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Páreo Corrido, por Paulo Gama 10/01/2017 - 10h07min
ENFIM, A VOLTA DA PISTA DE GRAMA NA GÁVEA
Apesar da tabela de chamada dos páreos estar pouco inspirada, a simples volta da raia de grama no prado carioca, já foi suficiente para a formação de quatro programas. As duas provas preparatórias para a tríplice–coroa, o GP Roger Guedon, com 17 potrancas, e o GP José Buarque de Macedo, com 19 potros, possuem campos numerosos, com tarefa difícil para os concorrentes que largam lá por fora. Durante a semana cheguei a sugerir a divisão dos páreos em duas versões. Mas, no fundo da alma, sabia que isso não aconteceria. Foi apenas questão de tentar colaborar com a própria entidade, o Jockey Club. E, também, com os intrépidos proprietários de puros–sangues de corrida. Eles merecem respeito por pagar trato caro para disputar prêmios baixos. São tempos difíceis, em que boa parte da população do Rio de Janeiro tem salários atrasados, e não possui sequer condições de saúde, educação e segurança.
Mas, vamos deixar as frustrações e a amargura de lado. Afinal, para alegria de todos, a pista de grama está de volta. E ela está linda, em perfeitas condições. Não poderia ser de outra maneira. Tem sido poupada desde o início do ano hípico pelos comandados do “engenheiro”, que seguem à risca os dias e horários da rega e também a tabela crescente de colocação da cerca móvel. No páreo dos potros, El Shaklan, líder de geração, reaparece bem. Pegou baliza ruim, mas tem classe. Edotto e New In Town formam parelha forte. Verdi Giuseppe deu show na corrida de reaparecimento e deve ser respeitado. Energia Impact tem atropelada de craque e num páreo de ritmo violento deve aparecer nos metros finais. Impeachment, King David e Enólogo, sempre em evolução, também podem chegar ao triunfo. Páreo duro.
Na prova preparatória das potrancas é bom ficar de olho na escolha do Valdinei Gil, entre as potrancas do Haras Santa Maria de Araras. O Haras Anderson também inscreveu boas representantes. Adoro a Envoi de Fleurs. Etapa Vencida tem campanha que não pode ser subestimada e Estela Rossa, também. Olympic Geneve é um assombro nos matinais. Mas sai do perdedor direto para encarar as melhores. E ainda teve pouca sorte no sorteio das balizas. Viva Glória está no mesmo caso. Mas teve felicidade de pegar a baliza um. Outra bela prova que seria melhor ainda se tivesse sido dividida em duas. E o Clássico Escorial, seletiva para o Latino–americano, tem campo interessante. Devil Cat está muito leve e a escala de peso tão favorável pode lhe proporcionar vantagem sobre os rivais categorizados. Vamos conferir.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O galope de saúde do velocista Desejado Magee, de Edson Alexandre e Luiz Alberto Danielian, na Prova Especial Eulógio Morgado, evidenciou mais uma vez a eficiência da equipe do supervisor, Bruno Alexandre, e do treinador José Amadeu Silva. A exibição do filho de Elusive Quality e Glorious Magee, que chegou a sua nona vitória e nove segundos lugares, em 26 saídas, é a síntese de um trabalho bem sucedidoe com ótimos frutos nas últimas temporadas. Desejado Magee largou, correu e venceu como craque. A sua atuação foi daquelas que ficam para sempre na mente de quem ama de paixão os bons cavalos de corrida. Um show que durou apenas 1m12s65. Mas foi o suficiente para tirar o folego e arrancar aplausos dos verdadeiros turfistas.
JOQUEADA DA SEMANA
No dorso de Heinze, do Haras Springfield, o bridão Henderson Fernandes mostrou toda sua categoria. Acompanhou a favorita, Exclusiva Girl,do Haras Sweet Carol, sem lhe dar trégua, mas sempre comas rédeas contidas, sem forçar a sua pilotada. Manhosa, Heinze gostou do apoio recebido e desta vez não fez manhas. Fernandes fechou a passagem de Middle Fast, do Stud Mendonça, e obrigou o seu piloto a perder terreno e arrancar sua conduzida por fora. Milimétrico no cálculo de corrida, conseguiu dominar a de dentro e ter a folga necessária para que a outra rival não chegasse a tempo de dominar a prova. Perfeito. Apesar da derrota de Middle Fast foi um prazer ver o retorno ao turfe da jaqueta vitoriosa de Jorge Mendonça. Um grande turfista, um grande sujeito, um grande amigo. E um grande tricolor.
LAST HOPE – Em cima da hora, na corrida noturna, brilhou mais uma vez a estrela do excelente corredor Last Hope, da Coudelaria Jéssica. Reinou absoluto na Prova Especial Talvez e o seu companheiro de farda, Magic Citizen, formou a dobrada. Belo trabalho de Júlio César Sampaio. Direção precisa de Henderson Fernandes.

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