Há 35 anos começou, de forma inusitada, a carreira do locutor Pedro Alvarez, a voz que os turfistas argentinos estão acostumados a ouvir nos três principais hipódromos da terra do tango. Funcionário do Hipódromo de La Plata, no setor que atendia às agências de apostas, muita vezes foi obrigado a "narrar", pelo telefone, quando as transmissões televisivas saíam do ar, o que era freqüente na década de 70. Praticamente, em todas as reuniões, "Pipi", como era carinhosamente conhecido, narrava um ou dois páreos.
O destino acabou lhe dando a grande oportunidade, pois o locutor oficial de La Plata ia se aposentar e não havia substituto. Foi levado ao conhecimento dos dirigentes que um funcionário estava acostumado a transmitir os páreos pelo telefone e ele foi submetido a um teste, ao vivo. Naquele dia, narrou três páreos e foi efetivado no cargo oficial do hipódromo plantense.
Dez anos depois veio a oportunidade em um grande centro, pois foi convidado pelo Hipódromo de San Isidro. Na década de 90, também passou a transmitir no Hipódromo Argentino de Palermo. Suas duas marcas registradas são o "laaarrrgáron" e o "E cruzán lo disco". Figura extremamente simpática, Pipi Alvarez já esteve no Brasil, convidado por José Lírio Aguiar.
Alvarez afirma que nas carreiras em 1.000 metros, em linha reta, usa o monitor para poder observar os primeiros 300 metros, já que a visão é completamente tapada pela tribuna nova. Diz que a cabine fica 200 metros após o disco de chegada e em finais difíceis, é preciso ter todo cuidado para não errar. São 35 anos de profissão e uma dedicação enorme. Tem o carinho do público, mas reconhece que é uma profissão difícil, pois quando se erra, não há perdão, principalmente porque apostas estão em jogo.
por Marco Aurélio Ribeiro