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Janeiro | 2008

Nomes de cavalos, por Milton Lodi
02/01/2008 - 05h54min

Nomes de cavalos (Milton Lodi)

Dar nomes aos cavalos nem sempre é fácil. Além do grande número de animais já registrados no Stud Book Brasileiro, há que respeitar os nomes protegidos, não mais utilizáveis por serem de animais ganhadores de grandes prêmios importantes, aqueles que pertenceram a animais já mortos, mas que têm de aguardar tempo regulamentar para reaproveitamento, há o devido respeito a nomes ou expressões digamos assim não éticas. Os criadores maiores, com produção anual numerosa, recorrem muitas vezes a dicionários brasileiros e também estrangeiros. Aliás, a quantidade de nomes ingleses utilizados é enorme, é absurda.

Há quem use tradicionalmente a cada ano de uma só letra do alfabeto, naturalmente de "A" em diante. Esse é o critério, por exemplo, de Haras importantes como o Mondesir o São José e Expedictus.

Outros Haras dão sempre nomes duplos, sendo o primeiro com a inicial da égua–mãe e o segundo com a do alfabeto correspondente ao ano. Esse é o critério do Haras San Francesco.

Dar aos produtos nomes com as duas letras iniciais da égua–mãe é outro critério, o do Haras Guanabara, por exemplo. Em lugar de facilitar a identificação do ano de nascimento, cada ano uma letra, facilita a lembrança do nome da égua–mãe.

Critério diferente era utilizado pelo Haras Fidalgo. Cada ano correspondia a um tema. Houve o ano das flores, o dos peixes, o das cidades da Itália, e assim por diante.

O Haras Fronteira é diferente, o seu critério é dar nomes sem outro intuito que nomes com quaisquer iniciais, desde que sejam entendidos como bons.

O Haras Santa Ana do Rio Grande utilizava–se da ordem alfabética anual, mas durante alguns anos não deu nome aos seus produtos, que eram vendidos como N.N. (Não Nominados), ficando assim para os adquirentes o prazer da escolha dos nomes. Esse é o hábito nos Estados Unidos, com um apelo comercial, "compre um potro e tenha o prazer de escolher o nome". Após alguns anos, o Haras voltou ao sistema tradicional.

Há ainda casos diferentes. Há criadores que dão ao Haras o nome da esposa, e fazem mais ainda. É o caso do Haras Santa Verônica, que além da evidente homenagem, muito justa por sinal, aproveita–se do fato da palavra "Verônica" não ter letras repetidas, dá os nomes dos potros seguindo a ordem daquelas oito letras. O alfabeto de vinte e tantas letras vira um só de oito.

O turfe é complicado. Dar o nome de "Invicto" ou "Invencível", por exemplo, é determinar uma derrota logo na primeira corrida. Dar o nome do próprio Haras a um produto que se imagina o melhor do ano tambem não funciona. Eu me lembro de uma linda potranca chamada VARGEM ALEGRE, comprada no Haras do mesmo nome. Não foi ruim, foi até de padrão satisfatório, mas muito longe de ser especial, a melhor.

Há nomes que se mostram muito adequados. Eu me lembro de um grande e lindo tordilho claro chamado LUNARD, de uma égua com porte de rainha chamada ELISABETH, de um ótimo ganhador clássico e recordista com o nome–marca do modelo de um avião, FALCON JET, etc,etc...

Há nomes que foram dados em circunstâncias especiais.

Quando eu perdi o meu pai em 18 de janeiro de 1956, "herdei" o treinador Claudemiro Pereira. Era bom treinador, acostumado ao sucesso, amigo dos empregados, benquisto pelos treinadores e pelos jóqueis, sempre de bom humor. O único problema é que ele era muito festeiro, adorava a vida. Eu dizia sempre que ele gostava de viver na gandaia. Foi em homenagem a ele que eu dei o nome de GANDAIA a uma boa potranca, que terminou a campanha nas pistas com 2 vitórias, invicta, e que foi ótima reprodutora.

O pai de um criador e proprietário, advogado, havia sido, no tempo do amadorismo, goleiro titular do Botafogo. Era conhecido pelo apelido de BABY. O filho deu a um potro em homenagem ao pai, o nome de BABY KEEPER.

Um proprietário, casado com uma filandesa, deu a um seu potro o nome de FLYING FINN (Finlandês Voador).

No mesmo dia, mês e ano em que nasceu uma menina chamada VIVIAN, nasceu no Haras Santa Ana do Rio Grande uma potranca da letra "i". Recebeu o nome de IMPERATRIZ VIVI, e foi mãe de três ganhadores de Grupo1.

Caso curioso aconteceu em leilão de potros realizado na Gávea. Um brasileiro naturalizado, benquisto no meio dos proprietários e turfistas em geral, comprou um potro de um haras paranaense. Mas o turfista, por algum motivo, entendeu de não ficar com o potro arrematado. Dois amigos, turfistas e proprietários, resolveram fazer uma brincadeira. Substituiram o comprador inicial, registrando como comprador um stud novo, o TRANSILVÂNIA, terra lendária na Romênia, país de nascimento do primeiro comprador. A graça estava no fato de que na TRASILVÂNIA seriam os domínios do Conde Drácula, e batizaram o potro com o nome de ALUCARD, que é a palavra DRÁCULA escrita ao contrário. ALUCARD mostrou–se um bom cavalo, de padrão clássico (ganhador, no recém–findo 2007, do GP Paraná).

De acordo com o Regulamento do Stud Book Brasileiro, após ter registrado o nome só há direito a uma troca, e assim mesmo antes do animal estrear.

É um prazer para os criadores poder escolher os nomes de seus potros.

por Milton Lodi



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