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Páreo Corrido, por Paulo Gama 13/12/2016 - 09h49min
ALGUÉM SABE QUANTOS TURFISTAS AINDA EXISTEM NO BRASIL?
Nos últimos anos, todos nós perdemos alguns amigos turfistas levados pela fatalidade do tempo. E a cada despedida não se consegue perceber a presença de peças de reposição para os seus lugares. O público interessado nas corridas de cavalo, em todo mundo, tem maioria de pessoas de idade avançada. É fenômeno natural e compreensível este interesse no esporte pela galera da terceira idade. Por isso, se faz necessário renovar sempre o grupo de aficionados, com estratégias de marketing e promoções. O objetivo é a aquisição de filhos, netos, sobrinhos e primos dos indivíduos que escreveram as páginas anteriores do turfe. Seja na condição de criador, proprietário, profissional, jóquei ou treinador, ferrador, cavalariço, domador, fornecedor de material, vendedor de ração, transportador de cavalos, ou apenas e tão–somente turfista. É espécie de transferência de bastão entre as gerações.
Quantos turfistas existem no Brasil atualmente? Esta pergunta surgiu na minha cabeça, na madrugada de segunda–feira, depois de assistir o início das transmissões das corridas da França. Trote, charrete, galope, etc. Cheguei à conclusão que são bem poucos. Ou então, os turfistas estão bem escondidos dentro de suas casas. A chamada Pedra Única serviu de escudo para esconder o fracasso absoluto nas apostas francesas. No último páreo foram divulgados os movimentos de apostas da Gávea, Madalena e Gulfstream apenas. Misteriosamente não se falou do resultado financeiro da parafernália francesa. Ora, alguns agentes credenciados ofereceram até café da manhã. E para motivar os turfistas teve queijo camantbert, morango com chantilly e um mais empolgado ofereceu até champanhe nacional (francês) às 10h da manhã. Uma fonte fidedigna me garantiu, entretanto, que o movimento total não passou de míseros R$ 35 mil. Não deu para pagar a despesa do paté.
As divulgações da PMU foram didáticas, bem explicadas e de fácil entendimento. A equipe de comentaristas é jovem, dinâmica e fez o seu papel. André Rodrigues sabe muito de turfe e tem se esforçado bastante. Fica à vontade com o microfone, estuda a lição de casa e sufoca o público com tanta informação. Nas corridas então é um show. Diego Guedes tem boa voz, está empolgado com a oportunidade e tem se saído bem. O seu pai foi meu amigo e um grande turfista. Lucas Eller, um excepcional marcador de corrida, é eclético, simpático e, com surpreendente rapidez, se adaptou as novas funções. É um belo time. Mas não pode fazer milagre com o abismo cultural que separa o turfe francês do nosso.
A idade da maioria do atual público turfístico brasileiro não permite que ele tenha paciência com os nossos próprios problemas domésticos. A sistemática queda de sinal do site, a falta de energia dentro do estúdio de televisão durante as transmissões, que fez a equipe sumir do mapa, com o atraso das corridas, com a absurda confusão dos horários dos vários hipódromos. E muito menos, a galera da terceira idade, a esta altura do campeonato consegue ter simpatia por tantas mudanças. O que faz a turma do sereno se sentir que nem pinto no lixo é o tradicional simulcasting com Cidade Jardim, com páreos de cinco cavalos, que venderam quase 10 vezes mais do que todas as charretes francesas.
Agora se quiserem acenar com belas novidades. Transmitam ao vivo o Grande Prêmio Carlos Pellegrini, no próximo sábado. Coloquem na grade da empresa os páreos de San Isidro e Palermo, em Buenos Aires, com Francisco Leandro, Altair Domingos, Jorge Ricardo e José Aparecido. Por que será que a PMU não fala em Argentina? Temos tanta coisa em comum com nossos Hermanos. Gostamos de futebol, de churrasco e de praia. As culturas são parecidas e as nossas diferenças pessoais também. Nossas fronteiras são tão próximas. Por que procurar tão longe as soluções para nossos problemas? Rio/São Paulo. Gávea/Cidade Jardim. Brasil/Argentina. Gávea, Cidade Jardim, Cristal, Tarumã, San Isidro e Palermo. Esta é a equação perfeita. A fórmula mágica que facilitaria bastante o trabalho da boa equipe formada pela PMU. Agora, fazer a galera que gosta cachaça tomar champanhe. E a turma da feijoada comer caviar, a esta altura da vida. Vai ser barra pesada!
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Guaruman, criado no Stud La Nave Va, e com a farda simpática do Haras Planície, do grande turfista, Eduardo Saldanha, fez exibição de gala na Prova Especial Daião. Apresentado em forma exuberante por este ótimo treinador, Jaime Moniz Barreto Aragão, na melhor fase de sua carreira, o filho de Siphon e Ukelele chegou com justiça ao batismo clássico. Teve direção inspirada deste ótimo bridão Muriel Silva Machado, profissional que aos poucos atinge a maturidade. Gostaria de fazer menção honrosa ao treinador José Ferreira Reis pela beleza e resultado de Dirigible, do Stud Dona Lúcia, que alcançou sua segunda vitória consecutiva. Outro profissional de gabarito, no ápice de sua carreira. Parabéns.
JOQUEADA DA SEMANA
Wesley Silva Cardoso escolheu esta semana para desfilar todo o seu ótimo repertório. Ganhou sete carreiras com a mesma simplicidade de sempre para correr os seus conduzidos. Russo Demolidor, do Haras Fátima e Márcio, e Mayakoba, do Stud Golubcik Stables, foram os pontos altos de uma semana em que desequilibrou. Esteve impecável também no dorso de Huber, do Stud H&R, e Versilia Star, da Coudelaria Barcelona. Dois páreos em que mostrou todo seu talento de correr na ponta.


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