Marketing e eleição
Segundo nota publicada em jornal matutino, a atual administração do Jockey Club Brasileiro, assessorada por um conceituado grupo do ramo cinematográfico, deu início às obras de uma espetacular sala de projeção na sede da Lagoa, com inauguração prevista para os próximos dois meses. A mesma matéria noticiou o começo da reforma dos vestiários, cujo estado de deterioração e abandono foi motivo de um alerta encaminhado aos sócios por aqueles que se opõem à reeleição.
Ora, qual o interesse que estas medidas podem despertar no leitor de um matutino, cidadão residente na cidade do Rio de Janeiro? Nenhum para a maioria, algum para os 6.000 sócios do clube. Tratando–se de assunto interno e restrito, a divulgação na mídia caracteriza fins político e eleitoreiro com os quais a atual administração pretende se perpetuar, a começar por um terceiro mandato a partir de maio, data da próxima eleição.
Existem sócios descontentes, e muitos. Afinal, o clube não deve ser restrito apenas à sede da Lagoa, única dependência onde as coisas acontecem e cujos freqüentadores, coincidentemente, constituem a maioria dos votantes. Investir não é favor, é obrigação de todo dirigente, mas concentrar as ações somente onde o voto aparece, abandonando as outras dependências e atividades, contrasta com o brilho utilizado pelo marketing para atrair votos.
O Jockey Club Brasileiro, do qual faço parte há 44 anos, apesar de conjugar dois interesses distintos (social e hípico), tem sua arrecadação baseada nas corridas de cavalos e não, como querem provar, no rendimento de aluguéis (que, naturalmente, servem para reforçar o caixa) e na irrisória taxa de manutenção cobrada aos sócios.
Administrar, além de probidade e seriedade, requer renovação, metas a serem alcançadas, promessas cumpridas, menos marketing e mais resultados concretos, satisfazendo, assim, o quadro social e proporcionando lazer sem colocar o patrimônio em risco. CLUBE NÃO TEM DONO, TEM SÓCIOS. Não basta preservar a tradição, pois sem renovar, qualquer sociedade envelhece, torna–se obsoleta e não resiste ao tempo.
por Francisco Portinho