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Páreo Corrido, por Paulo Gama 20/12/2016 - 09h04min
E LÁ SE FOI A PRIMEIRA METADE DO ANO HÍPICO...
O fato de residir no Rio de Janeiro e de exercer as minhas atividades profissionais aqui, não me permite tecer comentários sobre outros hipódromos brasileiros com a mesma propriedade e conhecimento de causa. Viver o dia a dia do turfe é fundamental para ter a medida certa de como as coisas vão. Ir ao prado, frequentar as cocheiras e trocar ideias com os profissionais com certeza facilita melhor juízo do momento vivido pela atividade turfística. Assim são as coisas.
Ao encerrar esta primeira metade do ano hípico de 2.016/17, de longe me parece que o turfe paulista dá bom sinal de sobrevivência. A crise ainda parece ser grave, pelo pouco número de puros–sangues inscritos nos programas semanais. Mas, os picos de confusão diminuíram e já existe luz no fim do túnel. O obvio ululante é que imaginar o turfe no Brasil sem as corridas de Cidade Jardim é como uma partida de futebol sem a bola. O turfe paranaense, aos poucos, também se recupera. Tem gente séria na administração e com isso a credibilidade ajuda na ascensão.
O turfe gaúcho tem sofrido algum prejuízo com o simulcasting internacional da parceria PMU/JCB, que corre paralelo nas reuniões do Cristal, às quintas–feiras. A prioridade para as corridas internacionais, bastante deficitárias, atrapalha o fluxo normal da transmissão. Os turfistas se irritam, com razão, devido a interrupção de cânter, da divulgação dos rateios depois dos páreos, e etc. Aliás, a coordenação dos fusos horários, é sofrível. O mesmo acontece na Gávea, com alteração na ordem dos páreos de uma praça ou outra. Enfim, um samba do crioulo doido.
O turfe carioca vive momento privilegiado em relação aos coirmãos. Tem prêmios baixos em relação ao turfe argentino e uruguaio. Mas, ninguém pode se queixar se for levar em conta a situação dos outros clubes hípicos nacionais. A PMU dá ótimo suporte financeiro mensal, o que ajuda bastante o balanço econômico entre receita e despesa. Mas, para assegurar este suporte, o Jockey Club Brasileiro impõe aos turfistas cariocas enorme abismo cultural.
Depois de alguns anos, o Grande Prêmio Carlos Pellegrini, prova de maior importância da América do Sul, não foi televisionada. Existe um misterioso caso de relação mal resolvida entre a PMU e o turfe argentino. Os seus diretores sabem tão bem quanto qualquer um de nós, que a transmissão das corridas de Palermo e San Isidro seriam sucesso maior do que qualquer um desses hipódromos chinfrins que participam do seu cardápio. Entretanto, por algum motivo obscuro, eles preferem empurrar charretes, trotes atrelados e outras bugigangas por nossas goelas abaixo.
As corridas do Hipódromo de Valparaíso, no Chile, na última segunda–feira, tiveram movimento de apostas de R$ 118 mil, com 13 páreos. Esta conta é bem fácil. Deu média de R$ 9 mil de apostas por páreo. Um dos comentaristas, com falso entusiasmo, disse que foi ótimo o movimento. Ledo engano. Os quatro acertadores do Pick 7 faturaram apenas R$ 640,00, cada um. Ora bolas! Se a corrida fosse em Palermo ou San Isidro, em cada páreo, só as montarias de Francisco Leandro, Altair Domingos e Jorge Ricardo, individualmente venderiam mais do que este valor. Vamos aguardar melhores dias nos simulcasting internacionais.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Magic Citizen, de criação e propriedade da Coudelaria Jéssica, foi o puro–sangue melhor apresentado esta semana. Júlio César Sampaio caprichou no seu preparo e ele não tomou conhecimento da parceirada. Um vareio. Vamos aguardar com ansiedade as suas próximas exibições. Menção honrosa para Sauvignon Blanc, do Stud Vale do Paraíso, bem apresentado por Leonardo Reis e conduzido com perfeição por Edson Ferreira Filho, em temporada muito boa.
JOQUEADA DA SEMANA
Vagner Borges voltou a montar bem. No dorso de Get Runner, de propriedade de Rogério Bauer, e treinamento de Cristina Resende, deu a melhor direção da semana. Correu com simplicidade, de alcance, e acionou sua conduzida no momento certo para obter o triunfo em vistosa atropelada. Menção honrosa para a aprendiz Victoria Mota, muito precisa no dorso de Afetuoso, do Haras Fátima e Márcio, e treinamento do seu avô, Odir Jorge Meneses Dias.


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