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Abril | 2009
Furosemida, por Milton Lodi 24/04/2009 - 12h31min
O caso Lasix (Furosemida) precisa ser melhor
regulamentado no JCB. No início da apreciação do problema, o veterinário representante do Rio
de Janeiro queria uma liberação geral, e o de São Paulo a proibição total. Com a
interveniência do Dr.Antonio Carlos Mota, representante do Ministério da Agricultura, após
muita discussão ficou resolvido da proibição para as provas de Grupos I e II, e liberação
para os demais páreos, desde que houvesse comprovação veterinária da necessidade do uso de
Lasix. No início a comprovação se dava com a hemorragia ocorrida em corrida e após
conseqüente endoscopia. Depois o critério passou a ser outro, os veterinários passaram a
poder dar atestados quanto à necessidade, e aí ao sabor dos interesses e solicitações de
treinadores e de proprietários.
No JCB há muito mais animais usando Lasix que no JCB,
na proporção média semanal de 120 no Rio e 30 em São Paulo, 4 contra 1, não só porque em São
Paulo o clima é mais ameno que no Rio como também pelo fato das diferentes regulamentações do
caso.
Está mais do que comprovado que a regulamentação paulista está correta e a
carioca não. Em Cidade Jardim o Lasix pode ser ministrado pelo Hospital Veterinário, e quatro
horas antes do respectivo páreo o animal tem que ir lá para ser medicado por veterinário do
Hospital. No JCB não há essa obrigatoriedade, os cavalos podem ser medicados por veterinários
particulares (sem fiscalização). O Lasix tem duas ações diferentes, age como bronco–dilatador
com pico em 2 horas, e anti–hemorrágico em 4 horas. Assim, animais que até não necessitam do
remédio, mas calcados em atestados, correm irregularmente beneficiando–se do pico de 2 horas
com o aspecto bronco–dilatador, aumentando a sua capacidade pulmonar.
É claro que os
veterinários particulares acham isso bom, pois além de cobrarem taxas mensais por cavalo,
ainda recebem comissão sobre os prêmios levantados por animais aos seus cuidados, e muitas
vezes reagem à verdade inventando explicações e/ou justificativas sem sentido a qualquer
idéia da alteração da atual prática no JCB. Chegam a dizer que levar os animais para serem
medicados 4 horas antes no Hospital prejudicaria as performances pela interrupção da fase de
descanso (no máximo 10 minutos para ir e outros 10 para voltar), mas se esquecem ou não
querem se lembrar que em Cidade Jardim é assim, Lasix só no Hospital e só naqueles que
necessitam conforme critério do Hospital Veterinário. Os cavalos que vão do Rio para Cidade
Jardim e que necessitam de Lasix tem que se submeter às corretas normas, e sem
reclamações.
Poderia ser alvitrado que um cavalo medicado 4 horas antes no Hospital do
horário determinado para o páreo, e que naturalmente volta à cocheira para sair 2 horas antes
da corrida poderia ser novamente medicado, na cocheira de forma irregular.
Acontece
que a dose de Lasix é calculada, em Cidade Jardim, à base de miligrama por quilo do peso
físico do corredor, peso do animal aferido em balança digital no hipódromo na manhã da
corrida, e após cada páreo os animais de Lasix obrigatoriamente são submetidos à endoscopia e
também a exames quantitativos para fiscalização da quantidade de Lasix tomada.
O que
acontece no JCB é o descontrole no setor, eventualmente veterinários e/ou ainda terceiros
burlando os horários de aplicação, a utilização de atestados não confiáveis, etc. O único
caminho para colocar as coisas em ordem é uma nova regulamentação, basicamente cuidando da
emissão dos atestados e a aplicação do remédio. Há que se entender os naturais interesses dos
proprietários, treinadores e veterinários, mas como esse problema está no JCB não pode
continuar.
É tão forte a influência do arsenal farmacêutico norte–americano que muitas
vezes o nome comercial Lasix, apresentado só com a letra “L”, é usado em lugar do princípio
ativo que é a furosemida. Eu não sou veterinário e não sei por que a furosemida usada é
Lasix, será que não há um anti–hemorrágico sem ação bronco–dilatador?
Não me venham
com argumentos no sentido de problemas com os animais alojados em centros de treinamento. No
Rio há muito mais, mas em São Paulo também há centros de treinamentos, e com a boa
regulamentação o setor funciona muito bem.
Assunto sério que necessita de
atenção.
(Transcrito da Revista Turfe Brasil n° 263, de
17.07.08) |

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