A 15 dias da realização da mais importante prova do turfe sul–americano, o Hipódromo de La Plata passou por um verdadeiro caos no dia de ontem, tendo como personagens principais a natureza e o sindicato de empregados em estabelecimentos hípicos. Um violento temporal, com ventos fortes, alagou as dependências do hipódromo, inclusive as instalações onde funciona a central de apostas e o centro telefônico. Os empregados recusaram–se a trabalhar diante das condições, temendo risco, segundo eles, de serem eletrocutados. A reunião foi cancelada e a discussão entre os funcionários e a direção da entidade tomou conta dos noticiários.
Gerardo Caserano, administrador de La Plata, informou que a suspensão das corridas foi determinada pelos funcionários, uma vez que a pista foi revisada e estaria em condições e o movimento de apostas não seria afetado, uma vez que 75% do que é jogado, é proveniente das agências. Segundo ele, não havia risco, mas os empregados aproveitaram a situação para, mais uma vez, criarem problema. Caserano afirmou, também, que o prejuízo para o público, profissionais e proprietários, foi enorme.
Por sua vez, Omar Alegre, secretário da gremial (sindicato) dos empregados, tinha outra visão. Para ele, a decisão de cancelar as corridas foi tomada de comum acordo com a administração, que depois negou o fato. Todos os setores foram afetados pela chuva e a pista perdeu muita areia e, segundo ele, não seria recomendável que os trabalhos matinais de hoje fossem realizados. Alegre citou que, há uma semana, houve um incêncio na central telefônica, que está funcionando de forma precária. De forma irônica, chegou a comentar que La Plata estava pronto para o Latinoamericano.
Marcelo Arce, que representa jóqueis e treinadores, também se manifestou a respeito do cancelamento das corridas e disse que ficou provado o caos em La Plata, onde são os funcionários que mandam. Para ele, o hipódromo tinha totais condições de realizar a corrida, normalmente. Segundo Arce, existem motivos políticos por trás da decisão tomada ontem.
Dirigentes dos dois principais hipódromos argentinos (Palermo e San Isidro) mostraram solidariedade ao hipódromo platense e se colocaram a disposição para o que for preciso no sentido de que o GP Latinoamericano possa ser realizado sem problemas.
por Marco Aurélio Ribeiro