Enfim, é chegado o esperado dia. Logo mais, um belo lote de competidores dará corpo à 80ª edição do Grande Prêmio Brasil (Gr. I). Antes mesmo de os boxes se abrirem, há de se relevar todo o trabalho efetuado nos bastidores por gente que “não aparece para a torcida”. Sem essa gente, não seria possível acontecer a maior festa do turfe fluminense. Em se tratando de uma instituição do turfe nacional, o GP Brasil, ainda que sediado pelo Hipódromo da Gávea, atrai gente de todas as partes do país e até visitantes estrangeiros, muitos deles investidores atentos aos leilões da semana máxima. Logo, sem espaço ou razão para questões bairristas, brasileiros das mais diferentes localidades já adotaram essa corrida.
Porém, até mesmo por questão semântica, representantes de outros hipódromos acabam incorporando a figura do forasteiro. Forasteiro, muitas vezes, tal qual nos filmes de western norte–americanos, é aquele que chega como desconhecido na cidade e, ao sair, o faz reverenciado – ou temido – por todos. Entretanto, desde o seu primeiro passo nas cercanias da cidade, o destemido caubói já é notado – e reparado – por toda a população.
O que se vê no GP Brasil deste ano é, justamente, essa última possibilidade de situação. Treinado em São Paulo, o castanho Dídimo chega à Gávea preparado para uma grande exibição e, provavelmente, terá as honras de favorito. Recente ganhador do GP ABCPCC – Matias Machline (Gr. I), em Cidade Jardim, Dídimo chamava atenção desde a acidentada exibição no GP São Paulo (Gr. I), onde a vitória só lhe escapou em razão de um tiro direto pra lá de conturbado.
Treinado pelo jovem Lucas Quintana, Dídimo será conduzido por Ângelo Márcio Souza, ambos buscando a primeira glória na prova máxima do turfe nacional. O mesmo vale para suas conexões, no caso o Stud Ceprano (seria a mais bela homenagem póstuma a Umberto Ottaviani, titular da farda, falecido em 2011) e o Stud Eternamente Rio, respectivos proprietário e criador do corredor.
Tendo apenas sete saídas e três vitórias, Dídimo tentará levar o quarto “Brasil” – dos últimos dez anos – para São Paulo. E, no mesmo diapasão, poderá o filho de Nedawi fazer a Gávea se transformar em Recreio dos Bandeirantes.
por Victor Corrêa