


Colunista:
Ricardinho depende de 60 vitórias para ser recordista mundial 02/02/2017 - 09h59min
A realização do sonho de um grande campeão está próxima. Jorge Antônio Ricardo, 55 anos, obteve a sua vitória de número 12.784, ontem à tarde, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. Foi no sétimo páreo, no dorso de Dearqeet, do Stud Tramo 20, e treinamento de Gustavo Ernesto Romero. O maior ídolo do turfe brasileiro precisa de mais 60 triunfos para igualar o recorde mundial do canadense, Russel Baze, que se aposentou no ano passado, com 12.844. Ricardinho havia encerrado a temporada de 2.016, com 12.765. Em janeiro de 2.017 somou mais 18 vitórias, num início de ano avassalador.
Ontem, Ricardo começou fevereiro com o primeiro ponto na primeira reunião mensal. O jóquei brasileiro planejou alcançar o seu objetivo, de reassumir a liderança mundial de vitórias, ainda no primeiro semestre. O jóquei não fala de aposentadoria. Mas reconhece, que ao assumir o posto de número um de todos os tempos, pretende fazer um balanço de sua vida pessoal e profissional. “Por enquanto, o único foco é bater o recorde mundial. Depois disso a gente começar a traçar os próximos passos para o futuro”, admite.
Ricardinho transferiu–se para o turfe argentino em 2.006. Nos últimos 10 anos conseguiu conquistas significativas. Levantou quatro estatísticas num turfe que era dominado pelo jóquei uruguaio, Pablo Falero. Os dois se revezaram na liderança até 2.015, quando o brasileiro, Altair Domingos, foi o ganhador. Na temporada passada, outro brasileiro, Francisco Leandro, desbancou os três. Ricardo foi contratado por várias temporadas do Stud Rubio B, do empresário Ricardo Benedicto, domo das máquinas de caça–níqueis do Hipódromo de Palermo. Em 2.016 saiu da coudelaria e foi substituído por Altair Domingos.
Nestes 10 anos de Argentina, Ricardinho chegou a bater o recorde mundial duas vezes. Mas, um linfoma, que lhe exigiu oito meses de quimioterapia, o tirou do topo. Obstinado e apaixonado pela profissão recuperou o recorde das mãos do canadense Russel Baze. Porém, um grave acidente no Hipódromo de Palermo, lhe causou 11 pequenas fraturas no cotovelo direito, e o afastou das pistas novamente.
Mais uma vez Russel Baze retornou ao topo do mundo. Incansável, Ricardinho recomeçou a escalada em busca do sonho de criança. No ano passado, Baze sofreu queda em Golden Gate e teve luxação na clavícula. Recuperou–se em um mês e voltou a montar. A família, entretanto, o pressionou para se retirar das pistas. Baze, aos 58 anos, anunciou a sua aposentadoria. Agora, sem adversários, Ricardinho ruma absoluto para se consagrar como o jóquei mais ganhador da história da humanidade.
por Paulo Gama

[ Escolher outro colunista ]


|