1) QUICK ROAD – O Grande Prêmio São Paulo de 2007 teve como vencedor Quick Road, um filho de Jules de criação do Haras Santa Maria de Araras, comprado em leilão pelo Stud J.C.M., radicado em São Paulo. O citado potro é treinado no Centro de Treinamento de Porto Feliz, e desde a sua estréia mostrou qualidade, valentia, bom de briga, fiel. Correu onze vezes, com 4 vitórias, 6 segundos lugares e 1 quarto. Pelos índices do ranking determinados pela Associação Brasileira, Quick Road é, no momento, o mais pontuado. Para o turfe brasileiro, as palavras do seu proprietário, na ocasião da entrega das taças, no sentido de que o cavalo não é passível de ser vendido, fica para correr e depois para servir em haras brasileiro, independentemente de boas ofertas, e que os seus cavalos vão ficar no Brasil, campanhas nas pistas e nos haras. E terminou dizendo que enquanto ele puder manter os seus cavalos, eles não vão ser vendidos para fora, vão ficar por aqui. Essa formidável e surpreendente declaração, negando a ida de bons valores nacionais, desfalcando das corridas e da criação aqueles que têm a responsabilidade da melhoria da produção nacional, contrariou de frente o fluxo do que já de algum tempo vem acontecendo, isto é, os melhores estão indo embora atraídos pelo dólar. Esse assunto merece cuidados, pois o turfe brasileiro não apresenta, no momento, perspectivas róseas, a diferença entre o valor nacional e o internacional, é abissal, e quando aparece um idealista que pode obstacular a maré indesejada pelo nosso pobre turfe, só merece elogios. Antes da citada declaração pública, Quick Road me era indiferente, era encarado como um dos bons cavalos nacionais do momento, mas agora, as suas corridas e as de seus companheiros, terão um novo torcedor.
2) João Limeira – Às vezes a gente se lembra de casos antigos, que se conhecia principalmente nos encontros entre os proprietários e os treinadores, em conversas nos fins de tarde. Muitos treinadores moravam no hipódromo, e foi em uma dessas ocasiões que o veterano treinador João Limeira saiu–se com uma observação inesperada. Falava–se das dificuldades dos treinamentos, os treinadores procurando entender os seus cavalos e muitas vezes se enganando. Foi quando um proprietário observou que ainda havia a dificuldade maior, que era o fato dos cavalos não saberem falar. E o Limeira logo arrematou "é bom mesmo que eles não falem, pois eles iriam mentir muito".
3) Disparidade de Enfoques – O que mais impressiona entre o acelerado progresso do turfe argentino, com as grandes e qualitativas importações de garanhões de alto padrão e os sucessivos aumentos das dotações, impulsionadas pelas "maquininhas", em relação ao evidente processo de decadência do turfe brasileiro, é a passividade, a total falta de conhecimento das autoridades brasileiras, impassíveis ante o encerramento das porteiras de muitos de nossos haras. O estado de São Paulo, outrora o de melhor índice qualitativo do nosso país, está hoje com menos de 1/3 dos seus haras e de suas éguas. Hoje em dia, só se pensa, em termos gerais, em parar de criar, ou não investir, deixar diminuir, pacientemente esperar o pior. E só pode mesmo piorar em apreciação realista, pois os clubes promotores de corridas estão sem forças, não têm como aumentar as dotações, que são a base de tudo, a mola propulsora do aquecimento, do interesse, que permite investir, melhorar. O turfe não consegue se fazer ouvir, e aqueles que nele militam parece terem perdido o entusiasmo. Só reclamar não adianta. O turfe parece desamparado, e está se sentindo como "o filho que chora e a mãe não escuta".
4) Relação das Coberturas – A Associação Brasileira liberou a relação dos garanhões que em 2006 cobriram no país. Como em todos os anos, há novidades. Quatro reprodutores receberam mais de 100 éguas cada, a saber, o nacional SIPHON com 117, e o norte–americano GILDED TIME com 112, ambos em sistema de SHUTTLE (uma temporada), e ainda os norte–americanos RED RUNNER com 108 e OUR EMBLEM com 101. Desses quatro, o segundo e o quarto trabalharam em Bagé, o primeiro em São Paulo e o terceiro no Paraná. Entre 100 e 70 éguas, figuram ROMARIN com 98, TORRENTIAL com 95, NEDAWI com 93, DURBAN THUNDER com 84, TRUE CONFIDENCE com 82, MIESQUE’S SON com 75, ROI NORMAND com 73. Desses onze garanhões, mais aquinhoados, deve–se assinalar que 1 morreu, 3 vieram para apenas a temporada e, dos outros 7, são 5 importados e 2 nacionais. Esses dois nacionais são: ROMARIN, já com filhos clássicos, e a grande promessa DURBAN THUNDER, de régio pedigrée (Royal Academy e Fausse Monnaie), de campanha nas pistas e de pedigrée irretocáveis. Entre 70 e 60 éguas recebidas, figuram INEXPLICABLE com 66, KNOW HEIGHTS com 66, WILD EVENT com 66, GIANT GENTLEMAN com 65, BLADE PROSPECTOR com 63, TOP SIZE com 62 e FAHIM, com 61.
Na relação constam 286 garanhões que cobriram 4.058 éguas, dando uma média aproximada de 14 éguas por cavalo.
160 reprodutores cobriram 5 ou menos éguas.
126 garanhões cobriram 6 ou mais éguas.
Muitas outras considerações podem ser extraídas da tal relação, que tem por fonte, o Stud Book Brasileiro.