Pommery, o resgate de uma farda gloriosa 25/12/2015 - 13h38min
Pommery, uma bela filha de Wild Event, fez bater mais forte o meu coração e o de centenas de turfistas presentes ao prado carioca no último domingo. Foi apenas uma vitória em páreo comum, para produtos de três anos com uma vitória. Não importa. Para quem deu os seus primeiros passos no turfe, embalado pela bela e tradicional farda branca, com mangas azuis e boné encarnado, da Fazenda Mondesir, foi autêntica viagem no tempo. Tempos inesquecíveis. Tempos de Janus II, craque argentino ganhador do Grande Prêmio Brasil, de 1976, de Sunset, vencedor da mesma prova em 1978, de Bretagne, de Cisplatine, ambas ganhadoras do Grande Prêmio São Paulo nos anos 80. Tempos em que a simples presença da farda do Mondesir no cânter de apresentação dos cavalos concorrentes a qualquer páreo representava alegria, emoção, magia, e paixão pelo turfe.
Pommery, apresentada em forma exuberante por Roberto Solanês, mostrou valentia, classe e futuro nas pistas. Derrotou um lote numeroso de bons potros. Machos de filiação régia e com esperanças por parte de seus proprietários e treinadores. Graciosa, bem proporcionada e elegante, Pommery atropelou com a força e o carisma da família Peixoto de Castro para encantar os turfistas e fãs da coudelaria. Foi uma tarde especial. Aquelas viagens no tempo que faz a gente agradecer a Deus por ser turfista. Por ter memória. E por ter vivido um turfe de primeira grandeza que tenta fugir de nossas mãos. Mas, as vitórias de fardas como a do Mondesir de Pommery resgatam em nossas almas a esperança de dias melhores. A certeza de dias melhores. E eles estão por vir. Eu juro para vocês. Podem apostar as suas fichas na afirmação deste velho e experiente repórter.
por Paulo Gama |