Aos 53 anos, Jorge Antônio Ricardo é o jóquei brasileiro com maior número de vitórias em todos os tempos. Mas os seus 12.389 triunfos, em 39 anos de carreira, ainda não são o suficiente para desbancar o canadense Russel Base, de 56 anos, no ranking mundial de jóqueis. Com 12.508 vitórias, Base administra bem a vantagem de 119 pontos sobre o campeão brasileiro. Ele já foi surpreendido por Ricardinho duas vezes quando não tinha consciência da força de vontade e do talento do nosso campeão. Mas depois de vir ao Brasil para participar do confronto com ele no Hipódromo do Cristal parece estar precavido com relação ao rival brasileiro.
Em 2.015, Base tem encontrado mais dificuldades do que de hábito no Hipódromo de Golden Gate, na Califórnia. Surgiram alguns novos valores e as corridas tem demonstrado certo equilíbrio. Apenas quatro reuniões semanais são realizadas, a maioria de oito páreos, com no máximo sete a oito competidores, em cada um. O canadense monta sempre o favorito, a segunda ou a terceira força. Já ganhou mais de 60 páreos na temporada, enquanto Ricardinho só chegou aos 40 triunfos esta semana.
Russel Base monta de quinta–feira a domingo em Golden Gate e depois tem três dias para descansar. Ricardo monta diariamente em Buenos Aires, em San Isidro e Palermo, com intervalos em que vai até La Plata, participar dos páreos de lá. Precisa trabalhar nos dois hipódromos de Buenos Aires, numa batida de 5h até 10h da manhã. Numa reunião como a de hoje à tarde, em San Isidro, por exemplo, para se ter uma ideia exata do equilíbrio entre as montarias, Ricardinho monta apenas em seis provas dos 16 páreos programados. O piloto vai conduzir Dolce Toscana, no primeiro páreo, Choquequirao, no quinto, informal Play, no sexto, Traigo Surte, no oitavo, Bella Leonor, no 13º e Rufaro, no 14º.
Mas não é apenas Ricardinho que não conta com moleza. Altair Domingos, segundo colocado do ranking, possui apenas quatro montarias. Francisco Leandro, o líder da estatística, monta em nove provas e fica de fora de sete. E o uruguaio Pablo Falero, uma lenda do turfe local, vai conduzir 10 puros–sangues e ficar de fora em seis carreiras da programação. Por outro lado, os prêmios no turfe argentino são muito bons. A situação do turfe não tem nada a ver com os problemas econômicos que atravessa o país. San Isidro voltou a pagar os prêmios normalmente e tem recebido subsídios do governo. Palermo possui as máquinas de caça–níqueis. São mais de 3.000 em atividade debaixo das tribunas durante 24 horas ininterruptas. E La Plata tem apresentado dotações generosas e páreos lotados de puros–sangues. As estrelas das rédeas, que antes evitavam montar no centenário hipódromo de lá, agora aparecem com surpreendente frequência.
Por isso, fica difícil para Jorge Ricardo trocar o fabuloso e lucrativo turfe argentino pelo claudicante e incerto turfe brasileiro. Ainda mais agora, que no Hipódromo da Gávea só são realizados 30 páreos por semana. Em Buenos Aires, com toda competitividade, em apenas dois dias se realizam quase 40. Ou seja, em sete dias de corridas, Ricardinho monta muito mais cavalos e concorre a comissões maiores. Sem falar do generoso salário do Stud Rubio B, o dono das maquininhas de Palermo.
por Paulo Gama