Em alguns momentos, surge uma fugaz idéia de que as coisas não estão tão mal assim. Por exemplo, quando em leilões de potros, altos valores são atingidos. Pura ilusão. Nos países turfisticamente mais adiantados, as compras em leilão são pagas à vista, tudo de uma vez, dentro do prazo de trinta dias para acerto das despesas e do valor do arremate. No Brasil, temos o absurdo de pagamentos sem juros em quinze parcelas, lances anunciados por parcela, para não assustar o freguês. Em decorrência, em muitos casos o comprador está pagando o trato do potro arrematado no ano anterior, o trato do recém–adquirido, parcela das finais da compra anterior e parcela do novo potro. É claro que isso não pode dar certo. Nos leilões já iniciados em 2007, em um deles foram apresentados 37 produtos, dos quais foram defendidos (R.N.A. – Reserva Não Atingida) cerca de 15, isto é, 40% das ofertas não saíram. Os proprietários não estão agüentando a madastra relação trato/prêmio, os criadores de um modo geral, é claro que com raríssimas exceções, estão diminuindo os seus plantéis por inconformidade com o presente e a perspectiva desanimadora.
Na realidade, o turfe brasileiro cada vez fica mais longe do argentino, mais atrás.
A partir da última semana do mês de maio de 2007, os prêmios do Hipódromo de Palermo ficaram maiores. Enquanto o JCB oferece 6.000 reais aos produtos de 2 anos de idade, e o JCSP apenas 4.500 reais, o Hipódromo Argentino de Palermo determinou para os 2 anos perdedores 30.000 pesos (ou cerca de 19.200 reais, e para os 2 anos com 1 vitória, 34.000 pesos (aproximadamente 21.700 reais). As coisas não vão parar por aí, a clara tendência é a de novos aumentos. E em nosso país, a estagnação.
A continuar assim, talvez eu tenha que dar razão àqueles que preconizam que no futuro os haras de Bagé, principal núcleo criacional do Brasil, em vez de direcionarem anualmente os seus produtos para a Gávea (grande maioria) e Cidade Jardim (bem menos), vão mandá–los diretamente para Buenos Aires. No terreno do raciocínio, não fariam mais do que seguir o que já está acontecendo, com brasileiros mandando cobrir éguas na Argentina, montando haras no Uruguai, mantendo cavalos nos hipódromos de Maroñas, La Plata, San Isidro e Palermo.
Estamos caminhando para a falta de cavalos suficientes para a formação dos programas semanais.
por Milton Lodi