Lembro–me (ou
quase) como se fosse ontem.
Vamos lá. Não me recordo das datas, mas o JCB mudara seu canal de analógico
(qualquer parabólica) para digital (restrita). O presidente do JCRGS era Flávio Obino Filho que, à época, além de
manter um bom relacionamento com o jornalista Marcos Rizzon, ainda, patrocinava com o seu Stud Casablanca, o
Jornal do Turfe.
Na mesma semana, o Jockey Club do Paraná resolvia parar por tempo indeterminado com a
transmissão de suas corridas que eram as quintas–feiras.
Nelson Bruno Cilla, gerente de marketing do
JCSP, procurou o Rizzon e propôs transmitir as corridas de Porto Alegre de forma definitiva. Flávio Obino Filho,
ouvindo Rizzon, aceitou de pronto. Qual a vantagem para o JCRGS? Estaria no canal analógico do JCSP, sem pagar
nada, dando às suas corridas maior visibilidade, ou seja, o turfista de Bagé, assistia por SP e jogava pelo
Rio.
Estas reuniões davam para o JCSP, o resultado de até R$ 5 mil positivo, ou no sentido inverso. Mas
quanto custava para transmitir pelo analógico? Em torno de R$ 8 mil por reunião. E este valor, o Cristal
economizava.
Mudou o presidente do JCSP e o mandatário maior do JCRGS procurou Márcio Toledo, tentando
cobrar R$ 500 mil referentes a 5% dos MGAs das corridas de Porto Alegre apostados no simulcasting com o clube
paulista.
Ocorre que nunca existiu contrato entre as entidades congêneres e, quando desta cobrança, não
houve diálogo, pois o clube gaúcho precisava do dinheiro para pagar as suas contas em atraso.
O JCSP
seguiu realizando o simulcasting até que, também, migrou para um canal digital. Mesmo neste momento, o JCRGS
seguiu tendo vantagem, pois, por exemplo, eu assisto as corridas do Cristal e de todo o Brasil via site do clube
paulista. Ou seja, a visibilidade seguia sem custo algum.
De repente, acho que por desespero, o
JCRGS resolve cobrar novamente o que não existe no papel, uma ficção dos dirigentes gaúchos.
Pior, em
reunião de diretoria, o presidente Gudolle, assim disse em Brasília ao Marcos Rizzon, resolveram tomar esta
postura nociva para um turfe derrotado, sem cavalos, sem raia, sem comando, como é o de Porto Alegre, hoje,
infelizmente.
Peitaram na hora errada. Abriram espaço para Campos e Goiânia, que possuem iluminação,
tomarem conta das quintas–feiras.
Gudolle, é bom sujeito, honesto, mas está perdido. Salários em atraso
desde fevereiro, 13° não pago aos mensalistas, mais de R$ 1 milhão de prêmios devidos e, inclusive, as comissões
dos profissionais.
Como participei da luta do Rizzon pelo simulcasting do Cristal, junto com o NBC,
lamento tal atitude.
E, lembro: Gudolle jamais sentou–se com Toledo para discutir contrato algum. Foram
trocadas diversas cartas, algumas ásperas. Nada mais que isso!
Com razão, o leitor que escreveu ao Raia
Leve: “DERAM UM TIRO EM SEU PRÓPRIO PÉ”.
por Marcelo
Santana