1957 – O argentino Don Varela foi o vencedor, com Canavial em 2°, Caporal em 3° e John Araby
em 4°. Don Varela era, naquele momento, o melhor corredor da Argentina, mas no panorama geral dos ganhadores do
G.P. Brasil, de representatividade pequena.
1958 – O proprietário carioca Eurico
Solanés, titular do Stud (depois Haras) Verde e Preto, resolveu arrendar um cavalo especificamente correr o G.P.
Brasil de 1958. Arrendou, só para o páreo, o argentino Espiche, que montado por J.O. Tapia, venceu em final
difícil o nacional Kraus e o também argentino Gramófono. Depois que tudo se passou é que se foi verificado
que Espiche não poderia ter sido importado, pois as leis brasileiras não permitiam a importação de cavalos
puro–por–cruza.
1959 – Foi um capítulo à parte. Páreo forte, competidores de alto
padrão. O 4° colocado foi Escorial, um dos melhores corredores nacionais de todos os tempos, criação e propriedade
de Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (Haras Guanabara). O 3° foi Xaveco, de Antonio Joaquim Peixoto de Castro
Júnior ( Haras Mondesir), muito bom nas pistas e, também, posteriormente, no Haras. Em 2° chegou o argentino
Atlas, um corredor de exceção, que corria na frente em ritmo acelerado e, na reta final, era um problema sério
tentar ultrapassá–lo, pois lutava e não se entregava. O grande ganhador foi Narvik, de criação e propriedade de
Henrique de Toledo Lara (Haras Faxina). Para chegar à frente de Atlas, Xaveco e Escorial, Narvik teve que bater o
recorde dos 3.000 metros. Na reprodução, Narvik mostrou–se infértil.
1960 – No ano
seguinte ao de Narvik, já em 1960, o G.P. Brasil foi vencido pelo talvez melhor corredor brasileiro de todos os
tempos, o preto Farwell. Sempre de ponta a ponta, Farwell ficou invicto no Brasil em 15 apresentacões.
Lamentavelmente, nas duas vezes que correu na Argentina, em 1960, no Gran Premio 25 de Mayo, e no Gran Premio
Carlos Pellegrini, perdeu, respectivamente, para Escorial e Atlas. Nessas duas viagens, Farwell teve fortes
diarréias, correu as duas vezes por ordem do proprietário, Nelson de Almeida Prado e contra a vontade do
veterinário Fernando Pereira Lima. Assim como Gualicho e Narvik, Farwell, posteriormente, mostrou–se infértil.
Farwell era filho do inglês Burpham, um filho de Hyperion, em égua clássica de criação de José Paulino Nogueira (
Haras Bela Esperança).
1961 – Em 1961 tivemos no Hipódromo da Gávea uma demonstração de
alta classe, do cavalo Arturo A. e do jóquei Irineo Leguisamo. O ótimo treinador argentino Juan de La Cruz, que
foi por alguns anos responsável pelo treinamento da cavalhada dos irmãos Seabra (Haras Guanabara), em Cidade
Jardim, costumavam dizer que os cavalos mais velozes que conhecera, tinham sido Arturo A., e Escorial, e a ciência
estava em treiná–los para correr em distâncias maiores, guardando no percurso as necessárias reservas para retas
finais de grande aceleração. Arturo A. e Escorial ganharam provas clássicas internacionais da maior importância em
até 3.000 metros.
1962 – Em 1962 ocorreu um fato inusitado. Na pista o vencedor foi o
cavalo uruguaio Montecristo, com o nacional Ortille em 2°. Os responsáveis pelo ganhador voltaram para o Uruguai
com as glórias e as taças do vencedor. Todavia, alguns dias depois, os exames de material do Montecristo mostraram
que ele havia vencido dopado. Naturalmente, houve a necessária desclassificação e Ortille passou a ganhador. Dias
depois, telefonou–me de São Paulo o meu amigo Wasfi Julio Zarzur (Stud, depois Haras, Eduardo Guilherme), dono do
Ortille, pedindo para que eu intercedesse junto à Diretoria do Jockey Club Brasileiro no sentido do recebimento
das taças, que tinham ido para o Uruguai. Eu imaginei que iriam mandar confeccionar outras taças para o Julio. Mas
não foi o que aconteceu, os Diretores disseram que nada mais tinham a ver com aquilo, se o Julio quisesse, que
entrasse em contato direto com os uruguaios. O resultado desse descaso e falta de consideração, foi que o Julio
ficou sem as taças merecidas pelo Ortille.
1963 – Naquele ano ocorreu um fato
inesperado, de solução arbitrária, política. Como o número de concorrentes era grande, houve necessidade de
acoplar mais um conjunto de boxes no partidor. Dada a partida, as portas dos boxes de fora não abriram e 5 ou 6
animais ficaram presos. Não sei se o confirmador, o homem da bandeirinha vermelha, acenou anulando a partida, por
ordem do Starter, ou não. Posteriormente, os jóqueis dos animais que ficaram presos disseram que a partida foi
anulada. O que eu sei é que o páreo foi confirmado. Os que puderam largar tiveram um percurso normal, com a
vitória categórica do chileno Cencerro. Rigoni era o jóquei de Coaralde, um dos que não puderam largar pelo mal
funcionamento do partidor e foi, com os outros jóqueis prejudicados, pedir a anulação do páreo, conforme
determinava nesses casos, o Código Nacional de Corridas. O páreo teria que ser corrido de novo, no mesmo dia ou em
outro a ser determinado pela Comissão de Corridas, em até 8 dias depois. De nada adiantaram Código, Regulamentos e
Reclamções, o páreo foi confirmado e estamos conversados.
1964 – Tivemos um G.P. Brasil
dos menos relevantes. Ganhou Leigo, de criação e propriedade de Paulo Piza de Lara. O 2° foi Don Bolinha, o 3° foi
Bar, e o 4° Pantheon. Os quatro primeiros eram nacionais.
1965/1966 – Zenabre
mostrou–se, em 65 e 66, um verdadeiro campeão. Tinha péssimos joelhos após a fase inicial de sua campanha nas
pistas, mas tudo superava com grande categoria. Era de propriedade de Teotônio Piza de Lara e criação do Haras
Bela Esperança, de José Paulino Nogueira, um criador do melhor quilate. Ao término da vitoriosa campanha nas
pistas, Zenabre foi para a reprodução, transmitindo qualidade e classe. Eu o vi pela última vez, menos de uma
semana antes de ele morrer, já com idade, no Posto de Monta do Jockey Club de São Paulo. Tinha os joelhos enormes,
deformados, o físico em evidente decadência. Certa vez, em um dos eventos promovidos no Posto, antes do início,
muitos turfistas e participantes iam visitar os 5 ou 6 garanhões à época lá estacionados, e um que me antecedia
disse alto para que todos ouvissem que Zenabre estava com má aparência. Foi quando uma voz se elevou atrás de nós,
dizendo que não era o físico do grande campeão que deveria ser analisado, mas suas brilhantes vitórias, sua
especial produção, sua vitoriosa vida como corredor e, na criação, como um melhorador. Eu olhei para trás, para
identificar quem tinha dito aquelas sábias palavras era o Ministro Luiz Fernando Cirne Lima.