Agitação no Hipódromo da Gávea. Mas não se trata de um dia de corridas. A expectativa é pela divulgação da lista de pré–inscritos nas provas de Grupo I da semana máxima do turfe nacional. Até quem estava fora do Rio de Janeiro buscava,
insistentemente, eventuais informações nos sites especializados.
Com a lista divulgada, olhos ansiosos procuram o campo do 80º GP Brasil, mas num breve descuido se deparam com 19 pré–inscritos. Só que se trata de outro páreo: o quilômetro do Grande Prêmio Major Suckow, que aparecia como o de campo mais numeroso entre os embates internacionais da semana. É bem verdade que apenas 14 confirmaram o added, o que deixou a “Milha Internacional” como a prova de maior campo deste ano. Porém, nem essas cinco deserções diminuem a atração pelo “Suckow”, nem afastam uma importante constatação.
A situação de gerência e de popularidade do turfe brasileiro preocupa há muito tempo e, como falta renovação, chega a colocar em xeque o futuro da atividade no País. A relação custo/benefício entre o preço do trato mensal e dos prêmios foi se tornando, ao longo dos anos, notoriamente desproporcional no Brasil. Com isso, muitas coudelarias encerraram a atividade. Só a partir do final da década de 90 o turfe brasileiro começou a descobrir seu potencial de exportador, o que foi visto, por muitos proprietários, como a sua “salvação” dentro do esporte.
No princípio, investimentos estrangeiros tinham por alvo nossos fundistas e os cavalos mais maduros e destacados do turfe nacional. Com o passar do tempo, as compras foram acontecendo cada vez mais cedo e nossos líderes de geração começaram a fazer as malas antes mesmo dos 3 anos completos. Do mesmo modo, o setor da cancha reta, sem dúvida o mais saudável e consistente do turfe brasileiro, em termos administrativos e financeiros, passou a ganhar um espaço e uma importância, cada vez maiores.
O raciocínio nos leva à teoria do economista liberal Adam Smith, que diz que “o mercado possui poder de autorregulação” e não tardou a acontecer a resposta de âmbito comercial. Todo o apego de outrora a animais tardios e com perspectivas em provas clássicas acima dos 2.000 metros, começou a perder espaço em meio à tendência do animal precoce. E, numa lógica adequação ao mercado, criadores nacionais passaram a dar mais atenção aos produtores de precocidade.
Como consequência, a velocidade ganhou força e sofisticação. Exemplo concreto é que nossos criadores, em menos de três anos, tiveram a oportunidade de colocar seus planteis em contato com dois ganhadores diferentes da Breeders’ Cup Sprint (Gr. I), o mais rigoroso teste para sprinters de todo o mundo. A partir daí, o Brasil começa a galgar possibilidades no segmento velocidade, frente à especialista Argentina, por exemplo. Percebam que é tamanha a força – e a tradição – de nossos “hermanos” neste tipo de competição, que três dos principais candidatos à vitória no “Suckow 2012” foram criados lá.
Assim, a perspectiva é de que, num futuro próximo, os campos das provas destinadas aos velocistas, nos principais festivais do turfe brasileiro, se tornem cada vez mais numerosos e com animais cada vez melhores. No caso específico dessa semana, a ausência de Desejado Thunder e Berlino di Tiger foi um incentivo a mais para as inscrições no Suckow. O páreo também apresenta uma grande quantidade de corredores treinados no eixo São Paulo–Curitiba, mas desde 1998 a vitória no Suckow ficou com representantes do turfe carioca. E este ano, conseguirão os forasteiros derrubar essa escrita? A resposta virá em pouco mais de 50 segundos.
por Victor Corrêa