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Esta matéria está sendo escrita antes da apuração dos votos do segundo turno para a eleição presidencial no Brasil. Contamos nos dedos os políticos que ao menos se interessaram pelo nosso futuro. Ações bem–sucedidas conseguem–se contar nos dedos de uma mão, e nenhuma com grande significado. O País está extremamente politizado. O turfe não tem partido; o turfe necessita de ajuda governamental
Há muito se fala — ou melhor, os estudos profissionais informam — que uma das saídas para o fortalecimento do turfe passa pelo apoio político–governamental.
Em 2010, portanto há 16 anos, um grupo de proprietários, criadores e instituições (diga–se de passagem, que nenhum Jockey Club do país se associou a essa iniciativa), preocupados com a situação, contratou a empresa Dextron Management Consulting para elaborar um amplo diagnóstico sobre o turfe brasileiro, haja vista o declínio já existente na época.
A Dextron realizou um trabalho fenomenal, batizado de Projeto Turfe Forte, no qual analisou todo o setor turfístico: desde a época do Império, passando pela Nova República e acompanhando todos os anos de crises e de bonança, até chegar a 2010. Representantes da consultoria visitaram países como Estados Unidos, França e África do Sul a fim de compreender os processos pelos quais o turfe nesses locais passou, além de realizarem diversas entrevistas tanto no Brasil quanto no exterior.
Em solo nacional, foram a fundo: conduziram pesquisas minuciosas e apresentaram gráficos, números da criação, volumes de jogo, dados estatísticos, entre outros elementos cruciais para a compreensão de todo o universo que lastreia o turfe nacional.
Foi desse estudo, condensado em 220 páginas no ano de 2010, que nasceu o Projeto Turfe Forte.
A obra traz o diagnóstico da situação atual (2010) do turfe no Brasil e, ao final desse belíssimo trabalho, apresenta recomendações gerais em relação ao Governo para o fomento da atividade.
Na página 219, nas Considerações Finais, destacam–se os seguintes trechos:
“No Brasil, o turfe é uma atividade em declínio em todos os seus aspectos — criação, esporte e apostas. A perda do suporte ao fomento de equídeos, os conflitos de interesse societário e o sistema de governança no setor e nos Jockey Clubes são fatores que impedem a recuperação da atividade. Além disso, considerando a força dos produtos da Loteria da Caixa Econômica Federal e a possibilidade de retorno dos bingos, o futuro do turfe no Brasil, sem nenhuma ação, é altamente incerto.”
“É imperativo que as melhorias para o turfe nacional sejam colocadas em prática o mais cedo possível, pois, como visto nos casos analisados, as reestruturações demandam tempo para prover um retorno às corridas de cavalo.”
Em outro trecho, aponta–se a necessidade da “criação de uma estrutura mínima junto ao Governo para interlocução com o setor do Turfe”, sugerindo–se ainda a “criação de uma Agência de Gestão do Turfe Brasileiro”.
De 2010 até hoje, 2026, não houve nenhuma iniciativa conjunta por parte dos jockey clubs para colocar em prática o que consta no estudo. Comenta–se que bem menos da metade dos presidentes das entidades que exerceram mandato entre 2010 e 2026 leu o documento, e menos ainda se viu qualquer sinergia em prol do turfe. Sim: os clubes comportam–se como células que não se unem; a membrana celular que os envolve é tão rígida que vem arrastando o esporte cada vez mais para o fundo. Em termos práticos, são os próprios 16 anos decorridos desde a apresentação do Projeto Turfe Forte que atestam essa realidade.
Portanto, agora, nessas novas eleições, é hora de construir alianças, deem–se as mãos e comecem por ler, juntos, o Projeto Turfe Forte.
Da Redação