Para que se tenha uma idéia do comercial enfoque da cultura turfística norte–americana, voltada para o dinheiro, o lucro, e não pela atividade em si, vou lembrar aqui o que aconteceu há já alguns anos em relação à tríplice–coroa.
A tríplice de lá é disputada em três diferentes hipódromos. A primeira prova é corrida no primeiro sábado de maio, em 2.000 metros, na areia, no Hipódromo de Churchill Downs, na cidade de Louisville, estado de Kentucky. É o famoso Kentucky Derby. A segunda prova, no sábado duas semanas depois, é no Hipódromo de Pimlico, na cidade de Baltimore, estado de Maryland, em 1.900 metros, na areia. É o Preakness Stakes. No sábado de três semanas depois (primeiro sábado de junho), em 2.400 metros na areia, vem a última prova. Hipódromo de Belmont Park, cidade e estado de Nova York. É o Belmont Stakes. Com intensa publicidade, o turfista acompanha esse especial evento, ainda mais quando, após os dois primeiros confrontos, há um candidato a tríplice–coroado. Cavalos, treinadores, jóqueis tomam conta dos noticiários, e só no Hipódromo de Belmont Park assistem o páreo mais de 100 mil pessoas. É um evento de dimensões internacionais, pois jornais e revistas especializadas ou não, o rádio e a televisão merecidamente transformam o grande momento em evento nacional e também mundial. Pela televisão, milhões assistem diretamente a prova.
Pois bem, há alguns anos, no estado de Nova Jersey, o Hipódromo de Meadowlads criou uma prova, entre a segunda e a terceira da tríplice–coroa, oferecendo prêmio da ordem de um milhão de dólares, visando atrair o eventual candidato à tríplice coroa, que optaria certamente pelo dinheiro de Meadowlands, e abandonando a tentativa do glorioso título.
É claro que a intenção do hipódromo alternativo não era desprestigiar o Belmont Stakes, mas atrair os melhores cavalos, e com isso desviar para Meadowlands todo o fantástico monte de dinheiro que certamente Belmont Park usufrui. A perspectiva de mais dinheiro com certeza impediria o surgimento de tríplice–coroados, pois lá o aspecto financeiro se sobrepõe ao próprio sucesso.
Mas Belmont Park reagiu, fez um seguro com o cartão VISA de 5 milhões de dólares para um eventual tríplice–coroado. Assim, além das altas dotações, o eventual ganhador do Belmont Stakes que consiga a tríplice–coroa norte–americana recebe um bônus, o proprietário do novo tríplice–coroado, de 5 milhões de dólares.
É briga de muito dinheiro, de "cachorro grande" !
por Milton Lodi