A grande insatisfação dos sócios do Jockey Club Brasileiro já ultrapassou e muito os muros do clube. O jornalista Gabriel Mascarenhas, do Jornal O Globo, publicou hoje uma matéria na página 26 do caderno Rio, acerca do impeachment do Presidente Luis Eduardo da Costa Carvalho.
Veja a matéria na íntegra:
PRESIDENTE DO JOCKEY AMEAÇADO DE IMPEACHMENT
Presidente do Jockey ameaçado de impeachment devido a projeto de boulevard e empresa de apostas
Representado por um escritório de advocacia, um grupo de sócios do Jockey Club Brasileiro estará hoje das 17h às 21h no Hotel Pestana, em Copacabana, recolhendo assinaturas para a realização de uma assembleia geral extraordinária. O objetivo é votar o impeachment do presidente do clube, Luís Eduardo da Costa Carvalho, acusado de não dar transparência ao projeto de demolição da Vila Hípica para a construção de um empreendimento imobiliário e alvo de denúncias de irregularidades na contratação de uma empresa para a administração das apostas de corridas. O clube tem 5.500 sócios e, pelo estatuto, bastam 400 assinaturas para a realização da assembléia.
Dizendo-se hostilizado, Carvalho já contratou advogados para processar o bloco de oposicionistas que querem cassar seu mandato:
- Todas as acusações são falsas. Quanto ao projeto, fiz reuniões explicando detalhadamente o que pretendemos - defende-se ele.
Orçado em R$ 650 milhões e desenvolvido por duas grandes construtoras, o projeto do Jockey Club Boulevard provocou uma cisão no quadro social. A proposta prevê a construção de escritórios com vista para a Lagoa no lugar das casas e cocheiras da Vila Hípica. O Hospital Veterinário Octávio Dupont - única emergência da cidade para cirurgias em equinos - também seria demolido. O empreendimento inclui a construção de restaurantes, salão de convenções, 2.500 vagas subterrâneas, uma passarela de pedestres sobre a Avenida Borges de Medeiros e a derrubada do muro da Rua Jardim Botânico, além da modificação no traçado da reta dos mil metros da pista. O acordo consiste numa concessão de 50 anos aos empreendedores, e o Jockey ficaria com 12,5% da renda bruta.
Por trás da polêmica está uma disputa entre sócios turfistas e não turfistas. Os cerca de 850 cavalos que vivem no Jockey, além dos aproximadamente 70 profissionais do turfe e seus parentes que moram na Vila Hípica, seriam transferidos para centros de treinamentos na Região Serrana.
- Como se entrega a uma empresa esta oportunidade, sem abrir concorrência? Em cinco anos o projeto se paga, e nos outros 45 os empreendedores terão lucros bilionários. Os cavalos são a razão básica do clube. É um acordo em detrimento da nossa atividade primordial - protesta o sócio e empresário Antonio Carlos Moreira.
Para alguns criadores de cavalos, a extinção da Vila Hípica e suas cocheiras é vista como uma derrota irreparável para o turfe brasileiro. Na outra ponta da celeuma, os entusiastas do empreendimento defendem a tese de que os cavalos mais competitivos já trocaram o Jockey por centros de treinamentos particulares, na serra, onde obtêm maior rendimento. Neto do fundador do clube, o veterinário Lineu de Paula Machado considera a área obsoleta:
- Os cavalos que treinam na serra vencem sete em cada dez páreos e 90% das provas clássicas. Seria melhor ter feito uma concorrência, lá atrás? Talvez, mas esse projeto já foi divulgado na mídia e nenhuma outra empresa procurou o clube. Temos uma chance de criar receita e não podemos deixar um espaço tão valioso quase vazio, como está hoje.
- A falta de competência administrativa deixou a Vila Hípica como está, mas a solução não é privatizá-la, abrindo mão de patrimônio. Temos as pistas e a tribuna tombadas. Entregar a Vila é como manter um restaurante sem cozinha. Além disso, há animais que vivem ali. O turfe não se resume a animais de ponta - discorda o criador Luiz Fernando Dannemann.
por Gabriel Mascarenhas (Jornal O Globo)
Nota da Redação: Até o presente momento, o Presidente do JCB não apresentou a relação de documentos solicitados em notificação extra judicial formalizada por um grupo sócios. A relação dos documentos foi publicada no Raia Leve no dia 5 de Novembro, portanto, é totalmente equivocada a informação do Presidente do JCB de que explicou detalhadamente o Projeto Boulevard.