Uma sociedade vai nascer
No dia 7 de junho de 1868, na residência do conde Herzberg, foi realizada a primeira sessão preparatória para a fundação da Sociedade Jockey–Club. Entre os presentes, alguns nomes conhecidos pelos atuais turfistas através de provas clássicas em sua homenagem, como o dr. Costa Ferraz, o major Guilherme Suckow e Henrique G. Possolo. Na ocasião foi eleita uma comissão para organizar os Estatutos da nova sociedade, composta pelos senhores Costa Ferraz, Henrique Moller e Henrique José Teixeira, sendo o primeiro presidente interino e Felisberto Paes Leme o secretário.
Dois dias depois, a comissão já apresentava ao major Guilherme Suckow duas propostas, merecendo, no dia 12 de junho, a seguinte resposta:
“Acusando o recebimento da comunicação de V.Sas., relativa ao Prado Fluminense e a respeito de futuras corridas de cavalos, projetadas pela associação Jockey–Club, respondo que, com algumas modificações, aceito a segunda proposta apresentada, comprometendo–me a empregar todo o esforço necessário para que a nascente sociedade tenha um brilhante futuro. Dessa forma:
1) Assumo o compromisso de construir, à minha custa, uma arquibancada para 800 a 1.000 pessoas, cedendo a terça parte do produto líquido das entradas, nas corridas efetuadas pela sociedade.
2) A associação estipulará uma quantia para a conservação da raia, bem como outra destinada ao pagamento do aluguel do terreno, enquanto nele se realizarem corridas.
3) A mim caberá o direito de promover uma ou duas corridas anualmente, por minha própria conta e sem obrigação de pagar a terça parte do produto líquido. Na ocasião, espero contar com o auxílio da associação, da mesma forma que prometo cooperar com todos os meios ao meu alcance.”
Posteriormente, o major endereçou correspondência aos membros da comissão, retificando sua contraproposta, declarando–se satisfeito com duas terças partes das seis primeiras corridas realizadas e recebendo a metade do resultado líquido, a partir da sétima. Na missiva também concorda com a importância de 800$ (dinheiro da época), como indenização do terreno ocupado e pela conservação da raia.
O major Suckow, oficial de origem prussiana, chegou ao Brasil no tempo de D. Pedro II. Enérgico, trabalhador e empreendedor, fixou residência na cidade do Rio de Janeiro, onde passou a explorar um serviço de transportes urbanos, através de uma empresa por ele fundada, com sede no Largo de São Francisco, cuja concessão obteve, por reconhecimento, do próprio Imperador. Quando em 12 de junho de 1825 foi realizada na praia da Saudade, em Botafogo, a primeira corrida de cavalos que se tem conhecimento no Rio de Janeiro, alguns comerciantes e industriais manifestaram interesse pela atividade, mas, somente em 1847 surgiu a idéia de se fundar um clube, nos moldes do turfe praticado àquela época na Europa, em países como a Gran Bretanha, patrocinado pela Casa Real, a Bélgica, a França e até mesmo a Rússia, sob os auspícios do Imperador. Conhecendo o sucesso das corridas no Velho Continente, o major, possuidor de bons cavalos, acabou por se entusiasmar pela idéia.
por Francisco Portinho