Paulistano da Moóca, palmeirense roxo, com voz inconfundível, ele foi apresentado ao turfe pelo pai. Aos 56 anos de idade, comanda sozinho as narrações de Cidade Jardim há oito e não esconde a preferência pelos páreos na pista de grama.
Apesar de ter criado um bordão que virou sua marca registrada, afirma que, quando um cavalo ganha de atropelada, sente mais emoção. Queria ser locutor de futebol, mas começou narrando corridas de trote. Participou de um concurso no Jockey Club de São Paulo e foi escolhido para integrar a equipe após a morte de Fuad Arida.
Vê o turfe com otimismo, de forma apaixonada. É representante comercial de uma confecção e já foi premiado três vezes pela Associação Fluminense de Jornalistas. Recentemente, recebeu homenagem do Jockey Club de São Paulo pelos 25 anos de carreira.
Vamos conhecer um pouco mais sobre Roberto Casella, de bandeira a bandeira, o melhor.
Casella, como aconteceu o primeiro contato com as corridas?
Meu pai gostava muito de fazer suas acumuladas, inicialmente no antigo hipódromo da Moóca, e depois em Cidade Jardim. Eu estava sempre torcendo com ele e fui me interessando cada vez mais pelo turfe. Foi uma coisa de pai para filho e mudou o rumo de minha vida, certamente.
E a decisão de ser locutor de turfe?
Na verdade, meu sonho era ser locutor de futebol e ficava imaginando o momento de narrar um gol do Verdão. É outra paixão que tenho além do turfe, o meu Palmeiras. Conheci o Gil Gomes e através dele comecei a freqüentar o mundo do rádio. Mas, aos poucos, diante das dificuldades, acabei desistindo da idéia. Nesta época, o Nilson Genovesi me convidou para irradiar corridas de trote, em Vila Guilherme, e de PSI, em São Vicente. Resolvi encarar o desafio e gostei da experiência. Foi minha estréia no rádio.
Seu início no Jockey Club de São Paulo, quando aconteceu?
Depois de um período no trote, desisti daquilo e passei uns tempos afastado. Em 1979, após a morte de Fuad Arida, o Jockey Club de São Paulo resolveu realizar um concurso para contratar novos locutores, mas queria pessoas sem experiência. Fiz o teste e fui escolhido pelo Caetano Liberatore. Então, passei a irradiar junto com o José Domingos Lancelotti.
E a emoção de trabalhar em Cidade Jardim?
Foi empolgante, sem dúvida, apesar das dificuldades. As cabines, que ficavam acima da Tribuna dos Profissionais, eram muito apertadas e, no início, os páreos no retão foram os mais difíceis. Com o tempo a gente se acostuma, mas quando vinha um cavalo por dentro e outro por fora, era de enlouquecer.
Há quanto tempo você é o único locutor em atividade no turfe paulista?
Olha, depois do Lancelotti veio o Nilsinho, que permaneceu alguns anos, mas depois que a atividade de leiloeiro passou a tomar muito do seu tempo, acabei ficando sozinho. Isso aconteceu em 1998 e já se vão oito anos. Não posso nem pensar em ficar doente, pois no momento não há reservas para a substituição. Sigo firme, graças a Deus, e estou dando conta. É uma alegria pra mim.
Você criou um bordão que virou sua marca registrada. Quando começou a usá–lo?
Na realidade, criei alguns bordões durante os meus 25 anos de carreira, mas o “de bandeira a bandeira, o melhor”, realmente, é o que ficou marcado. Comecei a utilizá–lo em 1998, quando um animal vencia de ponta a ponta. E faço questão de registrar que estou invicto, pois todos ganharam.
Por falar neste tipo de invencibilidade, você lembra de alguma mancada que tenha dado?
Uma só não, foram várias, mas tem uma que não me sai da memória. Durante a transmissão, faltando uns 100 metros para o disco, mandei em alto e bom som: “O público aplaude e delira com Brown Tiger, que vai para a foto da vitória”. Nos 50 metros finais, saindo não sei de onde, Oferu Bird voou baixo e dominou Brown Tiger em cima do disco. A única coisa que disse foi: “Mas o que é isso”?
Por outro lado, muitas provas devem tê–lo empolgado. Lembra de alguma em especial?
Para falar a verdade, sou do tipo que se emociona com freqüência. Um páreo de final brigado mexe muito comigo. Mas teve uma carreira, acho que preparatória, vencida pelo Juvenal Machado da Silva, que me acelerou o coração. Também não lembro o nome do cavalo, mas foi um final tão espetacular que eu vibrava no microfone.
Você já transmitiu muitos GPs São Paulo. Algum deles lhe marcou mais?
Um GP São Paulo que foi emocionante, sem dúvida, teve como ganhador o cavalo Cheikh, do Haras São José e Expedictus. Foi eletrizante aquele final e lembro que caprichei na transmissão.
Casella, além do turfe, você exerce alguma atividade?
Infelizmente, não dá para viver só com a profissão de locutor. Há mais ou menos uns 15 anos sou representante de uma confecção e trabalho quase que diariamente nisso. Quem sabe, um dia, vou poder me dedicar inteiramente ao turfe. Seria muito bom.
Recentemente você foi homenageado pelo Jockey Club de São Paulo, certo?
É verdade, pelos meus 25 anos de carreira e foi um momento marcante na minha vida. É sempre bom ser reconhecido por seu trabalho. Também já ganhei três prêmios como melhor locutor, oferecidos pela Associação Fluminense de Jornalistas, aí do Rio de Janeiro. Guardo com carinho os troféus.
Como você vê o turfe atual e o que espera para o futuro?
Vejo com otimismo e torço para que a luta dos dirigentes faça do turfe brasileiro um vencedor. Não apenas os grandes, mas espero que os clubes menores participem de uma integração nacional e o nosso esporte brilhe tanto quanto nossos cavalos, que a cada dia fazem mais sucesso no exterior.
E o Palmeiras?
Vem de três vitórias consecutivas e agora ninguém segura mais. Nada melhor que uma boa fase para encher de orgulho os torcedores do Verdão. E, ainda melhor, ver a lanterna nas mãos dos corintianos. Ninguém segura o Tite, que fez até o Edmundo jogar bola.
por Marco Aurélio Ribeiro