O primeiro GP Latinoamericano foi disputado em 1981, no Uruguai, e marcou a vitória do craque brasileiro Dark Brown, do Haras Rosa do Sul. Ao longo dos anos, grandes campeões conquistaram a prova mais importante do continente e, em seus campos, quase sempre, os melhores corredores dos países desta região do planeta.
Na galeria de vencedores, campeões como Duplex, Derek, Falcon Jet, Old Master e Much Better, entre os brasileiros, e estrangeiros como Potrillón, Lutz e High Master. Mas, com o êxodo inevitável dos melhores corredores sul–americanos, levados pelos dólares, a prova vem perdendo muito no aspecto técnico.
Este ano, por exemplo, craques como Eu Também, Dono da Raia, Tudo Azul, Storm Mayor, Storm Military, Mooner, Naipe Marcado e Calipsean Din, entre outros, não vão participar. Vamos conhecer um pouco da história da grande carreira.
A criação da entidade maior da América do Sul
Sábado, 8 de dezembro de 1979. A festa de reabertura do Hipódromo de San Isidro reuniu os principais dirigentes do turfe sul–americano. No encontro, verificou–se a necessidade da criação de uma entidade que servisse, fundamentalmente, à troca de informações. As necessidades de cada clube, em maior ou menor escala, era o assunto predominante. Então, do consenso, surgiu a iniciativa da criação da Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs. Como objetivo principal, a união do turfe no continente.
Os primeiros dirigentes
Dois meses após a fundação da entidade, foi eleito presidente Alfredo de Castro Pérez, presidente do Jockey Club de Montevidéu. Em suas primeiras palavras, afirmou que a Associação tinha como meta prioritária a unidade efetiva, sólida e transcendente, não apenas nas áreas técnicas, mas também no que se referisse aos aspectos políticos, sociais e econômicos. O arquiteto Roberto Vasquéz Manstilla, presidente do Jockey Club de Buenos Aires, assim como Julian Abdala e Hernani Azevedo Silva, presidentes dos Jockeys Clubs da Venezuela e São Paulo, foram eleitos vice–presidentes.
O primeiro GP Latino, dois anos depois
Na mesma reunião em que foram eleitos os primeiros dirigentes da entidade, foi instituída a criação do GP Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs. E, também, concedida ao Uruguai a honra de sediar a edição inaugural da mais importante prova do turfe do continente. A data marcada para o primeiro Latino foi 1° de março de 1981. Ficou também decidido que a realização do evento seria alternada entre os países participantes.
Os melhores cavalos e um dia inesquecível
Sem dúvida alguma, foi um dos dias mais memoráveis da história do turfe sul–americano. O Hipódromo de Maroñas recebia um público fantástico e, na raia, os melhores corredores. Os argentinos Regidor e Mountdrago, que decidiram o GP Carlos Pellegrini no photochart, eram os favoritos. Outro argentino, Sunup, havia vencido em janeiro o GP José Pedro Ramirez, a maior carreira do turfe uruguaio, e o brasileiro Dark Brown, que ganhara os GPs Derby Paulista e São Paulo, havia chegado em terceiro no Pellegrini, para Regidor. O tordilho Ventaneiro também representava nosso país. No campo, ainda, o super craque venezuelano Guadamil, já com 9 anos, detentor de uma incrível soma em prêmios ganhos.
A prova sensacional e a vitória brasileira
O páreo foi espetacular, com nuances que empolgaram a multidão presente a Maroñas. Várias foram as alternativas, mas, no meio da reta final, Mountdrago livrara boa vantagem e parecia o vencedor, quando, em atropeladas fulminantes, Dark Brown e Lotus passaram pelo ponteiro e decidiram a prova, com vantagem de um quarto de corpo para o defensor do Haras Rosa do Sul. Logo após o disco, o piloto Walter Báez soltou uma das rédeas e cumprimentou Antônio Bolino, num gesto aplaudido por todo o público.
A supremacia brasileira ao longo dos anos
No ano seguinte, em 1982, a prova foi disputada no Hipódromo de San Isidro, na Argentina, e mais uma vez um cavalo brasileiro levou a melhor. Prevaleceu o craque Duplex, derrotando os argentinos New Dandy e Especulante. Em 1983, Cidade Jardim foi a sede da competição e houve o tricampeonato brasileiro, com a vitória do alazão Derek sobre a chilena Salinidad. Em terceiro lugar finalizou Kenético. Nestes 21 anos de disputa (não foi realizado de 2000 a 2003), ocorreram oito vitórias brasileiras, cinco peruanas, cinco chilenas e quatro argentinas. Além dos três primeiros êxitos, o Brasil teve como ganhadores Old Master (1985 – Gávea); Falcon Jet (1991 – Cidade Jardim); Much Better (1994 – La Plata); Much Better (1996 – Gávea) e Jimwaki (1998 – San Isidro). O último ganhador foi o argentino Latency, em Maroñas.
O tumultuado palco do GP deste ano
No próximo sábado o XXIII GP Latinoamericano será disputado no Hipódromo de La Plata, o terceiro da Argentina. Problemas entre dirigentes e empregados quase tiraram a prova de El Bosque, mas entendimentos aconteceram e todos estão torcendo pelo sucesso da competição. Nosso Jorge Ricardo estará no dorso de Good Report, com o qual venceu o GP José Pedro Ramírez, em janeiro, no Uruguai. Sua capacidade profissional e a boa categoria do corredor formam uma dobradinha de luxo. Que a prova seja vibrante e que Fado, de criação da Fazenda Mondesir e propriedade do Stud Eternamente Rio, único representante brasileiro, faça bonito.
A lista completa dos ganhadores
1981 Maroñas – 1° Dark Brown (Brasil) – 2° Lotus (Uruguai)
1982 San Isidro – 1° Duplex (Brasil) – 2° New Dandy (Argentina)
1983 Cidade Jardim – 1° Derek (Brasil) – 2° Salinidad (Chile)
1984 Hipódromo Chile – 1° High Master (Chile) – 2° Momento (Chile)
1985 Gávea – 1° Old Master (Brasil) – 2° Mendelson (Chile)
1986 La Rinconada – 1° Lutz (Peru) – 2° Secuencia (Chile)
1987 Monterrico – 1° Galeno (Peru) – 2° Negrito (Peru)
1988 Club Hípico – 1° Dorticós (Chile) – 2° Misilero (Peru)
1989 La Plata – 1° Savage Toss (Argentina) – 2° Octante (Argentina)
1990 Hipódromo Chile – 1° Edipo Rey (Chile) – 2° El Duce (Peru)
1991 Cidade Jardim – 1° Falcon Jet (Brasil) – 2° Flying Finn (Brasil)
1992 San Isidro – 1° Potrillón (Argentina) – 2° Dilatado (Chile)
1993 Monterrico – 1° Stash (Peru) – 2° Cayumanque (Chile)
1994 La Plata – 1° Much Better (Brasil) – 2° Enfático (Chile)
1995 Club Hípico – 1° Patio de Naranjos (Chile) – 2° El Sembrador (Argentina)
1996 Gávea – 1° Much Better (Brasil) – 2° Gran Ducato (Chile)
1997 Hipódromo Chile – 1° Prepo (Chile) – 2° Alpino Fitz (Argentina)
1998 San Isidro – 1° Jimwaki (Brasil) – 2° Sidón (Chile)
1999 Monterrico – 1° Madame Equis (Peru) – 2° Sandra (Peru)
2004 Hipódromo Chile – 1° Comando Intimo (Peru) – 2° Reizinho (Brasil)
2005 San Isidro – 1° Don Incauto (Argentina) – 2° Cefalú (Chile)
2006 Maroñas – 1° Latency (Argentina) – 2° Necessaire (Uruguai)
por Marco Aurélio Ribeiro