Depois de um longo período de seca em Delmiro Gouvêa, interior de Alagoas, a chuva tem sido generosa para a lavoura nos últimos 30 dias. Juvenal Machado da Silva, 58 anos, jóquei recordista de vitórias no Grande Prêmio Brasil, fala com alegria e esperança de dias melhores em sua fazenda. “O gado estava muito magro, mas já se recuperou. E com a safra de milho e feijão a todo vapor, os problemas do fazendeiro ficam bem menores. Com o milho, o gado fica alimentado e o feijão garante o sustendo das muitas bocas que existem por aqui. O resto é lucro. A terra é generosa e com a chuva ela dá de tudo um pouco”, brinca.
Triste ele admite estar por não poder participar da festa do Grande Prêmio Brasil. Hoje, há exatos 30 anos, no dia 1º de agosto de 1982, ele ganhava pela segunda vez o Grande Prêmio Brasil. O responsável pelo êxito foi o cavalo Gourmet, do Haras Ipiranga. Era o segundo capítulo de sua história na prova. O primeiro tinha sido escrito 1979, com Aporé, do Haras São José e Expedictus. Mas ainda viriam outras etapas eletrizantes, com Grimaldi, de Delmar Biazolli Martins, em 1986, com Bowling, do Haras Santa Ana do Rio Grande, em 1987, e com Flying Finn, do Stud Numy, em 1990. Cinco pedras preciosas lapidadas por ele e o seu incomparável talento para montar cavalos de corrida.
“A maior lembrança do páreo de Gourmet foi a pule. O cavalo era uma tremenda barbada e ainda pagou mais de cem. Eu o montei pela primeira vez em Cidade Jardim, na prova preparatória, e fui muito prejudicado. Mas ele ficou na conta para ganhar o Grande Prêmio Brasil. A emoção foi enorme nas cinco vitórias. Não sei dizer qual foi a maior. Talvez com Aporé, por ter sido a primeira. E a última, com Flying Finn, o cavalo que mais gostei na minha vida. Tanto que tenho um pôster dele na parede do meu quarto, em cima da minha cama”, conta.
Muita coisa mudou desde a vitória de Gourmet, há 30 anos. Juvenal lembra que só tinha dois filhos e agora tem cinco. Ainda estava no segundo casamento e hoje está casado pela quarta vez. Mas o que ele sente mais falta é dos amigos que se foram. “Perdi grandes amigos nos últimos anos. O massagista do Fluminense, Ximbica. O Pente Fino, motorista conhecido lá na Gávea. E, recentemente, o Ernani Pires Ferreira, um irmão talentoso, cuja voz transmitiu todas as coisas boas que fiz em minha carreira”, fala emocionado.
Juvenal acompanha, de vez em quando, os páreos da Gávea e de Cidade Jardim, pela internet. Ficou feliz com as primeiras vitórias do seu sobrinho, o aprendiz J. T. Silva, e espera que ele tenha sorte na profissão. Com relação ao páreo de domingo, admite não conhecer direito a força dos concorrentes, mas espera que Lavor ou Ricardo saiam vencedores. “O Lavor é como se fosse um filho. Eu o vi nascer, começar a montar e vencer. Torço sempre por ele. O Ricardinho é um cara especial e obstinado, com uma força de vontade que nenhum ser humano possui. Por isso, ele sempre merece conquistar coisas boas”, finaliza.
por Paulo Gama