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Março | 2015

Quando o Jockey Club de São Paulo não se parece com a Facamp
20/03/2015 - 11h10min

Uma das instituições de ensino superior de maior prestígio do Estado de São Paulo, a Faculdade de Campinas (Facamp) está localizada no distrito de Barão Geraldo, na cidade universitária campineira, onde também nasceu a internacionalmente conhecida Unicamp. Com cursos nas áreas de engenharia, administração, economia, propaganda & marketing e relações internacionais, também oferece pós–graduação em nível de Master of Business Administration (MBA), orgulhando–se de possuir em seus quadros uma “direção competente, com mais de 90% de professores mestres ou doutores”.

Em seu site oficial, a Facamp destaca o desenvolvimento das qualidades pessoais de seus alunos como: capacidade de pensar e resolver problemas; liderança, iniciativa e aptidão para o trabalho em grupo; capacidade de continuar aprendendo sempre. Destaca também a prática profissional dentro da escola, como: teoria e prática associadas na sala de aula; discussão de problemas concretos e suas soluções; núcleos de prática profissional avançada.

A Facamp tem entre seus quatro fundadores os professores João Manuel Cardoso de Mello (seu atual diretor), Liana Aureliano, Luiz Gonzaga Belluzzo e o empresário Eduardo da Rocha Azevedo, atual presidente do Jockey Club de São Paulo, eleito em seu primeiro mandato, no início de 2011, com a plataforma de fazer uma “gestão de turfe” na centenária instituição paulista. Isso significaria, por assim dizer, elevar os patamares do turfe àqueles índices experimentados nos anos de ouro das décadas de 1940 a 1980.

Atravessando hoje a maior crise da história de seus 140 anos, completados no último dia 14 de março sem ter muito o que comemorar, o Jockey Club afunda em meio à estabanada política de pagamento de sua dívida tributária. Pagar impostos é obrigação de todo cidadão e instituição, disso ninguém duvida. Mas por que o presidente elaborou e implantou essa política de forma açodada, para pagar tudo praticamente de uma só vez, o que está levando a entidade à bancarrota financeira? Além dessa questão, a crise tem outros ingredientes igualmente graves: os prêmios estão retidos pela terceira vez em quatro anos, com uma débil promessa do seu gestor, feita a interlocutores próximos, de pagar tudo no próximo dia 1º de abril... Os salários dos funcionários vêm atrasando repetidamente, assim como o pagamento de fornecedores, que vão se afastando da mesma forma que bares e restaurantes concessionários. E o patrimônio do clube está sendo dilapidado, com a venda da Sede da Boa Vista e a entrega da Chácara do Ferreira sem nenhuma contrapartida para o JCSP.

Com uma gestão temerária, que põe claramente em risco o presente e o futuro do clube, o presidente Eduardo da Rocha Azevedo e seu superintendente Horário Mendonça poderiam relembrar os tempos em que trabalharam na Bolsa de Valores de São Paulo e dar um belo exemplo, isto é, dar satisfações do que fazem na administração do clube – como fazem aquelas empresas listadas na Bolsa perante seus acionistas.

Como acionista que é da faculdade, o presidente do Jockey poderia aproveitar o excelente grupo disponível tanto no corpo docente quanto no corpo discente de sua Facamp para convocar um trabalho voluntário nas áreas de finanças, administração, direito (tributário) e marketing, envolvendo esse formidável capital humano!

Caso não concordasse com a sugestão deste editorial, em convocar forças extras para enfrentar a grave crise atual da instituição que dirige, caberia finalizar o raciocínio com a seguinte pergunta ao presidente do JCSP:

– O ensinamento de ética, gestão, planejamento, marketing e relacionamento institucional da Facamp é o mesmo aplicado na administração do Jockey Club?  Sua gestão seria aprovada seguindo os princípios desta e de outras conceituadas faculdades?

Transcrito do site APFT



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