Ao meio dia de ontem, a criação nacional perdeu o craque Voando Baixo. O descendente da maravilhosa Risota encantou os turfistas nas pistas e deixou importantes elementos através de seus descendentes, ganhando inclusive um grande prêmio em Dubai através de seu filho Imperialista.
O Raia Leve recebeu o emocionante texto do criador Gilberto Gama (Haras São José do Bom Retiro) intitulado “Um craque do Coração” e não pode deixar de reproduzi–lo para homenagear este excelente PSI que foi Voando Baixo.
Estas reações nos fazem lembrar porque o turfe é um esporte tão apaixonante.
UM CRAQUE DO CORAÇÃO
Hoje ao meio dia recebi a noticia do Alex (veterinário e gerente do Haras Fronteira) que o meu craque das pistas e do coração Voando Baixo havia acabado de morrer . Tinha 20 anos e teve um provável ataque do coração quando cobria uma égua, o que fazia com grande competência e sem nenhum problema apesar dos 20 anos.
“Seu Voando” como era chamado “com reverência” por meus amigos Quintella e Zé Carlos Fragoso ( Junior ) me proporcionou muitas coisas maravilhosas . A primeira foi ter estreitado definitivamente minha amizade com a família Pacheco Borges através do eterno Oscar e dos seu filhos Brenno e Oscarzinho pois os mesmos eram sócios do cavalo até a primeira vitória de um Grande Premio . A segunda por ter dado o prazer de ganhar a primeira prova de Grupo (GP Buarque de Macedo) na primeira vez que participava de uma prova graduada e depois dele de ter ganho a fama de não fazer a curva (Thiago Josué Pereira que o diga quando com coragem não se jogou do cavalo numa prova que ele abriu tanto que sumiu dos olhos ). Me deu o prazer de ganhar por 8 corpos com direito a recorde o GP Gervásio Seabra com J. Leme e me proporcionar o privilégio ao ganhar esse grande Premio (depois ganharia de novo com Baby Speedy ) de receber das mãos do Roberto Seabra a Taça do GP em homenagem a seu pai.
Depois a grande festa ao ganhar a milha Internacional em S Paulo após ter tê–la perdido nos últimos metros por meio corpo para Links of Glory no ano anterior. Daquela vez ganhou facilmente por três corpos com meu amigo Carlos Giovani Lavor trazendo a mais bonita taça que tenho em casa.
Voando Baixo era um milheiro típico que corria na frente com galões largos e acelerava na curva ... Muita perna e atitude de cavalo diferenciado. Um lindo puro sangue inglês.
Tive o prazer de tê–lo no meu Haras por duas temporadas longas pois por duas vezes teve fissura na canela e perdeu um bom tempo de campanha . Mesmo assim correu 15 provas de grupo, se descolocando uma vez somente (quando era favorito no GP Presidente da Republica na Gávea ) e que seria sua penúltima apresentação antes de seguir para reprodução.
Lembro aqui alguns admiradores do cavalo como Roberto Nahid (que conseguiu domá–lo), Taranto, Cosminho que o treinou desde o início, Flavio Carneiro seu veterinário, seus cavalariços e redeadores e, pessoas que o admiravam como Lineuzinho, Eduardo Guimarães, Renato Gameiro, Orlando Lima e Oswaldinho Maciel (seu criador), Walter Flores, grandes conhecedores de animais “diferenciados”, que, além do craque das pistas, enxergavam a postura imponente e a classe (uma cabeça linda) de um dos mais bonitos garanhões alojados em Bagé.
Agradeço a dedicação de todos durante a campanha do Voando Baixo e depois como garanhão que foi no Haras Espantoso, no Di Cellius e por mais tempo no Haras Fronteira do nosso querido e inesquecível Mariozinho Moglia, hoje tão bem representado pelo seu filho Mano e sua família.
Alex, obrigado pelo carinho e, se não me emocionei quando você ligou para dar a difícil “notícia”, pode ter certeza que foi só para te fazer sentir melhor... O Voando Baixo foi muito bem tratado no Fronteira e era nitidamente um cavalo feliz e adaptado a esse ambiente maravilhoso.
Meu único mérito nessa história MUITO BACANA, foi a de ter colocado nele o “inspiradíssimo” nome de VOANDO BAIXO. O resto ele fez por todos nós.
Muito obrigado “Seu Voando”!
Gilberto Gama
Da Redação