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Punição a Jaime Aragão enfraquece função do livro de ocorrências 14/12/2016 - 09h55min
Normalmente evito discutir resoluções da Comissão de Corridas. Afinal, segundo o próprio código nacional de corridas diz: ela é soberana. E este negócio de peitar reis, imperadores, faraós e altezas reais não é tarefa para nós pobres mortais. Mas, ao ler o Espaço do Leitor do nosso site, vi tantas pessoas indignadas com a decisão dos nobres comissários de suspender o treinador Jaime Moniz Aragão que decidi entrar no coro a favor do profissional. Jaime Moniz Barreto Aragão é filho do saudoso, J.M. Aragão, um grande amigo que tive no meu início de carreira, e incentivador dos jovens repórteres. “Pois é “seu” Jaime, o filho grandão e de andar desajeitado, está dando trabalho a gente por aqui”.
O Aragão pai era um homem sensível, culto, intelectualizado e dono de um bom humor cínico, sarcástico e espirituoso. Foi ótimo treinador de cavalos de corrida. Jaiminho é um garoto de temperamento dócil, gentil, bem mais sociável do que o seu pai, um homem de coração bom, mas de temperamento áspero e bastante rabugento. Presidente da Associação de Profissionais de Turfe, Jaime realiza toda segunda–feira um trabalho eficiente e inestimável na Secretaria da Comissão de Corridas. Representa a classe, luta por seus direitos e ajuda bastante os comissários na formação dos páreos, pois é exímio conhecedor da tabela de chamadas dos páreos.
Jaiminho atende todos os colegas com educação, paciência e faz o mesmo pelos agentes de montaria. Já me acostumei, toda segunda–feira, a telefonar para ele, por volta do meio–dia, para anotar os páreos que foram dados e depois passar para os treinadores Dulcino Guignoni, Jairo Borges e Venâncio Nahid, que me ligam até as 13h para saber quais as provas dos seus pensionistas que foram dadas.
Jaime Aragão utiliza como poucos o Livro de Ocorrências, instrumento de defesa dos profissionais, jóqueis e treinadores, para explicar as enormes variantes de das corridas de cavalos. Além disso, nas entrevistas, Jaime sempre dá informações preciosas, que inclusive baixam os rateios dos cavalos por ele treinados. No caso de Data Certa, que causou esta injusta suspenção por diversidade de performance, ele foi incisivo. No livro de ocorrências deu claríssimas explicações. E para evitar qualquer problema posterior, no dia da corrida, pediu para dar entrevista poucos minutos antes da largada. Na conversa com o repórter do JCB alertou aos apostadores que esperava disputar o triunfo com a égua e os motivos para tanta confiança na reabilitação.
A suspensão do líder da classe, depois dele utilizar todos os meios e recursos possíveis e disponíveis para se defender, deixa bem fragilizados e indefesos todos os profissionais. De que vale o tal livro de ocorrências? Para que disponibilizar um entrevistador se nada do que o entrevistado disser vai ser levado em conta? Jaime está no melhor momento de sua carreira. Só faz tentar ganhar corridas. Por que punir um cara que trabalha de forma incansável para ganhar? Tenho certeza que até mesmo quem o puniu sabe tanto como qualquer dos seus defensores, que não houve dolo. O turfe é apaixonante por causa da sua imprevisibilidade. Não tem nada a ver com esporte de precisão, em que raramente os favoritos e donos das melhores marcas perdem. As maiores vítimas desta suspensão, além do próprio Jaime, serão os profissionais e a Comissão de Corridas, que não poderão contar com seu precioso trabalho semanal.
por Paulo Gama

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