1981 – Ocorreu uma
desclassificação, muito justa por sinal. Denee, que corria no bloco intermediário, no meio da reta tomou a ponta
de golpe e foi violentamente para dentro. Quando Campal e o chileno Rasputin II avançaram por fora, foi abrindo
propositadamente, prejudicando fortemente os dois. Rasputin II ficou para 3°, mas Campal voltou a insistir,
perdendo por pescoço. Campal era de criação e propriedade dos Haras Jahu e Rio das Pedras, dos irmãos João Adhemar
e Nelson de Almeida Prado. Campal e Denée eram nacionais, o 3°, Rasputin II, chileno e o 4°, Leonico,
argentino.
1982 – Nesse ano, o vencedor, por boa margem, foi Gourmet, nacional, com pai
(Negroni), a mãe do pai (Aurora), a mãe (Saint Tropez), a mãe da mãe (I Love You). Todos eles de criação e
propriedade do Haras Ipiranga, SP. O avô paterno era francês Flamboyant de Fresnay ( Pharis em filha Asterus). O
avô materno era Xadrez ( Sayani em filha de King Salmon). Gourmet correu sempre na ponta. New Dandy (cavalo do ano
em 1982 na Argentina e posteriormente bom reprodutor) finalizou em 2°, com Clackson (ótimo corredor e ótimo pai)
em 3°.
1983 – Off the Way foi um dos últimos animais grandes ganhadores clássicos do
Haras Faxina (Henrique de Toledo Lara e Margarida Polak Lara). Égua bem pequena, de aparência franzina, pesando
cerca de 380 quilos, corria uma barbaridade. Após corridas em que mostrou muita classe e qualidade, Off the Way
terminou por se acidentar em corrida e teve que ser sacrificada.
1984 – Outra égua
nacional de alta qualidade veio a vencer o G.P. Brasil, daquela vez em 1984. A tordilha Anilité havia corrido
muito mal no G.P. Osaf, em Cidade Jardim, SP. Chegou em último, sentindo muito os efeitos da altitude da cidade,
cerca de 700 metros. A intenção primeira do proprietário foi do encerramento da campanha nas pistas e ir logo para
a reprodução, em Bagé, RS, e aguardar o início da estação de monta, mas cedeu aos argumentos do experiente
treinador Alcides Morales. A égua foi levada de volta para o Rio e, pouco mais de dois meses, correu, contra os
machos, o G.P. 16 de Julho, prova preparatória para o G.P. Brasil. Ganhou. Dessa corrida, até o G.P. Brasil,
Anilité só foi movimentada e galopada e fez um único trabalho nas citadas três semanas, sem preocupação de tempo e
em 1.200 metros. A experiência e inteligência do treinador e a confiança do proprietário, foram o que Anilité
precisava para ganhar o G.P. Brasil de 1984. Correndo acomodada para atropelar na reta, Anilité foi um sucesso. O
2° colocado foi, o também nacional, Full Love, um dos melhores de sua geração em Cidade Jardim, de criação e
propriedade dos Haras Jahú e Rio das Pedras, SP. A tordilha Anilité era filha de St.Chad em égua da criação
Mondesir. Anilité foi mãe de dois ganhadores de provas de grupo. Anilité era de propriedade de José Carlos Fragoso
Pires ( Haras Santa Ana do Rio Grande, RS).
1985 – Em 1985 tivemos a vitória de Grison,
um filho de Falkland e Liselotte, esta também, mãe do tríplice coroado African Boy. Grison, de criação e
propriedade dos Haras São José e Expedictus, venceu de ponta a ponta. Em 2° chegou o também nacional Blessed
Nest, um paranaense bem corredor.
1986 – Grimaldi, o ganhador, é o único que conseguiu
ganhar o G.P. Brasil, o G.P. São Paulo, o Derby Brasileiro e o Derby Paulista. Sempre montado por Juvenal Machado
da Silva, Grimaldi tinha como uma de suas principais características a coragem para lutar e nunca se entregar. De
criação do paulista Haras Morumbi (Paulo Miranda), Grimaldi era filho do norte–americano Executioner II, um alazão
filho de The Axe II, este filho de Mahmoud, ganhador do Derby de Epsom e de criação e propriedade do H.H. Aga
Khan. A mãe de Grimaldi era uma excelente égua argentina, Greves. Para ganhar o G.P. Brasil, Grimaldi teve que se
empregar ao máximo para escorar a forte aceleração final de Bowling, um tordilho que tinha muitas qualidades,
dentre elas um físico sólido, desprovido de quaisquer problemas.
1987 – Foi o ano do
tordilho Bowling, um filho do norte–americano Crying–to–Run em égua de criação Mondesir. Bowling correu muitas
vezes, foi ótimo corredor e ganhador clássico, corria quieto para uma violenta partida final e tinha como ponto
vital uma saúde perfeita. Atravessou a campanha nas pistas sem sofrer nenhum problema de saúde, nem dores de
canela, nem resfriados, nada. No G.P. Brasil de 1987 teve como escoltante o argentino Larabee. Bowling era de
criação e propriedade do Haras Santa Ana do Rio Grande, Bagé, RS.
1988 – Em 1988
tivemos outra vitória de um animal criado pelo Haras Santa Ana do Rio Grande e de propriedade de José Carlos
Fragoso Pires Júnior. O castanho Carteziano, um filho de Waldmeister na égua inglesa Scold, filha de Sheshoon,
isto é, pedigree de fundo. Ele seguia sempre, tinha bom padrão. O 2° lugar ficou com o gaúcho Corto Maltese que, à
época, corria muito, um bom valor.
1989 – Trouxe a primeira vitória do Haras Santa
Maria de Araras na principal prova do calendário clássico brasileiro. Troyanos foi um favorito destacado, era fora
de dúvidas o melhor corredor daquela fase. Foi uma vitória indiscutível, sem sustos, merecedora. O pai era o
argentino Vacilante, de uma linha alta de Tourbillon. Vacilante era um cavalo tipicamente argentino, grande, forte
e de cabeça acarneirada. O Santa Maria de Araras havia me comprado, por intermédio e indicação do meu amigo e
hipólogo Bertrand Joachim Kauffmann, como homem de confiança e homem de cavalos do Araras, uma potranca de nome
Nappy, de régio pedigree (Adil e Happy,essa, de importantes vitórias clássicas em provas de velocidade, filha de
Manguari em égua da criação Boussac e de notória produção clássica). Nappy foi coberta pelo nacional Sabinus e
produziu Lady Pat, e foi essa Lady Pat que deu o bom Troyanos. O 2° colocado foi o nacional Laurus, que teve seu
brilho naquela época.
1990 – Foi marcado pelo duelo, que se estendeu por uns três anos,
entre dois excelentes nacionais. Falcon Jet, um corredor de primeira linha, um lutador, um verdadeiro gladiador,
enfrentava outro alazão Flying Finn, corredor também de primeira linha, como Falcon Jet, nascido e criado em Bagé,
RS Flying Flinn era filho do nacional Clackson, em filha de Hang Ten, em égua Argentina, por Dorileo. Criação do
Haras Nacional (Armando Rodrigues Carneiro). O jóquei habitual de Fying Finn era Juvenal Machado da Silva,
extraordinário, e Falcon Jet com Jorge Antonio Ricardo. Os dois foram protagonistas de lutas memoráveis. Em 1990,
Flying Flinn como de hábito tomou a ponta, e Falcon Jet avançou impetuosamente, houve luta, mas Juvenal havia
guardado reservas, e Flying Finn, em raia seca, ganhou por meio corpo.