O Grande Prêmio Diana (Grupo I), prova principal do próximo domingo na Gávea, tem toda uma tradição no turfe carioca e, na galeria de vencedoras, éguas fantásticas que marcaram época nas pistas.
Disputado até 1962 na distância de 2.400 metros, grama, teve o percurso reduzido para 2.000 metros, também na grama, a partir de 1962. Em 1979, quando foi criada a Tríplice Coroa feminina, passou a ser a segunda prova na busca do cobiçado título, mas em toda sua história, contou com campeãs que nela se sagraram vencedoras e depois ganharam o GP Cruzeiro do Sul. Isso, também, contando com vitória no Henrique Possolo. Portanto, extra–oficialmente, corredoras tríplices coroadas.
Vamos conhecer um pouco da maravilhosa história carioca desta tradicional carreira.
Tirolesa foi tetracampeã.
Desde 1932, quando a brasileira Valence (Thermogene e Bright Eyes) ganhou na Gávea, o GP Diana passou a ser encarado como um grande desafio para éguas de 3 anos e mais idade. Os grandes criadores e proprietários marcavam no calendário clássico como prioridade a competição. Em 2.400 metros, grama, pista e distância clássicas européias, a prova ganhou importância fundamental. A argentina Viola foi a primeira tricampeã, ao vencer a carreira de 1939 a 1941. Outra marca espantosa foi conquistada pela também argentina Tirolesa, que venceu de 1948 a 1951, conseguindo o tetracampeonato e entrando para a história.
Na década de 50, só para potrancas.
No início da década de 50, o GP Diana teve a chamada modificada e passou a ser disputado apenas por potrancas de 3 anos. As primeiras ganhadoras nesta fase foram as consagradas Platina, Okinawa, Joiosa, Courageuse, Leocadia, Uja, Turqueza e a incomparável Emoción.
A redução da distância ocorreu em 1963.
Em 1962 o GP Diana foi disputado pela última vez na distância de 2.400 metros e teve como vencedora a potranca Althea, filha do notável Fort Napoleón e Gravana. No ano seguinte começou a ser corrido em 2.000 metros, grama e a primeira ganhadora em dois quilômetros foi Diese, filha de Swallow Tail e Nuvem, da criação Peixoto de Castro.
A criação da Tríplice Coroa feminina.
Em 1979, o GP Marciano de Aguiar Moreira, que era disputado em 2.400 metros, grama, para éguas de 3 anos e mais, passou a ser destinado apenas a potrancas de 3 anos e foi criada a Tríplice Coroa feminina. A primeira prova seria o GP Henrique Possolo, na milha; a segunda o GP Diana, em 2.000 metros e, finalmente, o Marciano de Aguiar Moreira, a etapa final na busca pelo título. No primeiro ano em que as potrancas disputaram a Tríplice Coroa, o GP Diana foi vencido por Apple Honey (Falkand e Irish Song), que viria ser a mãe do fenomenal Itajara.
Venceram o Diana e foram tríplice coroadas.
Desde 1979 corredoras de alta categoria venceram o GP Diana, mas apenas três delas conseguiram o tão almejado título da Tríplice Coroa. A primeira foi Indian Chris (Ghadeer e Ocasião) em 1991, marcando ponto para Fazenda Mondesir. Depois, em 1998, foi a vez de Virginie (Legal Case e Misty Moon) e dois anos depois, sua irmã Be Fair (Fast Gold e Misty Moon), ambas de criação e propriedade do Haras São José e Expedictus.
Bateram na trave.
Algumas das mais destacadas corredoras do turfe brasileiro perderam o GP Diana e a chance que conquistar a Tríplice Coroa. O caso mais incrível foi o da égua Bretagne (St.Chad e Oscilação) de criação e propriedade de Fazenda Mondesir. A excepcional corredora venceu os GPs Henrique Possolo, Marciano de Aguiar Moreira, São Paulo, Taça de Ouro, Oswaldo Aranha e outros, num total de 11 vitórias, mas foi derrotada no Diana de 1984 por Fantasie.
Com Rasharkin, a terceira prova foi triste.
Com a égua Rasharkin (Vacilante II e Malinda), criação do Haras Santa Maria de Araras, o título da Tríplice Coroa escapou por pequena diferença na prova final, em 2.400 metros. A corredora, montaria de Gonçalino Feijó de Almeida, passou bem pelo GP Henrique Possolo e depois venceu o Diana em grande estilo, no ano de 1987. Mas, no GP Marciano de Aguiar Moreira, foi batida por pequena diferença para Classista, montada por Paulo Cardoso. A ganhadora pertencia ao matemático Oswald de Souza, que naquela oportunidade deve ter errado o cálculo, pois sua égua surpreendeu a todos com aquela conquista.
Mais uma candidata e a esperança renovada.
Este ano o Santa Maria de Araras entra na disputa com Que Fuerza, valorosa ganhadora do GP Henrique Possolo, arranhando o recorde de Gold Pleasure. Se vencer domingo, vai ao GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (agora a última etapa, em lugar do Marciano de Aguiar Moreira), podendo dar a seu criador e proprietário o primeiro título e entrando para a galeria de campeãs como a quarta coroada em 29 anos de disputa.
por Marco Aurélio Ribeiro