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Julho | 2012

O Globo: Paixão que mistura disputa e glamour
29/07/2012 - 16h51min

Mônica Imbuzeiro / O Globo

O advogado Dagoberto Midosi, de 95 anos, frequentador assíduo do GP Brasil

GP Brasil faz 80 anos com menos público mas o charme de sempre

RIO — No próximo domingo, quando os cascos estiverem tinindo para a 80 edição do Grande Prêmio Brasil, o advogado Dagoberto Migosi, de 95 anos, também vai caprichar no traje para ir à prova de maior expressão do turfe nacional. Frequentador assíduo do Hipódromo da Gávea, ele só deixou de assistir a uma prova da competição do Jockey Club Brasileiro desde a primeira delas, em agosto de 1933. Com lugar cativo na tribuna de honra desde a época de maior glamour, com a presença da alta sociedade carioca, até o esvaziamento do público nos anos 2000, Dagoberto acompanha a história das corridas de cavalos. Desta vez não será diferente: o advogado voltará assistir o GP Brasil. A prova será disputada por 14 jóqueis nos 2.400 metros da pista.

— Infelizmente, a corrida de cavalos não é tão popular quanto antigamente. No primeiro GP Brasil, o Mossoró venceu. O povo invadiu a pista como se quisesse levantar o cavalo do chão. Hoje a televisão tirou muito público do turfe. Os jovens só querem saber de futebol — diz.

Os tempos de glória do Hipódromo da Gávea estão guardados na lembrança de Dagoberto. Ele conta que a grande competição foi frequentada por presidentes como Getúlio Vargas. E os convidados ilustres eram acompanhados por mulheres de chapéu e leque.

De todos os GPs realizados na Gávea, o recordista da prova é o jóquei Juvenal Machado da Silva, de 57 anos, que teve cinco vitórias (1979, 1982, 1986, 1987 e 1990). Aposentado há dez anos, ele mora no Nordeste, em Alagoas.

— O turfe carioca é fantástico. Já estive em outros hipódromos, mas o do Rio é o mais bonito — compara Dagoberto.

Para Juvenal, o GP Brasil que ele disputou em 1987, com o cavalo Bowling, foi o mais emocionante. Venceu o Grimaldi, montaria do jóquei Jorge Ricardo, o Ricardinho.

— Foram 200 metros de disputa de cabeça. Ganhei nos últimos dez metros — gaba-se.

A vitória de Bowling também é lembrada pelo treinador do cavalo, Alcides Morales, de 83 anos. Sua história com o turfe começou aos 8 anos: foi cavalariço, redeador e supervisor de cocheira. No GP Brasil, Alcides ganhou duas vezes.

— O cavalo é um amigo do treinador. É preciso ter bom tato, ser carinhoso e gostar do animal. Desde 1948, além dos dois GPs, tive 2.750 vitórias. Preparo os cavalos para ganharem — resume.

Treinador há 25 anos, Dulcino Guignoni, que já ganhou o GP Brasil quatro vezes (2000, 2001, 2002 e 2011), explica que a competição é o objetivo de muitos jóqueis, treinadores e proprietários:

— O GP Brasil é uma prova muito difícil. Não é qualquer cavalo que está preparado para ganhar. É igual a jogador da seleção brasileira.

Na disputa pelo troféu deste ano está o jóquei Carlos Lavor, de 42 anos, ao dorso de Cisne Branco. Empolgado, ele espera conquistar a sua quarta vitória (as outras foram nos anos de 1989, 1991 e 1993). Para o jóquei, o turfe também é uma tradição familiar:

— Há tradição também com os cavalos. Ao longo da carreira, já montei uma égua e seu potro.

Para este GP, o prêmio será de R$ 897 mil, diz Carlos Palermo, presidente do Jockey. A estimativa é que durante o evento — de sexta-feira a domingo — as apostas cheguem a R$ 6 milhões. Atualmente, o hipódromo tem dois mil cavalos e 60 jóqueis.

Transcrito do Jornal O Globo - Caderno Rio - 29/07/2012



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