Até você que não acompanha as corridas de cavalo sabe. O Grande Prêmio “Paraná” – (Gr.I),
a prova mais importante da pista de areia no Brasil, realizada aqui no Jockey Club do Paraná,
é em dezembro.
Nessa época, nós que costumamos sempre acompanhar o esporte,
torcendo, sofrendo, reclamando, xingando, etc (sim, porque turfista é tão ou mais apaixonado
pelas corridas que um torcedor pelo seu time de futebol), constatamos algo inusitado: o
flerte da mídia com o turfe.
Durante o ano inteiro, mesmo com o movimento
financeiro do Jockey superando em muito a receita auferida pelos nossos clubes de futebol, a
imprensa finge que o turfe não existe. Durante o ano inteiro, temos que escutar do povo: “mas
e você já ganhou dinheiro?”. No que respondemos: “várias vezes, o problema foi quanto eu
gastei nos petiscos”. Durante o ano inteiro, parece que escrevemos para
meia–dúzia.
Mas chega dezembro. Dezembro chega. E é sempre a mesma coisa.
Destaques, matérias de capa, repórteres bem–intencionados, público novo, público velho. O
esporte é praticado o ano inteiro, para a imprensa é só em dezembro. E só no dia do Grande
Prêmio “Paraná”.
Não reclamo, adoro quando divulgam de forma decente um esporte de
tamanha relevância como é o turfe. O melhor jóquei do mundo é brasileiro, se chama Jorge
Ricardo, e estará aqui dia 07 de dezembro. Além dele, vários outros montam em outros países,
como EUA, Cingapura, Inglaterra, entre outros. Assim também ocorre com nossos animais, que
são exportados para todos os continentes.
E isto ocorre o ano inteiro. Mas noticiar como,
se o turfe só existe em dezembro?
Se você tem curiosidade de ver como são as
corridas de cavalo, deve estar mais curioso agora. Sabe porque? Porque você leu sobre o
assunto. Porque algum santo acredita que deve haver uma Coluna do Turfe neste site. Mesmo que
ela seja feita de forma amadora e se restrinja a noticiar apenas a corrida da semana em nosso
Hipódromo.
Mas o turfe só existe em dezembro. Vocês verão. Todos os veículos de
comunicação impresso irão noticiar o fato. No dia seguinte a foto do campeão aparecerá na
primeira capa. E no dia seguinte, ainda em dezembro, o turfe morrerá novamente.
E o
jóquei que sofre o restante do ano tentando manter o peso continuará montando, e o treinador
que sofre o restante do ano tentando manter seus pensionistas em bom estado continuará
inscrevendo seus animais, e o proprietário que sofre tentando custear seus cavalos continuará
acreditando que um dia, o turfe exista o ano inteiro para a imprensa.
Mas chega
dezembro. Dezembro chega. E é sempre a mesma coisa.
Diego
Lobo Teles
Colunista de turfe do site www.bemparana.com.br