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Páreo Corrido, por Paulo Gama 03/01/2017 - 10h12min
A DIFICULDADE DE FORMAR PÁREOS NA AUSÊNCIA DA GRAMA
O verão, por si só, com as altas temperaturas, é suficiente para gerar série de problemas para a formação dos páreos. Alguns puros–sangues, alojados aqui no Rio de Janeiro, sofrem demais com o calor, e de um dia para o outro param de suar. É a chamada Anidrose dos Trópicos, moléstia que ataca alguns deles. Além disso, aqueles que possuem maior resistência ao causticante verão carioca, tem parada dura nas competições, contra os cavalos oriundos dos centros de treinamento, localizados na região serrana. É um duelo desigual neste período do ano. Nem mesmo a desvantagem de viajar, que equilibra bastante os confrontos, em outras estações, é capaz de facilitar a vida dos animais residentes no “Rio 40 graus”.
Depois de três semanas com chamadas apenas para a pista de areia, a Secretaria da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro só conseguiu formar dois programas, por semana, na raia de areia. Nada de errado aconteceu. Houve grande esforço por parte dos responsáveis. Alguns páreos foram reabertos. Mas não havia quantidade necessária de cavalos para formar a terceira programação. Durante longos anos, os criadores de cavalos de corrida no Brasil sofreram enorme influência do turfe europeu. Na tradição, na linhagem, ou seja, o pedigree e etc. E raça é tudo na atividade do PSI. Por isso, as coisas fluem melhor na raia de grama. Os reprodutores são adquiridos visando produzir produtos de grama. Pelo simples fato de que as provas nobres são neste terreno. As melhores dotações também. E por aí vai.
Na semana da volta das corridas na grama, o turfe carioca receberá recorde de inscrições nos páreos comuns. Não olhei detalhadamente a chamada. Não posso dizer se ela é boa ou ruim. Admito ter tirado merecidas férias do hipódromo. Mas não tenho dúvida para afirmar, que serão inscritos cavalos suficientes para formar cinco programas na próxima semana. O problema é que neste caso, eles serão achatados em quatro programas de páreos numerosos por ordem superior. Tudo o que dificulta a vida de todo mundo. Dificulta os jóqueis e treinadores, que têm de competir contra um número gigantesco de rivais e vivem de comissões. Dificulta o apostador, que precisa de bola de Cristal para chegar à conclusão de quem vai levar a melhor num páreo de mais de 10 concorrentes. E o que é pior. Dificulta o jogo. Ao contrário do que muita gente pensa, os páreos com muitos animais inibem o ato de apostar. O que motiva quem joga é pensar que tem oportunidade de sucesso nas suas convicções e nos seus estudos.
Tudo é questão de gestão e comprometimento. Se hoje, há 15 dias desta chuva de inscrições, houver estudo detalhado, por parte dos dirigentes, de como agir de forma eficiente estarão prontos para fazer o melhor. Agora, será bola fora esperar para resolver o que fazer em cima da hora. Na hora do almoço, na segunda–feira. Aí, já era. Inês é morta. Este tipo de evento precisa ser estudado com antecedência. Para se tomar a melhor decisão para a atividade turfística. A grama é a chave do sucesso e do fracasso em tudo o que se refere ao turfe no Rio de Janeiro. Por isso, tudo o que envolve a pista de grama, penetrômetro, medida da raia, cerca móvel, quantidade limite de inscrições, etc., devem ser discutidos com proprietários e profissionais de turfe, todos eles muito interessados no assunto. Não basta a “bula do engenheiro” dizendo a tudo e a todos o que fazer.
PSI MELHOR APRESENTADO
A potranca Famosa Carmem, do Haras Santa Rita da Serra, fez galope de apresentação maravilhoso e derrotou sem susto os cavalos, na sexta–feira. Fabrício Borges apresentou em forma exuberante a sua pupila. W.S. Cardoso tranquilo como sempre. Na segunda–feira, Sun Scheidt, do Stud Jambeiro, aos cuidados de Marcos Ferreira, também impressionou pelo estado atlético. Venceu de ponta a ponta, com excelente largada da joqueta Victoria Mota.
JOQUEADA DA SEMANA
Marcelo Gonçalves deu a melhor direção da semana no dorso de Ninho Del Sol, do turfman, André Luiz Dumortout de Mendonça. Gonçalves correu o pensionista de Cristina Resende no fundo do lote, como ele aprecia, e o trouxe por dentro até a entrada da reta. Com destreza, arrancou o seu pilotado, aos poucos, para o centro da pista e fez partida longa e eficiente para alcançar o favorito em cima do disco. Bela joqueada de um jóquei enérgico e que não brinca em serviço.


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