Por duas vezes, Jorge Antônio Ricardo inscreveu o seu nome na história da maior prova do turfe brasileiro. E dois excepcionais corredores lhe proporcionaram essa honra: Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, e Much Better, do Stud TNT. Ricardinho nunca escondeu de ninguém que considera Much Better, ganhador em 1994, o melhor puro–sangue que teve a oportunidade de montar. Mas reconhece, também, que Falcon Jet, em 1992, quebrou um tabu que já o incomodava, o fato de nunca ter ganhado o Grande Prêmio Brasil. Por isso, admite que as circunstâncias foram bem mais dramáticas e que o páreo acabou sendo inesquecível na sua trajetória profissional.
“Havia enorme pressão dos fãs. Afinal, já havia conquistado várias estatísticas e outros páreos importantes do calendário clássico. Mas nada de levar a melhor no Grande Prêmio Brasil. Além disso, tinha aquela rivalidade com o Juvenal. Ele tinha cinco triunfos na prova e eu continuava encabulado. Outro fator a ser considerado era o duelo permanente entre Falcon Jet e Flying Finn, os dois maiores craques da época. Aquela vitória, nos metros finais, numa raia encharcada, lavou a minha alma e de todos os meus fãs. Por isso, não dá para negar que esse foi o páreo inesquecível da minha vida”.
Ricardinho conta que o triunfo de Much Better foi consagrador e acabou de vez com a história de que ele tremia nos páreos importantes. O craque do TNT fez temporada magnífica e além do próprio GP Brasil ganhou também o GP São Paulo, o GP Latino–Americano e o GP Carlos Pellegrini no mesmo ano. “O treinador João Maciel era fantástico. Depois que comecei a montar sistematicamente para ele, colecionei todos os páreos mais importantes da América do Sul”, conta.
No próximo domingo, no dorso de Hendrix, do Haras Nacional, Ricardo pode chegar ao tricampeonato da prova. Confiante, ele vem da Argentina com o objetivo de viver pela terceira vez a emoção de ganhar a maior prova do turfe nacional. “O páreo é difícil, pois no campo está um cavalo espetacular, o Bal A Bali. É sempre complicado derrotar um animal de exceção. Mas meu conduzido já chegou perto dele duas vezes e, quem sabe, não tem melhor sorte agora?”, sonha.
Montar para o público brasileiro é sempre uma honra, segundo o piloto. Nas mais de 12 mil vitórias que possui, ressalta sempre que a maioria foi conquistada na Gávea, um palco que lhe é íntimo e do qual conhece todos os atalhos para chegar às vitórias. “Tenho imensa alegria de participar novamente da festa, pois é mais uma oportunidade para ficar mais perto de tanta gente importante na minha carreira. Pessoas que fazem parte de alguns dos melhores momentos da minha vida”, encerrou o campeão brasileiro emocionado.
por Paulo Gama