Naturalmente, o Grande Prêmio Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (Gr. I), desde a época que ainda atendia pelo nome de “Osaf”, é um dos mais aguardados. Além de toda a expectativa, fundada no aspecto técnico da competição, há uma boa dose de folclore, que transforma a versão 2012 desta corrida, marcada para a tarde de hoje, na Gávea, em algo muito especial.
No ano de 1994, após o despontar da líder Chaika, Claire Loraine e Careless Queeen passaram a ocupar posição de destaque entre as fêmeas, no Hipódromo da Gávea. Contudo, finalizadas as disputas da Tríplice Coroa, surgiu mais um nome para decidir a liderança feminina das nascidas em 1990. Luzette venceu o Grupo I da Taça de Ouro, em exibição formidável, sob a firme batuta de Juvenal. E a defensora do Haras Santa Ana do Rio Grande derrotou, justamente a parelha do Haras Santa Maria de Araras, composta por Claire Loraine e Careless Queen.
Luzette que, ao lado de Palemon, foi a melhor representante do cultuado Youth em nossas pistas, colocava em xeque a hegemonia das duas filhas de Present The Colors. E, com a confirmação da inscrição de Country Baby (que havia enfrentado e vencido os machos no Derby) nos 2.400 metros do GP Brasil (Gr. I), o GP OSAF (Gr. I) de 1994 apresentava um inconfundível caráter de tira–teima entre Luzette e a parelha Claire Loraine e Careless Queen, num choque entre as coudelarias líderes no Jockey Club Brasileiro àquela época.
Em corrida memorável, Juvenal, com sua tocada inconfundível, voltou a fazer com que Luzette resistisse às investidas de Careless Queen, que tinha no dorso o não menos brilhante Carlos Lavor. Juvenal ainda foi ousado, pois nos 50 finais ficou de pé nos estribos comemorando o novo êxito de sua conduzida, ainda que a diferença para Careless Queen fosse diminuta.
Passaram–se quase 20 anos e o que vemos em 2012 é a possibilidade de um “remake” do duelo. Ainda que mudem os treinadores, os jóqueis e as fêmeas em questão, o “Brasil das Éguas”, deste sábado põe, frente a frente, as duas fardas – representadas pelas duas forças da competição. De um lado, Jet Queen, que tenta repetir o sucesso de Luzette para o “Santa Ana”; do outro, Vanua Levu, encarregada de vingar a derrotada Careless Queen de 1994. A primeira, venceu facilmente a preparatória na Gávea, enquanto sua oponente levava a melhor na corrida correspondente, em Cidade Jardim.
Jet Queen busca, da mesma forma que Vanua Levu, o quarto êxito na campanha. Enquanto pelo lado de Jet Queen o treinador é o jovem “Beto” Solanés, já batizado no histórico do páreo (ganhou com Tanta Honra em 2009), na defesa de Vanua Levu quem ostenta essa condição é o piloto Vagner Leal, que venceu esse páreo no ano passado, com Renânia.
Fica, portanto, o registro de um “plus” em termos de chamariz para o confronto das fêmeas. O páreo, que por si só já seria uma grande atração, ganha maiores contornos de destaque ao remeter à memória dos turfistas um embate histórico, nos últimos suspiros dos áureos tempos do turfe brasileiro.
por Victor Corrêa