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Julho | 2009

O Capitão Bela, por Milton Lodi
30/07/2009 - 09h29min

O Capitão Bela Wodianer é uma das mais fascinantes figuras do turfe brasileiro em todos os tempos. Nasceu na Hungria, era de família nobre, e como era hábito na época, sempre um representante da nobreza familiar ia ser militar. Cursou a Cavalaria, e foi à época o mais destacado cavaleiro da Europa. Eram comuns os páreos em corridas rasas, de sebes e obstáculos para jóqueis amadores, e o Capitão em sua trajetória com os cavalos, venceu mais de 100 provas. Casou–se, teve um filho, ficou viúvo. Foi considerado um herói quando da I Grande Guerra Mundial (1914–1918), e ele me contou que dois episódios foram mais marcantes para ele. Um foi quando, após uma batalha, ele e seus companheiros vistoriavam os inimigos mortos, retirando armas, pertences que fossem úteis, e no bolso de um deles ele encontrou uma carta, escrita pelo jovem morto e estava pronta para ser enviada à mãe dele, dizendo que na semana seguinte iria de volta para casa, e com a consciência tranqüila e feliz por não ter tido que matar ninguém. Naquela época, com lutas corpo–a–corpo e com baionetas acopladas aos fuzis de então, eram lutas sangrentas. O Capitão ficou deprimido com a vida que fora tirada de um soldado inimigo, que por dentro da farda era um jovem bom e com saudades de casa. Outro episódio marcante foi quando ele teve que se retirar do campo de batalha que fora dominado pelas forças comunistas (bolchevistas, como ele dizia) e atravessara boa parte da Europa com 5 cavalos, montando alternadamente em cada um e puxando os outros quatro. Os seus bens foram confiscados pelos comunistas, e nunca mais ele pode entrar em seu país, sob pena de ser preso.

Veio então para o Brasil tentar a vida. O seu nome já atravessara as fronteiras, foi contratado para trabalhar em posto experimental de criação de eqüinos em Colina (SP). Era um homem muito bem educado (era um nobre), simples, agradável, de bom humor, e ninguém entendia mais do que ele quanto à criação e às corridas de cavalos. Casou–se uma segunda vez, teve uma filha. Os anos foram se passando, o seu prestígio crescendo, e chegou a um ponto de excelência. Os melhores criadores da época tinham–lhe enorme respeito, e eu ouvi do saudoso José Paulino Nogueira, do celeiro Haras Bela Esperança, que ele só respeitava dois nomes no turfe, o do criador Henrique de Toledo Lara (Haras Faxina, SP) pela sua orientação criacional, e o Capitão Wodianer, o homem que mais entendia de cavalos que ele conhecia. Quando o meu pai iniciou a sua criação, José Paulino Nogueira lhe disse que seguisse à risca as palavras do Capitão, mesmo que dele discordasse. O meu pai foi mais além, contratou o Capitão Bela, que já havia sido contratado pelo Jockey Club de São Paulo para a Comissão de Fomento.

Mas antes dessa fase, o Capitão levou a mulher e a filha para uma viagem à Europa, pois havia a possibilidade de que lhe fossem devolvidos os seus bens, aqueles confiscados pelos “bolchevistas”. Mas nova guerra explodiu, a II Grande Guerra Mundial (1939–1945), e foi em um restaurante em que estavam os três que, sob intenso bombardeio aéreo, uma bomba destruiu o restaurante, tendo o Capitão se salvado por ter colocado debaixo da mesa a filha, mas a tal bomba aérea deixou o Capitão viúvo mais uma vez.

Então trabalhando para o meu pai, independentemente de cumprir suas obrigações como funcionário da Comissão de Fomento do JCSP. Lá ele exercia múltiplas funções, ele veio em definitivo para o Brasil. Escrevia para o Boletim Mensal da Comissão de Fomento, com artigos técnicos que eram o destaque para os criadores paulistas. Em nome do Stud Book Paulista, que existia à época para suprir as deficiências do Brasileiro que era administrado no Rio de Janeiro pelo JCB, ia aos haras para resolver problemas, verificar anotações, identificar animais, dar assessoria técnica a quem solicitasse, sugerir garanhões, indicar éguas para a formação dos plantéis, estudar cruzas, e tudo o que fosse necessário e solicitado, pois era como maior conhecedor que todos queriam. Anualmente o JCSP promovia uma exposição de potros no princípio do 2° semestre já completados 2 anos hípicos, e antes da fase de doma eram preparados para a exposição, que antecedia naturalmente os leilões de setembro/outubro. O JCSP costumava convidar a cada ano juízes de prestígio nacional e/ou internacional, que iam a São Paulo fazer as seleções e escolhas, além da promoção de palestras quanto a critérios sobre as conformações. O Capitão era sempre o assessor, ajudava no serviço e seleção. Foi discretamente comentado, certo ano, que na primeira verificação geral, quando a maior parte da potrada era eliminada, o caso de uma potranca alazão, que fora eliminada. Quando da segunda ou terceira vistoria, o Capitão mandou por conta própria que se apresentasse entre as 10 fêmeas finalistas a tal alazão, que ele achava linda e perfeita. Na seleção final, o juiz único deu à potranca o 5° lugar, deu a uma potranca por ele inicialmente eliminada uma ótima e honrosa classificação. O Capitão sabia mais do que todos.

À noite de sábado, dia 28 de maio de 1960, quando cheguei ao meu hotel em Buenos Aires, encontrei na portaria uma carta. Era um austríaco que me oferecia um garanhão do qual ele tinha procuração para vender. Tratava–se de um cavalo alemão ganhador do Derby austríaco, que estava na Hungria, que fraturara um pé, e que fora condenado ao sacrifício pelo proprietário, mas que acabou sendo dado ao próprio veterinário. O cavalo ficou um ano deitado para não poder colocar o posterior no chão, e com a consolidação do pé passou a cobrir umas poucas éguas em vendas de coberturas. O tal procurador era amigo do veterinário, e me procurou por ter–se encantado pela vitória da minha Elizabeth à tarde em Palermo. De volta ao Brasil, coloquei o Capitão em contato com o procurador, que morava em Capitán Sarmiento, na Argentina, e tudo acertado inclusive preço, o Capitão foi para Viena, na Áustria, pois ele ainda não podia entrar na Hungria, onde estava o cavalo. Lá chegando, o proprietário enviou o cavalo por trem, e em Viena foi examinado e aprovado pelo Capitão. O cavalo veio de navio, um pequeno cargueiro, saiu do porto de Hamburgo, norte da Alemanha, e entre duas e três semanas desembarcou no porto do Rio de Janeiro.

A viagem não foi de todo tranqüila, pois uma violenta tempestade, com fortes ventos e mar bravio e encapelado, impedido durante mais de um dia e uma noite que os marinheiros se locomovessem pelo navio, e o cavalo estava em um improvisado e pequeno box de madeira amarrado no convés. Quando possível, o Capitão foi ver o cavalo, temendo por machucados e problemas. Encontrou–o bem, tranqüilo, pois ele inteligentemente ficara deitado esperando a tempestade passar. Uma semana depois Takt já estava alojado no Haras Ipiranga, em Jaguariúna (SP). Takt foi aprovado como garanhão clássico, inclusive de ganhador do GP São Paulo.

Outro detalhe que mostra a sabedoria do Capitão Bela Wodianer ocorreu quando José (Juca) Homem de Mello, então diretor da Comissão de Fomento do JCSP, entregou ao Capitão uma relação de reprodutores franceses que estavam à venda, dentre eles Coaraze, que apesar de uma campanha altamente meritória nas pistas e de notável pedigree, estava sendo oferecido porque na sua primeira geração haviam ocorrido seis casos gemelares. O Capitão de imediato não só aconselhou a compra como insistiu para uma rápida resposta, e quando o Juca Homem de Mello falou dos casos de gêmeos, veio uma explicação simples, o macho não é o responsável por essa indesejada ocorrência, é de exclusiva responsabilidade da égua, no caso das éguas. Foi esse detalhe que, instigado pelo Capitão Bela, que teve como conseqüência uma das melhores e mais importantes importações para a criação brasileira.

A educação e a boa vontade do Capitão em atender a todos, em função do seu bom humor, chegava até a situações inusitadas. Em um dia de corridas, domingo, uma gentil senhora tomou muito do tempo dele, contando as mazelas de um cavalo dela, que só chegava último. Tinha problemas de joelhos, tendões, boletos, tinha mau gênio, e ela queria insistentemente que o Capitão fosse à cocheira ver o tal cavalo. Ele, para não ser grosseiro, respondia com evasivas, até o momento em que a gentil senhora perguntou “Capitão, se fosse na Europa o que iriam fazer com o cavalo dela?”, e a resposta foi direta, “matar”. Em outra ocasião, outra gentil senhora insistia em uma sugestão para resolver um problema que ela dizia estar aparentemente incontornável. Não adiantava o Capitão dizer e repetir que ele não era veterinário, ele procurava não desiludir o amor que a senhora mostrava pelo seu cavalo. A solução que ele encontrou foi não responder nada, ficar mudo. A senhora perguntou em português, depois em francês, inglês e alemão. O
Capitão então respondeu “Desculpe–me, mas eu sou surdo em todas as línguas”.

O Capitão Bela Wodianer deixou viúva a sua terceira mulher, com quem não teve filhos.

Foi um nobre, exímio cavaleiro, profundo conhecedor dos cavalos, saiu da I Grande Guerra Mundial com um estilhaço de granada que lhe dilacerou uma coxa deixando uma profunda cicatriz, e como herói, e na sua trajetória de vida só fez ajudar os outros e fazer amigos.

Hoje em dia não se fazem mais homens como o Capitão Bela Wodianer.

Nas corridas de fim de semana em Cidade Jardim, sempre havia gente que o procurava para conversar, pedir conselhos, aprender, e a sua paciência e simpatia a todos cativava. Uma das muitas pessoas que gostavam de conversar com ele era a Baronesa Marie Blanche Rotschild Von Leithner, que como era conhecida, e que ao comprar com o Barão as terras do então já extinto Haras Milano foi se orientar com o Capitão, e uma de suas sugestões foi comprar inicialmente éguas da criação Paula Machado, representantes das linhas femininas que fizeram a grandeza dos Haras São José & Expedictus. O conselho foi aceito, e Gâmbia produziu entre outros excelentes ganhadores de padrão clássico, o fantástico Gaudeamus. A Baronesa, que morava no Haras São Bernardo, costumava ir à tarde às cocheiras em Cidade Jardim, e quando surgia um tempo disponível ela atendia os convites para ir lá conversar.

Era uma época de excelência que não volta mais, com os criadores e proprietários entendendo o turfe em sua essência, objetivando ter sempre animais melhores, líderes de turma, perseguindo a qualidade e a classe. Os tempos mudaram, o objetivo é quase que valorizar para uma eventual venda melhor.

Mas em sua extraordinária vida, o Capitão Bela Wodianer foi um marco, deixou raízes, muito do que se tem de bom no turfe brasileiro se deve a ele.



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