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Julho | 2015

Handicap Automático vem aí com dúvidas e adaptações
21/07/2015 - 10h43min

O projeto de inscrições para os dias 31 de julho, 1, 2 e 3 de agosto será o último no modelo antigo, ou seja, por idade, sexo e número de vitórias. A partir dos dias 7, 8, 9 e 10 de agosto, entram em campo os handicaps automáticos. São chamadas para distâncias e raias diferentes, sempre para animais de três anos e mais idade nos mesmos páreos. O handicap automático, inspirado no modelo chileno, tem suscitado muitas dúvidas entre os treinadores, responsáveis pelas inscrições, e também aos proprietários, que ainda não tem convicção absoluta se a novidade será benéfica ou não, de acordo com o puro–sangue de possuem.

Foram realizadas diversas reuniões entre os profissionais de turfe e a diretoria do Jockey Club para esclarecer as dúvidas. Mas as próprias perguntas feitas pelos treinadores, em alguns casos, encontraram dificuldade de respostas por parte dos idealizadores do handicap automático. Vale registrar, entretanto, que algumas modificações do modelo original já foram aceitas por parte dos dirigentes. Entre elas, não alteração do peso dos cavalos de acordo com a vantagem de suas vitórias, ou seja, mais ou menos peso na próxima atuação de acordo com o número de corpos do triunfo. Outra modificação positiva no modelo chileno será a tentativa, sempre que possível, de separar os cavalos das éguas nos páreos formados.

O handicap automático foi utilizado como experiência na Argentina, no Hipódromo de San Isidro, mas depois de algum tempo não vingou. No modelo chileno, a estrutura do turfe local favorece. Mas esta estrutura, no aspecto cultural e funcional, é bem diferente da nossa. Em primeiro lugar, no Chile, os cavalos ficam alojados nos hipódromos, diferente daqui, em que a maioria esta nos centros de treinamento, o que não permite repiques de inscrições exageradas. Além disso, é bom lembrar a diversidade de situação econômica entre os dois países. Os prêmios nos prados chilenos estão bem próximos daqueles que são pagos na Argentina. Um páreo de três anos aqui não chega a R$ 10 mil. Nos países coirmãos estão perto dos R$ 40 mil.

Como já escrevi recentemente, no turfe chileno os proprietários recebem uma taxa para inscrever os seus cavalos. Isto motiva e facilita a formação dos handicaps. Aqui no Brasil é o contrário. A inscrição é paga pelos donos dos cavalos e a taxa de montaria também. No Chile, o forfait é livre, enquanto aqui, ou o proprietário corre o seu animal ou é debitado na conta prêmio se fizer forfait. O critério de pontuação dos puros–sangues alojados na Gávea e nos centros de treinamento me pareceu bem subjetivo depois de ter dado uma olhada na relação dos puros–sangues e nas suas respectivas pontuações. Este fator vai ser motivo de constante polêmica.

É preciso registrar que o Jockey Club Brasileiro tem tido boa vontade na implantação deste novo sistema de chamadas dos páreos. Tem tentado debater sempre os prós e os contra. Mas o modelo dos handicaps me parece complexo. As regras causam dúvidas nos treinadores e insegurança nos proprietários. Além disso, as diferenças entre o Chile, país inspirador dos handicaps, e o turfe brasileiro é abissal.

Este fato proporciona adaptações indispensáveis na implantação. Enfim, a nossa torcida e a de todos é para que tudo funcione. Mas, num momento de crise  como o atual, em que os hipódromos da Serra Verde, em Minas, do Tarumã, no Paraná e o Linneo de Paula Machado, em Campos, estão fechados, talvez aumentar os prêmios para tirar do sufoco proprietários e profissionais de turfe fosse mais urgente. E para que isso fosse possível, seria necessário realizar um mutirão para colocar a atividade na mídia e nos meios de comunicação de massa.

Talvez um modelo de administração parecido com aquele que foi feito no turfe gaúcho, por José Vecchio Filho, no Jockey Club do Rio Grande do Sul, surtisse mais efeito no dia a dia do turfe do que os handicaps. Do fundo do coração, os handicaps me parecem um tipo de sarna que os dirigentes cariocas estão procurando para se coçar. Afinal, nas últimas semanas foram formados excelentes programas sem qualquer ajuda dos handicaps. Não consigo ver tanta necessidade de mudar o modelo das chamadas atual. As maiores necessidades do turfe são: recuperar espaço na mídia, aumentar os prêmios dos páreos e rejuvenescer os amantes do esporte. Nos últimos anos, infelizmente, temos perdido um número gigantesco de turfistas. E não temos qualquer perspectiva de encontrar peças de reposição.

por Paulo Gama



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