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O Grande Prêmio Bento Gonçalves 2026 – Adroaldo Guerra Filho será uma festa de ídolos.
A começar pelo nome da prova, que homenageia aquele que foi uma das maiores unanimidades do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul e que, pelo seu tamanho, pelas suas ideias e frases marcantes, transcendeu gerações e as barreiras do estado gaúcho: o Guerrinha.
Na pista, outro ídolo: Jorge Ricardo, o jóquei recordista mundial. Não há outro jóquei com mais vitórias do que ele. São 13.383 discos cruzados como vencedor. É um número impressionante, que por óbvio se torna um cartão–postal do nosso país. Um belo cartão–postal.
A homenagem ao Guerrinha é póstuma, e a morte de alguém é inevitavelmente um momento de tristeza. Mas quando falamos sobre o Guerrinha, é difícil não sorrir. No velório dele, conversando sobre ele, eu e o grupo que estava ali começamos a rir. A história do cavalo que namorava sozinho, por exemplo, é sensacional. O cavalo foi bem em alguns treinos, então o inscreveram para correr. O sócio do Guerrinha no cavalo, o Mário Sérgio (saudoso treinador do Internacional), vendeu o carro na época para apostar no animal.
Incrivelmente, ele não confirmou na pista o que tinha mostrado nos treinos. Chegou lá atrás, bem longe dos primeiros. O Guerrinha sugeriu que então não trabalhassem o cavalo na semana da corrida seguinte. E o animal, mesmo sem ter trabalhado, brincava o Guerrinha, perdeu pra ambulância. Mário Sérgio, já envaretado com a situação, queria o fim do cavalo.
Até que foram ver e o danado do animal andava namorando sozinho. Resolveram a situação com uma argola. E depois deu tudo certo.
Sorrisos serão inevitáveis no dia 8 de novembro. Haverá a memória do brilhantismo do Guerrinha e a presença do maior de todos diante de nós, como um presente antes que ele, Jorge Ricardo, se aposente das pistas. O Ricardinho não chegou aqui por uma linha serena, pelo contrário. Foram muitas as adversidades, quedas, percalços, algumas interferências de saúde. E ele, de forma incrível, passou por tudo sem abandonar a profissão e conquistou diversos triunfos.
A aposentadoria está prevista para o próximo Grande Prêmio Brasil, no Jockey Club Brasileiro, provavelmente em junho de 2027. Portanto, essa será possivelmente a última disputa do Ricardinho em solo gaúcho. É uma oportunidade para todos os gaúchos, turfistas ou não, de presenciarem o maior de todos em ação, ele que é o personagem central e o homenageado do filme Photochart: Nascido Para Vencer.

O sempre bem humorado Jorge Ricardo, recordista mundial e inspiração para gerações de jóqueis
E esse presente é do Ricardinho aos gaúchos, pela sua disposição em viajar para Porto Alegre e participar do Bento. Mas é também um presente do canal Turfe Emoção, que com sensibilidade e recursos próprios convidou o ídolo para participar da festa.
Os novos canais de turfe, muitas vezes desvalorizados por instituições turfísticas, têm um papel extremamente importante no momento atual, em que o turfe não tem mais destaque nas grandes mídias e, ao mesmo tempo, não conversa tanto com as redes sociais, em relação a outros esportes. À medida que esses canais se fortalecem, e são fortalecidos por incentivos financeiros, conseguem produzir conteúdos mais profissionais e custear momentos que certamente ficarão registrados na história do turfe atual. E quem sabe reverberem na história futura.
Ricardinho nos presenteia com a sua história, o seu profissionalismo, a sua presença. O Turfe Emoção nos presenteia com os registros que faz, com as narrativas que constrói, com a luz que lança sobre o nosso esporte. E agora nos presenteia também ao convidar o ídolo e proporcionar a nós, turfistas, assistir a uma possível última vez do Ricardinho em pista no solo gaúcho.
Esse será um Bento dos ídolos: Guerrinha e Ricardinho. E, se me permitem, Único Lô.
Talvez um ídolo regional, mas depois de tantas vitórias em pouco tempo, e cotado para ser bicampeão do Grande Prêmio Bento Gonçalves, já merece entrar nessa conversa.