Aos 33 anos de idade, feliz, casado com Melissa, três filhos, temperamento tranqüilo, excelentes resultados na carreira, Marcelo Cardoso (na realidade, é Marcello, mas vamos deixar com um “ele” só), está de bem com a vida.
Bicampeão do GP Brasil (Queen Desejada, em 2001, e Potri Road, em 2002 – ambos treinados por Dulcino Guignoni), contratado do Haras Nacional e da Coudelaria Jéssica, o piloto viveu uma rápida e vitoriosa experiência nos Emirados Árabes, onde passou três semanas e conseguiu um significativo êxito com Imperialista, de criação do Haras São José do Bom Retiro e propriedade do Stud Estrela Energia, a coudelaria responsável por esta curta empreitada.
Protagonista de dois episódios recentes, onde demonstrou toda a habilidade que possui, o piloto ficou conhecido mundialmente com os seus malabarismos mostrados pelo YouTube, mais famoso site de vídeos do mundo. Esta semana o Raia Leve conversou com ele.
Marcelo, como foi esta sua ligeira passagem pelo Oriente?
Não poderia ter sido melhor, pois ganhei logo uma prova importante montando Imperialista, derrotando ótimos cavalos e excelentes jóqueis. Foi uma experiência nova e fiquei muito feliz. O turfe por lá acontece apenas durante quatro meses, mas é coisa de Primeiro Mundo. É realmente impressionante. Queria aproveitar e agradecer aos titulares do Stud Estrela Energia pela oportunidade, que só engrandeceu a minha carreira.
O que mais lhe chamou a atenção por lá?
A organização deles é fantástica e recebem os estrangeiros com todas as facilidades. Na cocheira onde ficam os animais existe uma casa confortável, além de refeitório de classe para todos. Eu e Cosminho nos hospedamos em um hotel, mas as acomodações que nos ofereceram eram as melhores.
E o contato com os melhores jóqueis do mundo?
Foi interessante vê–los montar. Alguns com posições e tocadas diferentes das nossas, mas todos com grande categoria. Observei os melhores profissionais europeus em atividade e eles realmente têm muita categoria. Vi de perto, também, grandes corredores.
E Dubai, é tudo isso que falam mesmo?
Sem dúvida alguma e não deve nada às principais metrópoles do planeta. Eles estão sempre construindo e existem shoppings em cada esquina. São prédios enormes, luxuosos e com tudo o que você vê nas maiores cidades do mundo. Não cheguei a ver tudo, mas o que pude observar me deixou encantado.
E os sheiks, são mesmo apaixonados pelas corridas?
Eles adoram cavalos e tentam comprar os melhores. Perto do centro da cidade, passando de carro, pude olhar, de longe, um dos centros de treinamento da Godolphin e fiquei impressionado. Eles têm alguns no deserto, para onde parecem ter mandado o Imperialista, depois de comprá–lo. Também se comenta, por lá, que o próprio Sheik Maktoum treina os cavalos.
Marcelo, esta não foi sua primeira experiência internacional, certo?
Não, pois estive nos Estados Unidos duas vezes, levado pelos titulares do Stud Rio Aventura e Haras Anderson. Poderia até ter montado por lá, mas preferi apenas observar as corridas. Na Argentina, montei em dois GPs Pellegrini e em duas milhas internacionais. Foram ótimas experiências.
Não poderia deixar de tocar no assunto que virou atração mundial, ou seja, as duas vitórias incríveis que você conquistou com Arte Concreta e Brave Tide. Como foram?
Com o Arte Concreta, fui pego de surpresa, pois ele vinha fácil na frente e quando entrou na reta final, bateu na cerca e, imediatamente, saiu abrindo e me vi no chão. Na hora, pensei, “se cair aqui vou virar chiclete”. Procurei voltar para cima e evitar a queda. Quando me equilibrei, vi que ainda estava em quarto lugar e voltei a exigi–lo. Graças a Deus, consegui vencer. Já com o Brave Tide, eu meio que esperava, pois ele sempre foi um cavalo arisco e já tinha feito aquilo comigo no Vale do Itajara. Mas foi pior, pois cheguei a ver a cerca externa muito próxima. Felizmente, como no primeiro caso, terminou tudo bem e ainda foi possível ganhar o páreo. (vídeos disponíveis em http://www.youtube.com/watch?v=mYPXlmOnhxY&mode=related&search=
e http://www.youtube.com/watch?v=8nfZMgvBfEY&mode=related&search=).
Não resta dúvida que sua passagem pela Escola de Circo ajudou?
Certamente. Quando era pequeno pensei em me tornar trapezista e me exercitava muito. Tenho esta facilidade e isso me ajuda na profissão. Mas espero não ter que passar por situações semelhantes.
Marcelo, como você analisa a sua carreira?
Sinto–me feliz e sou um cara tranqüilo. A família é fundamental para que consiga levar com certo sucesso a profissão. Minha mulher, Melissa, e meus filhos me dão o suporte necessário para seguir gostando do que faço. É uma vida sacrificada, com trabalho diário, quase sem poder aproveitar os fins de semana, mas dedico a eles o tempo que sobra. Sou muito grato aos proprietários e profissionais que me apóiam e procuro retribuir com a maior dedicação possível.
E seu pai, continua firme na profissão?
Ele sempre foi fundamental na minha carreira e segue treinando e se divertindo. Está com alguns boxes no CT Dedo de Deus e na segunda–feira ganhou um páreo bonito, apresentando Paxton. Ele me ensinou muito e sou grato demais. É um espelho, sem dúvida.
por Marco Aurélio Ribeiro