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Páreo Corrido, por Paulo Gama 06/12/2016 - 10h49min
NO TURFE CARIOCA, A HORA E A VEZ DO HARAS ANDERSON
O Haras Anderson vive momento mágico no ano hípico de 2.016/17. A qualidade da coudelaria como campo de criação, o sucesso na condição de proprietário e a sistemática presença no pódio das provas clássicas não chega a ser novidade. Pelo contrário. Há muitos anos, os seus titulares buscam sempre os melhores caminhos a procura da excelência. Mas, no momento em que algumas coudelarias importantes do turfe nacional se desfazem do seu plantel na totalidade, o entusiasmo dos filhos e dos netos do querido “seu Weber” não permitiram que ele tomasse o mesmo rumo. A alegria da família também é a nossa alegria. E no Haras Anderson, o amor dos filhos pelo puro–sangue de corrida e, mais recentemente, dos netos, tem possibilitado um investimento no sentido contrário ao da crise do esporte no país. Graças a Deus!
Nos últimos meses, virou rotina nas raias cariocas, os triunfos das fardas do Haras Anderson, do Stud Gold Horse, do Stud Sweet Dani e Haras Sweet Carol. Na areia, o fantástico Chronnos. Na grama, o líder de geração, El Shaklan. E, nos últimos meses, a sequência de Emperor Roderic, Elladia, Estella Rosso, Exclusiva Girl, entre tantos outros. E, nesta semana, a confirmação absoluta do momento especial do stud através de dois animais de pura exceção. Espiritus, do Haras Sweet Carol, um filho de Drosselmeyer, criado no Haras Anderson, que deu exibição de gala no páreo de perdedores. Mas, que deixou a nítida impressão de que irá muito longe nas pistas. Que beleza de alazão!
Mas o destaque da semana turfística ficaria por conta do castanho Thunder Cat, criado no modelar e saudoso Stud Alvarenga, e com a farda do Stud Gold Horse. Depois de fazer estreia instigante entre os perdedores, num triunfo a puro galope, ele foi inscrito contra alguns dos melhores velocistas do Brasil. Apresentado em forma exuberante por Adélcio Menegolo e montado com lucidez e tranquilidade pelo bridão Ilson Correa, o filho de Desejado Thunder pulverizou os rivais, de ponta a ponta. Aos verdadeiros turfistas só resta a ansiedade de esperar, a cada semana, por nova estreia dos defensores oriundos do centro de treinamento de Friburgo. Espetacular!
JOQUEADA DA SEMANA
Alguns pilotos tiveram ótimo desempenho esta semana. Valdinei Gil ganhou oito páreos, Ilson Correa brilhou também. Mas, no dorso da potranca Figeac, de criação e propriedade do Haras Santa Rita da Serra, e treinamento de Roberto Solanês, Henderson Fernandes, sem dúvida, deu a melhor condução do conjunto de programas. Frio e paciente para esperar a passagem, preciso e enérgico nos momentos decisivos, Fernandes demonstrou ter chegado a maturidade profissional.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Empate entre Espiritus e Thunder Cat, ambos apresentados em estado atlético magnífico por este excepcional treinador Adélcio Menegolo. O cara nasceu para o ofício. O passeio de Espiritus no padoque, antes da estreia na última sexta–feira, não deixava dúvida sobre a dificuldade dos rivais para superá–lo. Na pista, a sua beleza confirmou a qualidade. No clássico do quilômetro, Thunder Cat, no cânter no sentido contrário, deixou bem claro que seria uma tremenda encrenca quando virasse para disputar a carreira de verdade. E o que se viu foi um furacão em alta velocidade.
PMU FRANÇA – Existe visível abismo cultural entre o turfe francês e o brasileiro. Este tema é dos mais interessantes e precisa ser desenvolvido mais detalhadamente. Mas, “en passant”, devo dizer que na França prevalecem provas de longas distâncias, ao contrário, daqui, com chuvas de páreos pela variante e no tiro curto. Nos treinos, quando lá estive, em 1994, para acompanhar Much Better, não vi nenhum treinador com cronômetro na mão. Nos centros de treinamento de Chantilly era possível ver grupos de cavalos galopando largo, no preparo para disputar páreos de 2.800, 3.200, 4.000 metros, e, por aí afora. No dia do Arco do Triunfo teve apenas uma prova clássica de velocidade. Os outros páreos eram todos em longos percursos.
O nosso espetáculo turfístico se assemelha muito mais ao estilo do turfe norte–americano e argentino. Agora, apostar na pedra de lá, na França, pode ser lucrativo e promissor. Os jogos com pote nas apostas também devem motivar o apostador brasileiro. Jogar pouco com chance de ganhar muito sempre será o objetivo ideal do jogo. Os turfistas daqui do Brasil, com exceção da turma da elite, dificilmente vão aprender a gostar de trote, charrete e páreos que são autênticas maratonas. Espero estar enganado. Com relação as apostas pode ser viável. Não se pode subestimar a PMU, gigante do assunto no âmbito mundial. Entretanto, não tenho dúvida, que seria mais fácil atrair os brasileiros para apostar nas corridas e Palermo e San Isidro. Com quatro jóqueis compatriotas, de enorme fã clube por lá, eu não tenho dúvida disso. Vamos voltar ao tema em breve.


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