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Colunista:

Alex Mota, um jóquei para lá de especial
22/05/2009 - 16h39min

Alex Mota não conquistou nenhuma estatística como jóquei. Mesmo assim, o ex–bridão escreveu seu nome para sempre na história do turfe brasileiro. Borboleta, como era conhecido no Hipódromo da Gávea, protagonizou algumas das mais belas atuações já vistas no cenário carioca. O gênio indomável das raias brasileiras poderá se encontrar no treinamento de cavalos de corrida.

Alex Sander Barros Mota tinha um corpo franzino para se tornar jogador de futebol profissional. Aos 11 anos, a característica física que frustrou o seu sonho de infância lhe rendeu o primeiro convite para montar nas canchas retas, quando apenas acompanhava o pai, Vitor Julio, nas corridas. Com 14 anos, um pouco mais de corpo e alguma experiência, Alex se aventurou no hipódromo de Porto Alegre.

Após um meteórico sucesso no Hipódromo de Cristal, o titular do Stud Brincadeira e ex–presidente da Comissão de Corridas, Luiz Macedo, trouxe o adolescente para a Escola de Profissionais de Turfe do Jockey Club Brasileiro. Pesado e talentoso, Mota ganhou matrícula de profissional após poucos meses.

“Eu tinha acabado de deixar a escola, mas me lembro perfeitamente da chegada do Alex Mota ao turfe carioca. Mota chegou com o alarde, pois liderava a estatística do Cristal.

Desde cedo, ele já demonstrava centro de equilíbrio, ponto de apoio, visão de carreira, sensibilidade e reflexo. Se levarmos em conta apenas o fator raia, ele pode ser considerado um dos grandes jóqueis de sua geração”, afirmou Almiro Paim, treinador e ex–diretor da Escola de Profissionais de Turfe do JCB.

Em pouco mais de 10 anos de carreira no turfe carioca, Mota comemorou mais de 1.000 vitórias. Ele teve rápidas passagens pela Argentina, Dubai e Estados Unidos. O ex–jóquei encantou o país ao vencer o Grande Prêmio Brasil de 2004 com Thignon Boy.

“Eu quase ‘barreiÂ’ ele. Eu e o proprietário escolhemos o Mota para montar a preparatória, pois ele era conhecido como um dos melhores jóqueis de distâncias longas do pais. Ele correu o cavalo como quis, não fez nada do que eu mandei, e terminamos descolocados. Por isso, eu hesitei em dar a montaria para ele no Brasil. Depois, ele mostrou o seu talento! A parceria entre o jóquei e o Haras Valente rendeu ainda os troféus do Grande Premio Copa Abcpcc Matias Machline (gr.I) e de outras provas importantes”, revelou o treinador Jairo Borges, responsável pelo preparo de Thignon Boy e Urudonal, vencedor do Grande Prêmio Derby Paulista (gr.I), também com direção do Mota.

A admiração por suas qualidades como bridão é quase uma unanimidade.

“Eu trabalhei com ele no Stud Alvarenga e no Ninives de Áquila. Técnicamente, ele é excelente. Ele sofria do problema de peso há muito tempo. Lembro que era um sacrifício muito grande para ele fazer os pesos. É uma pena. Para ser jóquei, alguém com a predisposição de engordar precisaria ter cinco vezes mais disciplina que o normal. Desejo que ele tenha ainda mais sucesso como treinador!”, afirmou o treinador Luciano Tonini Holanda.

Marcos Ribas de Faria, o nosso Escorial, também deu sua declaração sobre Alex Mota.

“Realmente, muito triste para quem gosta de turfe e de ver um grande jóquei em ação, saber que o Alex Mota, ainda tão jovem vai parar. Mas, em sendo por causa do peso, é melhor assim do que fazer loucuras que terminariam por lhe ser maléficas.

Dele, ficarão imagens de um bridão de exceção, que não temo afirmar um dos maiores e mais brilhantes entre os nossos em todos os tempos, de suas direções magistrais como a de Thignon Boy no GP Brasil, uma das grandes da história de nossa grandíssima carreira. Igual a ele? Muito, muito poucos. Agora? Sinceramente? Nenhum, apesar de alguns de nível admirável como o Lavor.”

Antonio Landim Meirelles Quintella, titular do Stud Quintella, com quem Alex Mota teve contrato por alguns anos, também falou sobre o bridão:

“A precoce aposentadoria do excelente Alex Mota abre triste lacuna no cenário esportivo nacional. Maior talento de sua geração, o ainda jovem profissional perdeu o gosto pelas rédeas e pelo controle do peso. A balança nunca foi amiga do Alex, assíduo nos churrascos em que revela seus discutíveis dotes para o canto. Um jóquei espetacular, jamais agressivo com os animais e mortal no cálculo de percurso. Gênio,sem dúvida alguma.

Pode perfilar, sem favor algum, entre os grandes que vi montar: Jorge Ricardo, Lavor, Goncinha, Quintana, Edson Ferreira, Adail e Bolino. Juvenal fica de fora. É "hors concours".

Para dizer o mínimo acerca do Alex, escutei elogios dele vindos do Goncinha e do Edson Ferreira, dois ranzinzas de primeira e que não colocam azeitona na empada de (quase) ninguém.

Perde o turfe um piloto muito especial. Fica um carinho, uma saudade e a certeza de que ele encontrará um novo caminho neste esporte que encanta a todos e que ele enriqueceu e ainda vai enriquecer como poucos.”

Veja a corrida de Thignon Boy e Alex Mota no GP Brasil de 2004.



por Débora Almeida e Rodrigo Pereira

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