um trabalho digno de Sherlock Holmes. Não há transparência, o que obriga, como já ocorreu aqui no Rio, os sócios a ajuizarem ações objetivando a exibição de demonstrativos de despesas. Mas o Rio não está sozinho, o JCSP o acompanha lado a lado, mas dando sinais de falência: um ano sem pagar prêmios aos proprietários, salários de funcionários repetidamente atrasados, FGTS sem recolhimento, impostos atrasados, venda de patrimônio (sede social), falta de transparência, apropriação de added’s, caos total, tal a tremenda inabilidade de gestão. O caminho escolhido pelo JCSP, conduz o Ministério da Agricultura à cassação de sua carta patente, tal qual ocorreu no JCP. Não pode haver chororô, foi incompetência mesmo, aliada à soberba.

Mas nem tudo no turfe brasileiro está perdido, o JCRS deu a volta por cima, ajustou suas finanças, construiu uma nova pista, e segue sua vida de vento em popa. O JC de Pernambuco, o JC do Ceará, bem como o Pici, caminham com dificuldades, mas geridos de forma honesta.

Por outro lado, surge no cenário turfístico, a reafirmação da expressão “Depois da tempestade vem a bonança”.

No meio da disputa eleitoral no JCP, os turfistas, em todas as suas vertentes, estenderam as mãos, arregaçaram as mangas e foram à luta. A união do turfe foi representada por um só nome: Paulo Pelanda, de uma dedicação ímpar ao turfe, empresário de sucesso, surgiu como o nome de consenso. Junto a ele, com integral apoio, o advogado Cid Campelo, incansável na luta pelos direitos do clube, que, com seu saber jurídico, obteve êxito na decretação da intervenção judicial no Jockey Club do Paraná, em 28 de março desse ano, face ao cancelamento das eleições já marcadas para a escolha da nova diretoria do clube.

Duas semanas antes, em 14 de março, houvera uma assembleia eleitoral, suspensa pela Policia Civil, com o recolhimento das urnas, tendo em vista a tentativa de diversas pessoas em votar utilizando títulos falsos ou de origem duvidosa.

A intervenção fez com que, a partir do dia 30 de março, toda a diretoria do Jockey Club fosse afastada. Nesta data, estava prevista outra assembleia, esta convocada pela gestão desconstituída, que claramente tinha propósitos duvidosos. Com a decisão proferida pelo Poder Judiciário, a assembleia foi presidida pelo interventor nomeado e sob reforço policial para a manutenção da ordem, limitando–se unicamente ao recadastramento eleitoral. Cabe lembrar que, minutos antes do início da assembleia, o Desembargador Fabio Haick Dalla Vecchia, da 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, negou um pedido de cassação da liminar que garantiu a intervenção judicial do JCP. Era o último suspiro da diretoria que seria destituída.

A justiça nomeou Joaquim José Grubhoffer Hauli como interventor, ao qual coube organizar o quadro social, presidir assembleias e preparar as próximas eleições gerais do clube. O interventor realizou brilhantemente sua missão, sendo esse mais um serviço que se soma ao seu bem sucedido currículo como interventor.

Os ventos mudaram favoravelmente de direção e, em 2 de dezembro de 2015, iniciou–se um novo ciclo para a história do Jockey Club do Paraná.

Paulo Pelanda, candidato único, assumiu o cargo de Presidente do Jockey Club do Paraná. Com seu jeito simples, Paulo Pelanda e os novos membros da diretoria foram empossados e deram início aos seus mandatos.

Pela frente, muito trabalho, organização de contas, renegociação de dívidas deixadas pela gestão anterior, organização do hipódromo, manutenção da pista, empreender tentativas para reconquistar a Carta Patente, obtenção de recursos, tudo por amor ao turfe. Recursos próprios foram alocados. Um trabalho às claras, transparente.

Para isso, o novo Presidente contou, em sua equipe, com muitas pessoas competentes e verdadeiros turfistas. Além do já citado Cid Campelo, destacam–se Roberto Belina, presidente da Comissão de Corridas (para quem não se lembra, em janeiro de 2011, Belina, então presidente da Associação de Criadores e Proprietários do Paraná, em consonância com sua diretoria, doou um caminhão com 15 toneladas de aveia para os treinadores atingidos pela chuva que provocou a maior tragédia registrada no turfe, o soterramento do CT Vale do Cuiabá, que vitimou pessoas e cavalos), Alcebíades Neto, atual presidente da ACPCCPR, que, em um trabalho conjunto com Paulo Pelanda, dá mostras de que as Associações de Proprietários e Criadores não são adversários dos Jockeys e sim fazem parte de um todo com um único objetivo, bem como todos aqueles que participaram de forma direta ou indireta deste desfecho. Antecipadamente nos desculpamos por não ter como listar todos que ajudaram a reconstruir o Jockey Club do Paraná, mas uma coisa é certa:  ficará na memória que, com perseverança, conseguiremos sempre alcançar o melhor para o turfe.

Em tempo, não podemos deixar de agradecer ao Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Luiz Otávio Amaro da Silveira, pela fiscalização, acompanhamento e dedicação ao trabalho. Luiz Otávio foi o responsável pela nota técnica que proporcionou ao JCP a obtenção da Carta Patente. Também agradecemos ao Secretário Caio Tibério Dornelles da Rocha, titular da Secretaria do Produtor Rural e Cooperativismo, pela emissão da Carta Patente.

Diretoria da ACPCPSI



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