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Abril | 2012

Entrevista com o treinador Felipe Nickel, que atualmente treina nos EUA
20/04/2012 - 09h46min

Arquivo Pessoal

Felipe e seu avô Pedro Nickel em Hollywood Park

O treinador Felipe Nickel, que brilhou no turfe paulista e está morando e trabalhando nos Estados Unidos desde o final do último ano, é o entrevistado de hoje do Raia Leve.

RL – Qual seu nome completo, idade e local de nascimento?

Felipe Nickel Xavier de Souza. Tenho 27 anos e nasci em São Paulo. Atualmente, moro em Los Angeles e estou treinando cavalos em Hollywood Park. Tenho matrícula de treinador nos Estados Unidos desde o final do último ano.

RL – Quando começou a treinar cavalos de corrida?

Tirei matricula em São Paulo quando tinha 21 anos, em setembro de 2007. Entretanto, já cuidava de cavalos desde 2002, aos 17 anos. Eram cavalos de propriedade de meu pai e corriam em nome de meu avô.

RL – Quem mais o influenciou na carreira?

Sem dúvida, meu avô Pedro Nickel, treinador que, quando esteve no auge da profissão, ganhou tudo, cuidou para proprietários dos mais importantes, tinha mais de 200 cavalos sob seus cuidados, mas jamais perdeu a humildade e a simplicidade.

RL – Qual é o treinador em quem você se espelha?

Atualmente, em meu tio Pedro Nickel Filho, que está em Campinas. Ele aprendeu tudo o que sabe com seu pai, Pedro Nickel, e tem muita experiência, inclusive internacional. Já atuou no Chile, na Argentina e em Dubai e conhece o cavalo profundamente.

RL – Qual melhor jóquei que você viu montar?

O primeiro jóquei que mais admirei foi Ivan Quintana. Sabia bater muito bem com ambas as mãos, tinha bom cálculo de corrida e uma postura perfeita sobre o cavalo. Depois dele, o João Moreira, que também tem todas as qualidades do Quintana.

RL – Qual é o seu maior sonho?

Meu maior sonho é ser um grande treinador nos Estados Unidos e conquistar, por aqui, o que minha família conquistou no Brasil. Para tanto, será fundamental o apoio dos proprietários brasileiros.

RL – Qual foi o melhor cavalo que você treinou?

Bubbly Jane, do Haras Interlagos. Ganhou as duas últimas provas da Tríplice Coroa paulista de éguas e depois veio para os Estados Unidos, onde ganhou dois stakes. Tanto seu pai quanto sua mãe também pertenciam ao proprietário, que também é o criador de Bubbly Jane. Isso foi algo muito especial para todos nós.

RL – Qual foi o melhor cavalo que já viu correr?

A égua Zenyatta ganhou tudo. Corria acomodada de início e “voava” no final. Era de arrepiar assistir sua chegada. Uma pena não ter permanecido invicta, pois perdeu a Breeder’s Cup americana, na última vez que correu.

RL – Como é o turfe americano?

O turfe, por aqui, é incomparável. Há muito dinheiro envolvido e é enorme o carinho e o cuidado com os cavalos. Para se ter ideia, na Califórnia, o prêmio para o primeiro colocado em páreo de 3 anos sem vitória é de, aproximadamente, 34 mil dólares, ou cerca de R$ 62 mil, em moeda brasileira. O simulcasting é algo inacreditável. São dezenas de hipódromos ao mesmo tempo, todos cumprindo rigorosamente o horário. É muito difícil um páreo atrasar. O país inteiro aposta. O movimento, em um dia comum em Santa Anita, gira em torno de 4 milhões de dólares.


O potro The Glory is Back que Felipe estreará daqui a 20 dias em Santa Anita

RL – Você possui algum cavalo brasileiro aos seus cuidados?

Ainda não. Estou com dois potros criados na Flórida e um cavalo de 4 anos, criado no Kentucky. Estou esperando uma oportunidade de brasileiros que tenham interesse em mandar cavalos para cá.

RL – Que recado mandaria aos leitores do Raia Leve?

Gostaria de mandar um grande abraço a todos os leitores e digo que estão abertas aos brasileiros as portas do turfe americano. Turfistas, leitores e proprietários podem entrar em contato comigo para saber notícia e conversar comigo. Meu e–mail é: nickelfelipe@hotmail.com

da Redação



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