Durante anos e anos, com o desenrolar das corridas e as naturais influências técnicas conseqüentes dos turfes internacionais, pequenas alterações nas programações eram de se admitir. Mas não foi bem assim que as coisas funcionaram e funcionam nos nossos clubes promotores de corridas.
A cada ano, a comunidade turfística é surpreendida com alterações despropositadas, verdadeiramente surpreendentes.
Um dos grandes absurdos foi o GP OSAF (Gr.1), o " Grande Prêmio Brasil das Éguas", tradicionalmente corrido no sábado do GP Brasil, ter sido rebaixado para Gr.2, deslocado de sua honrosa e tradicional posição no Calendário Clássico da Gávea, mudada a sua chamada, para dar lugar a uma homenagem. A bem da verdade, o novo nome do GP OSAF, aquele que é, ou deveria ser o "Grande Prêmio Brasil das Éguas" é ilustre, muito ilustre, altamente ilustre. Roberto e Nelson Grimaldi Seabra merecem o reconhecimento nacional e internacional pelo intenso brilho do Haras Guanabara. Importações caras e audaciosas, inteligentes, adequadas a um projeto de melhoria no mais alto grau. Segundo conversas de arquibancada, sem qualquer garantia de veracidade, à época teria sido até cogitada a substituição do nome do "Derby das Éguas", o DIANA, para dar lugar aos nomes dos dois brilhantes criadores. Se isso é ou não verdade, não importa, mas o simples fato de ter sido aventada a idéia, mostra o desrespeito à nomenclatura tradicional do Calendário Clássico. Será que nas outras cinqüenta e uma semanas do ano, não haveria um lugar honroso e merecido para os dois vitoriosos irmãos? O OSAF desceu no ranking, a tradição foi para o brejo, assim como aconteceu com o GP Marciano de Aguiar Moreira, a 3ª prova da tríplice coroa de potrancas, em 2.400 metros. Ela foi rebaixada para o Gr.2, dando lugar ao ilustríssimo nome de D. Zélia Gonzaga Peixoto de Castro, merecidíssima homenagem a uma inesquecível figura do turfe brasileiro, mulher do premiadíssimo criador Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior que, aliás, dá o nome a um Grande Prêmio de Gr.2. Ele merecia mais, muito mais, tinha que ser escolhida prova de significação muito especial, certamente de Gr.1.
O que se vê, a cada ano, são "remendos" que são feitos em nosso Calendário Clássico. Essas alterações anuais deformam a nomenclatura de nossas principais provas.
Para evitar o que anualmente vem acontecendo, tenho a impressão que cabia perfeitamente uma troca de idéias dentro de um pequeno grupo de entendidos, uns cinco no máximo, para reformular de uma vez todo o Calendário Clássico, em um trabalho de cunho rigorosamente técnico, e denominando as provas de modo mais adequado. Desse grupo de cinco, teriam que fazer parte, certamente, Bertrand Joaquim Kauffmann, Samir Abujamra e Marcos Araújo Ribas de Faria, e o grupo poderia convidar para serem ouvidos, turfistas que têm o que dizer, que tivessem idéias e argumentos para uma reforma completa, que substituísse a atual "colcha de retalhos" em um programa clássico equilibrado, com nomenclatura atualizada, a fim de que venha em decorrência, através os anos, uma boa tradição.
Os exemplos que dei, do OSAF e do Aguiar Moreira, são apenas dois casos. No decorrer do "mexe–mexe" anual, poderia ter sido mantido o OSAF como o "Brasil das Éguas" e de Gr.1, e acrescentado "Taça Roberto e Nelson Grimaldi Seabra", por exemplo, mantendo–se a tradição e também homenageando os dois brilhantes criadores do Haras Guanabara. O que na prática ocorreu foi decorrente do anual "mexe–mexe".
Essas pinceladas no assunto não abordam coisas ainda piores nos outros clubes promotores de corridas. Em desacordo com a lei, enquanto o Ministério dorme, são corridas provas taxadas de "Grandes Prêmios" sem na verdade o serem. Apenas como um lembrete a respeito, bastaria que fosse colocada a palavra "Regional" após "Grande Prêmio" e já haveria um acerto. Um mero exemplo: minha égua LA FIESTA, ganhou o GP Delegação do Jockey Club de São Paulo, no Tarumã, prova de velocidade da semana maior no Paraná. Em função da grandeza do páreo e do valor da dotação, para corrigir o erro técnico, bastaria que o GP fosse dito "Regional", como o é na realidade. Mas os anos se passam e fica tudo isso irresponsável e displicentemente como sempre foi, está, e parece que vai continuar.
Não dá para continuar "remendando", há que ser feito um trabalho sério, técnico, sem "patriotadas regionais".
Antes que eu me esqueça, o meu pai foi, há muitos anos, agraciado com um G.P. de Gr.3, no Jockey Club Brasileiro. Muito bem colocado no Calendário Clássico, na primeira quinzena de março, desde o primeiro ano de sua realização é disputado por éguas de ótima categoria, as melhores, páreos sempre numerosos com muita qualidade. A notícia de que o JCB iria homenagear anualmente o meu pai foi uma agradável surpresa, achei e acho ótimo, e segundo me consta foi indicação ou sugestão de Lineu de Paula Machado, o Lineuzinho, e desde 1988, na gestão de Adayr Eiras de Araújo, e sinto–me satisfeito e muito honrado.
por Milton Lodi